Qual é o quadro real da política de Anápolis hoje? A primeira informação é: o deputado estadual Antônio Gomide (PT) — quem subestimá-lo poderá vê-lo tomando posse em 1º de janeiro de 2025 — está, por enquanto, surfando sozinho nas ondas da política local.

Segundo, o prefeito Roberto Naves (Republicanos) e o suplente de deputado federal Márcio Corrêa (MDB) permanecem, metaforicamente, se engalfinhando. Os dois se detestam. Mas há quem acredite que, entre maio e junho (ou até antes), terão de devolver as armas aos coldres e aceitar uma composição. Um aliado do gestor municipal enviou uma mensagem para um repórter do Jornal Opção garantindo que isto é impossível. Porém, como sabiam Tancredo Neves e Ulysses Guimarães (que jamais falava mal de determinados políticos para sua mulher, Mora, pois amanhã poderia ter de compor com eles), nada é impossível em política.

Márcio Corrêa, Daniel Vilela e Roberto Naves vão falar uma “língua franca”? | Foto: Reprodução

Terceiro, há uma operação em curso — para além dos gabinetes do ódio — para unir toda a direita em Anápolis. Tal operação passa pelo governador de Goiás, Ronaldo  Caiado (União Brasil), pelo ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), pelo vice-governador Daniel Vilela (MDB) e pelo ex-deputado federal Major Vitor Hugo (PL).

Fantasia? Não é. A tendência é que o candidato da base governista em Anápolis seja do PL ou do União Brasil. O vice será do União Brasil ou do PL. Quais os nomes? Não estão definidos. Mas figuram na lista, nesta ordem, Márcio Corrêa (que esteve conversando com o governador Ronaldo Caiado), Major Vitor Hugo (frequente interlocutor do governador) e Márcio Cândido (vice-prefeito de Anápolis, e pré-candidato apoiado por Roberto Naves). O nome do deputado estadual Amilton Filho também tem sido citado com frequência nas hostes palacianas.

Antônio Gomide e Lula da Silva: articulando firme | Foto:| Divulgação

Qual é o jogo do Major Vitor Hugo? Consta que tanto pode disputar a Prefeitura de Anápolis quanto a de Goiânia (se o deputado federal Gustavo Gayer, do PL, for cassado e ficar inelegível). Na capital, também é cotado para disputar mandato de vereador — com o objetivo de ficar em evidência. (Detalhe: Vitor Hugo está aproximando, cada vez mais, Bolsonaro de Ronaldo Caiado.)

Entretanto, há outro aspecto, ainda não examinado pela mídia com a ênfase necessária: Major Vitor Hugo — o político de Goiás mais ligado a Jair Bolsonaro — pode se resguardar para a disputa eleitoral de 2026, quando, dependendo do quadro de alianças de 2024, poderá ser o companheiro de chapa de Gracinha Caiado na disputa por um mandato de senador. Há quem postule, inclusive, que o ex-deputado pode ocupar uma secretaria no governo de Ronaldo Caiado — o que o fortaleceria como articulador político do PL em todo o Estado.

Hélio Lopes, ex-presidente do Ipasgo | Foto: Reprodução

O fato é que Major Vitor Hugo está articulando com Ronaldo Caiado e Bolsonaro em Goiás, notadamente em Anápolis. Assim como Daniel Vilela articula seu pré-candidato, Márcio Corrêa.

O jogo do prefeito Roberto Naves

Roberto Naves vai ficar fora do jogo, bancando um candidato que não terá o apoio de Ronaldo Caiado e Bolsonaro? Pela lógica, não. Mas ele insiste que não planeja participar de nenhuma aliança ao lado de Márcio Corrêa. Este, por sinal, tem reduzido as críticas ao prefeito. Porque, mais adiante, poderão ter de compor.

Márcio Cândido, vice-prefeito de Anápolis: no jogo| Foto: Ascom

Se a base governista está em guerra — o armistício poderá chegar com a intervenção de Ronaldo Caiado, que está esperando o momento adequado —, o neotucano Hélio Lopes, apoiado pelo ex-governador Marconi Perillo, está se apresentando aos segmentos organizados da sociedade como pré-candidato. Firme, ele está constituindo um novo grupo no PSDB de Anápolis — tanto que deu um chega pra-lá inclusive na histórica e icônica Onaide Santillo, de 78 anos, a viúva de Adhemar Santillo.

Na semana passada, um aliado de Hélio Lopes disse uma coisa estranha para um repórter o Jornal Opção: “Se desistir da disputa, Antônio Gomide poderá apoiá-lo”. Por que um político que lidera todas as pesquisas de intenção de voto, até por ser da direita do PT, vai renunciar à candidatura? A fonte não quis se explicar, dizendo apenas: “Tudo é possível neste vasto mundo de meu Deus”. (E.F.B.)