Deputado Zacharias Calil bate duro no uso sem critérios de defensivos agrícolas

Parlamentar e médico denuncia que crianças estão nascendo com má formação e a quantidade de abelhas que estão morrendo

Em seu primeiro pronunciamento no Grande Expediente na Câmara Federal na tarde de terça-feira, 4, o deputado federal Dr. Zacharias Calil (DEM) demonstrou sua grande preocupação com uso indiscriminado de agrotóxicos na produção dos alimentos no Brasil. Zacharias contou aos demais deputados um pouco de sua trajetória profissional como médico cirurgião pediátrico, de suas pesquisas dentro da área da saúde e da relação das más formações em seres humanos com o uso de agrotóxicos.

Zacharias Calil, no Grande Expediente: pelo uso controlado de agrotóxicos no Brasil | Foto: Câmara dos Deputados

“Durante todos esses anos, eu procurei descobrir uma causa que pudesse explicar a quantidade de crianças siamesas que tem acontecido em Goiás e no Brasil em geral. Na minha especialidade, como cirurgião pediátrico, eu estou vendo, aos montes, crianças com má formação da genitália, principalmente, com desenvolvimento de câncer e outras coisas que vêm surgindo ao longo desses anos”, frisou o médico-deputado.

“Numa pesquisa da Dra. Daniela, da Faculdade Federal de Goiás, em que provou, num trabalho comparativo entre pessoas normais e pessoas que trabalhavam com agrotóxicos sem nenhuma proteção, que — esse aí também é um dos fatores principais — tanto a pessoa que trabalha exposta a agrotóxico quanto os seus familiares que estão em casa são contaminados. O índice de lesão do DNA foi 4,5% mais alto do que o da população geral. Não só os seres humanos, mas também os girinos que habitam essas regiões apresentaram contaminação”, relatou Zacharias.

O deputado reconheceu que o uso de defensivos agrícolas é necessário para a produção dos alimentos no Brasil, mas condena a forma com que são usados, principalmente devido à falta do uso de equipamentos individuais obrigatórios e à quantidade de agrotóxicos liberados para o uso nos últimos meses.

Morte de abelhas: meio bilhão

“A pulverização feita por aviões tem produzido a contaminação do meio ambiente, a contaminação dos lagos, das florestas, das árvores que absorvem esse conteúdo. Quando as abelhas colheram aquele material nas flores o que aconteceu? Quinhentos milhões de abelhas foram mortas no Brasil. Esses não são dados que eu inventei, não; eles estão nas revistas científicas”, disse o parlamentar do DEM.

“Não sou contra agrotóxico, mas acho que ele deve, sim, ser regulamentado, principalmente pelo seu uso indiscriminado, pelo contrabando, e o descaminho com que nós temos sofrido no Brasil. De dezembro de 2018 a fevereiro de 2019, 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas no Brasil. As análises laboratoriais identificaram a presença de agrotóxicos em cerca de 80% delas. Dos 504 agrotóxicos registrados no Brasil, 149 foram proibidos na União Europeia, cerca de 30%, o que é um número muito alto”, afirmou o deputado.

Zacharias também falou sobre a importância de se valorizar o período denominado Primeira Infância, sobre o projeto de lei para tornar a ultrassonografia especialidade médica, a questão da agilidade na concessão de patentes, sobre a defesa do meio ambiente e preservação do cerrado e do Rio Araguaia.

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Sandoval Neto

está em tempo do renomado médico abrir o olho do presedente que ele ajudou a eleger, começar a sair da sua bolha ideológica e reverter o desmonte da proteção ambiental que ele tem promovido