Deputado diz que oposição a Ronaldo Caiado em 2022 pode ser “decorativa”

Se Daniel Vilela fechar com o governador, a oposição poderá se resumir ao PSDB e ao PT, que não se unirão. Patriota também não jogará com tucanos

Se for fechada uma chapa com Ronaldo Caiado (Democratas) para governador, Daniel Vilela (MDB) na vice e Henrique Meirelles para o Senado — configurando uma Seleção Brasileira de Política —, a disputa eleitoral de 2022 será muito difícil para as oposições.

É preciso perguntar: quais os partidos que vão compor as oposições? Não se sabe com precisão. Há a possibilidade de três grupos, que possivelmente não se unirão, se colocarem como oposição: o PSDB dos ex-governadores Marconi Perillo e José Eliton, o Patriota de Jorcelino Braga (e, possivelmente, Jânio Darrot) e o PT do deputado federal Rubens Otoni e da deputada estadual Adriana Accorsi.

O problema do PSDB é: quem se aliar ao partido terá de “carregar” o seu desgaste — que permanece imenso (por isso, o presidente do MDB, Daniel Vilela, não quer proximidade com seus líderes. Pode até conversar com um ou outro tucano, como Marconi Perillo, mas não planeja estabelecer nenhuma aliança). Por isso, a tendência é que o tucanato marche sozinho em 2022 — inclusive lançando candidato a governador, que tanto pode ser Marconi Perillo quanto José Eliton, sobretudo para fortalecer as chapas de candidatos a deputado federal e deputado estadual. Teme-se que o desastre de 2018 se repita em 2022 — e até com maior intensidade.

Rubens Otoni e Marconi Perillo: a oposição em 2022 pode se resumir aos dois políticos | Fotos: Reproduções

Nas hostes do PSDB fala-se em composição, mas com quem? Há os tucanos que apostam que, se Jânio Darrot for candidato a governador pelo Patriota, acabarão por apoiá-lo. Resta saber se Jânio Darrot, que está deixando o PSDB — inclusive a presidência do partido —, para salvar sua história e carreira política, vai querer subir no mesmo palanque dos tucanos. O presidente do Patriota, Jorcelino Braga, não mantém qualquer relação política com o marconismo — pelo contrário, houve, no passado, forte contencioso ente os empresário e marqueteiro com Marconi Perillo. Ademais, se o presidente Jair Bolsonaro se filiar ao Patriota, para disputar a reeleição, será impossível qualquer coligação em Goiás. Frise-se que o candidato do PSDB a presidente deverá ser o governador de São Paulo, João Doria, que se tornou um adversário fidagal de Bolsonaro.

O PT do deputado federal Rubens Otoni, dos deputados estaduais Antônio Gomide e Adriana Accorsi e da líder regional Kátia Maria não se mistura com o PSDB de Marconi Perillo. Os dois partidos são adversários históricos. O petismo tem nomes sérios e consistentes, mas não tem força política para uma disputa estadual — nem como protagonista nem como coadjuvante. Na verdade, vai trabalhar para tentar eleger um deputado federal (Rubens Otoni) e pelo menos dois estaduais (Adriana Accorsi e Antônio Gomide).

Então, se Daniel Vilela sair do páreo, aproximando-se do governador Ronaldo Caiado, as oposições, mais do que divididas, estarão na chapada em 2022. Como disse um deputado estadual, a tendência é que a oposição no próximo pleito exerça um nitidamente “papel decorativo”. “O quadro de Aparecida de Goiânia deverá se repetir em Goiás, no plano estadual. Ronaldo Caiado, se não houver uma mudança próxima de um terremoto, está com a faca, o queijo e o poder nas mãos. Será reeleito com facilidade”, afirma o parlamentar, por sinal, filiado a um partido que faz oposição ao governador.

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