Depoimento na PF implica prefeito de Abadiânia em esquema de Renan Calheiros e Renan Filho

Durval da Costa diz que a J&H de Joesley e Wesley Batista repassou dinheiro para os políticos. O motorista Ricardo Rocha e o prefeito José Diniz são citados

Renan Calheiros, senador por Alagoas | Foto: Reprodução

Reportagem do Blog de Fausto Macedo, “Emissário implica assessor de Renan Filho em entregas de R$ 3,8 milhões em malas para Renan”, assinada pelos repórteres Paulo Roberto Netto, Luiz Vassalo e Ricardo Brandt, do “Estadão”, relata que, em “novo depoimento à Polícia Federal”, Durval Rodrigues da Costa “apontou Ricardo Rocha como receptador de propinas para” o senador Renan Calheiros, do MDB de Alagoas. O senador teria recebido dinheiro para apoiar Dilma Rousseff na disputa presidencial de 2014.

Durval Costa, primeiro-amigo do lobista Ricardo Saud, da JBS, informou que Ricardo Rocha trabalhava como motorista para Renan Calheiros — hoje, é assessor especial do governador de Alagoas, Renan Filho — e colhia propinas da J&F, holding controlada pelos irmãos Wesley e Joesley Batista (os negócios da família começaram com um açougue em Anápolis, fundado por Zé Mineiro, pai da dupla), e entregava para o senador Renan Calheiros. O dinheiro seria usado na campanha de Renan Filho para governador.

José Diniz, prefeito de Abadiânia | Foto: Reprodução

Numa das ocasiões em que buscou propina, em espécie, para Renan Calheiros — na versão de Durval Rodrigues da Costa —, o motorista entrou num quarto do Ibis Hotel, em Maceió, e reuniu-se com José Aparecido Alves Diniz (hoje, prefeito da cidade de Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal), ex-assessor de Renan Filho. Ricardo Rocha saiu levando 600 mil reais.

O “Estadão” relata que “Durval Costa destacou que Diniz havia dito que, quando ele não estivesse presente para receber os valores, seria Ricardo quem pegaria o dinheiro, por ser uma ‘pessoa da confiança’ de Renan e que poderia ter ingresso no estacionamento da garagem do prédio onde morava o senador”.

Noutra remessa, Ricardo Rocha coletou mais 800 mil reais, segundo Durval Costa. Ele saiu com uma mala abarrotada de dinheiro. Já em Recife, Ricardo Rocha buscou mais 700 mil reais para seu chefe.

O “Estadão” informa que a história de Ricardo Rocha, José Diniz, Durval Costa, Renan Calheiros e Renan Filho integra o inquérito 4707, “que apura pagamento de 40 milhões de reais” feito “pelo grupo J&F a senadores do MDB durante as eleições de 2014 a pedido de [Guigo] Mantega” (então ministro da Fazenda).

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