Crise na base política de Marconi Perillo diz muito mais respeito à disputa de 2018 do que à de 2016

Montagem

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Na guerra, como na política (guerra sem armas, ou melhor, as armas são as palavras e as ideias), é preciso definir o adversário com o máximo de clareza para que o combate seja de fato eficaz. No momento, há ruídos, de certa intensidade na base política do governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB. Frise-se, desde já, que as partes em confronto não desafiam diretamente a autoridade e a liderança do tucano-chefe. Mas é preciso ter olhos para as árvores, os integrantes individuais da base aliada, e para a floresta, a aliança heterogênea, de centro-esquerda, sem excluir membros mais próximos da direita. O jornalismo que só percebe as árvores não compreende a variegada realidade da floresta. Aquele que só percebe a floresta perde a capacidade de entendimento do que é individual.

Na semana passada, as colunas de notas foram úteis para disseminar a fofoca política, priorizando as árvores e esquecendo a floresta. Quem leu os jornais e sites ficou com impressão que o problema principal da base aliada é o fato de o PSD do ex-deputado federal Vilmar Rocha e do deputado federal Thiago Peixoto — um dos mais promissores políticos goianos, porque tem conteúdo e é homem de projetos — ter se desgarrado e ter lançado candidato a prefeito de Goiânia, o deputado estadual Francisco Júnior. Uma pessoa oriunda de São Paulo ou do Nordeste, convidada a visitar Goiás e examinar o quadro político, certamente perguntaria sobre as pesquisas de intenção de voto. Ao saber que Francisco Júnior aparece com menos de 5%, em todas as pesquisas, diria: “Não tem peso político-eleitoral e, portanto, é carta fora do baralho”. Ao menos no momento, estaria certa. Se as pesquisas estiverem corretas, o postulante do pessedismo não é nenhuma ameaça, nem mesmo para Vanderlan Cardoso, o candidato do PSB e apontado como, mesmo recalcitrante, “o candidato da base governista”. Por governismo entenda-se o governo do Estado e os integrantes da base aliada.

Porém, se estivesse apoiando Vanderlan Cardoso, atendendo aos rogos da base aliada, Francisco Júnior estaria acrescentando o quê? O deputado é um político que conhece Goiânia como poucos, pois, além de ter sido secretário da primeira gestão de Iris Rezende, entre 2005 e 2008, é um estudioso de seus problemas e, por isso, sabe como encaminhar algumas soluções. Mas convém lembrar que, em 2012, aceitou ser vice de Jovair Arantes, então o candidato da base governista a prefeito, e não foi decisivo. Pode-se sugerir que cada eleição é singular, portanto o quadro de agora seria diferente. Pode ser. O fato, porém, é que Francisco Júnior, Thiago Peixoto e Vilmar Rocha são árvores e cabe agora, rapidamente, verificar a floresta.

Embora cada eleição tenha sua face, um jogo que é só seu, é possível dizer que as facções políticas estão armando seus jogos, a partir da preliminar — a disputa das prefeituras —, para estabelecer táticas e estratégias para o jogo principal, a disputa do governo do Estado, de duas vagas para senador e das 17 vagas para deputado federal, em 2018. Se as árvores isoladas são os rebeldes do PSD — os rebeldes do PR (como Magda Mofatto) e do PSB não são apontados —, a floresta é, de fato, a disputa de 2018.

Os políticos, mesmo quando não racionalizam com apuro, costumam ter um instinto poderoso, que alguns chamam de feeling, potencializado nos dias atuais pelas pesquisas. Pois, em 2018, não se terá Marconi Perillo no páreo, como candidato a governador, e a base aliada terá completado 20 anos de poder ininterrupto. Não há dúvida: é muito tempo. Quem nasceu em 1998, quando Marconi ganhou sua primeira eleição para o governo, terá 20 anos em 2018. É uma geração. Com percepção aguçada, Marconi sabe que precisa rearticular sua base política, ampliando-a — inclusive aproximando-se de setores do PMDB —, mas há os que não têm a mesma percepção. Por isso não percebem que, na falta de um candidato natural — todos apreciam José Eliton, mas sabem que, eleitoralmente, é uma incógnita —, muitos vão se apresentar e, com certa sutileza, vão questionar o nome (ou nomes) apontado(s). Os rebeldes de 2016, e muito menos os do PSD, querem o poder em 2018. Por isso vão buscar inclusive composições heterodoxas. Aos que aconselham o tucano-chefe a promover um expurgo convém lembrar que Iris Rezende perdeu o poder quando passou a raciocinar e agir a partir de picuinhas palacianas, inclusive, talvez sobretudo, promovidas por parentes.

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