Cinco razões para votar em Eduardo Campos (PSB) sem precisar falar mal do PT

Nelson Soares dos Santos

A guerrilha eleitoral nas redes sociais já começou. É uma guerra suja que tende a destruir reputações e até mesmo vidas, uma vez que muitos envolvidos pela emoção não medirão as consequências das palavras tresloucadas que deixarão no ar. Parece que o único meio de defender o candidato no qual se acredita é falando mal dos adversários. Em algum momento ate parece que não são adversários, são inimigos. E corre-se o risco de laços familiares se enfraquecerem, amizades se desfazerem por causa de uma paixão momentânea que, a grosso modo, a história mostra que não há justificativas para tanto. Por isso revolvi meditar e encontrar dez razões que justifique meu voto em Eduardo Campos sem que seja preciso falar mal do PT.

Primeira razão

Arejar a democracia. O PT está há 12 anos no poder. Quem estuda ciência política sabe que quando um governante fica muito tempo no poder cria-se uma forma de crostas, uma turma de puxa-sacos, sanguessugas que passam a sugar o bem público sem dar contrapartida à sociedade. Outra questão é que o poder naturalmente desgasta. No caso do PT há diversos desgastes inolvidáveis como o caso do Mensalão, o esquecido caso dos Correios, o caso Erenice Guerra, e tantos outros aqui e acolá, como aquele do dinheiro na cueca. Indiferente se é verdade isso ou aquilo, a verdade é que há um desgaste imenso dos dirigentes do PT, dos governantes do PT, e do partido como um todo. Um tempo na oposição pode ajudar o partido a se oxigenar, renovar, reencontrar os princípios de esquerda, a ética pela qual foi criado.

Segunda razão

Continuar o movimento à esquerda. Todo governo que se propõe a fazer mudanças tem certo limite. No caso do PT, é preciso ter coragem de dizer que o PT deu boas contribuições à sociedade, sobretudo na área social, certo investimento em educação (ainda que, na minha opinião, com rumos equivocados), conseguiu até agora manter a economia dentro de certos parâmetros (ainda que agora vemos a inflação ameaçar a todos) e, vivemos sim e não sem luta, um período de democracia. Entretanto, o PT se encontra no limite. Aliou-se com o que tem de mais conservador na política brasileira como Paulo Maluf, Jader Barbalho, Sarney. Para continuar este movimento de avanços nas causas sociais é preciso virar um pouco mais à esquerda e se desvencilhar destas companhias. Eduardo Campos pode ser a oportunidade.

Terceira razão

Desfocar do socialismo a Hugo Chavez para um humanismo socialista. O PSB é um partido que sempre teve uma tradição socialdemocrata avesso a ditaduras. E hoje a forma como se gere o país coloca-nos sob a ameaça de uma ditadura da maioria manipulada sobre uma minoria que trabalha e produz que pode não ser bom para as futuras gerações. A luta pela igualdade social, igualdade racial e todas as formas de igualdade não deve ser construída pela força, mas, sim, por alto investimento em educação e serviços públicos de qualidade.

Quarta razão

Rediscutir o papel do Estado. A instituição do Estado se encontra em crise. É preciso rediscutir o papel do Estado na sociedade. De um lado, está o chamado Estado mínimo do neoliberalismo. De outro, um excesso de concentração de poder e de regulação que leva o Estado a querer regular até a vida privada dos indivíduos. Por estar muito tempo no poder o PT perdeu a força para discutir com a sociedade civil e o mercado qual papel de cada um na construção do futuro, sobretudo, por que os governos atuais estão imersos e dominados até a alma pelo mercado, sobretudo pelos banqueiros.

Quinta razão

Por que é hora de mudar. O PT está há 12 anos no poder. E fez algumas coisas, outras nem tanto. A verdade é que muita coisa já não vai bem. O PIB já não cresce há vários anos. Os Estados estão endividados. Muitas grandes, médias e pequenas prefeituras estão quebradas. Muitas reformas precisam ser feitas. O pacto federativo precisa ser discutido. O endividamento familiar só está aumentando. A economia já não vai bem. Então é hora de mudar, renovar o time. E quando chega a hora de mudar as coisas só se ajeitam mudando.

O que precisamos entender é que o Brasil tem direito a mudar. Faz parte do exercício da democracia optar por algo ainda não experimentado. Montar um time novo, propor novas experiências, aprofundar escolhas. Votar em Eduardo Campos é optar por um socialismo de novo tipo, um socialismo humanista, que se de um lado preocupa com a igualdade, com o combate a fome, a pobreza e a tantos males que assola a sociedade, não se esquece de que cada cidadão precisa aprender a receber com uma mão e a doar com a outra. Votar em Eduardo Campos é aprofundar o sentido de ser cidadão e de se exercer a cidadania.

Então não preciso falar mal do PT para votar em Eduardo Campos, preciso apenas saber que é a oportunidade de melhorar tudo que pode ser melhorado.

Nelson Soares dos Santos é professor universitário, membro do Diretório Regional do PPS Goiás e suplente do Diretório Nacional.

 

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