Caiado pode chegar em 2022 com uma base política maior do que a de 2018

O governador está atraindo para o seu lado o PP de Alexandre Baldy e o PTB do ex-deputado Roberto Jefferson. Está atento à tese de que precisa ampliar sua base

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, do Democratas, não é dado a articulações barulhentas. Pelo contrário, articula basicamente nos bastidores. O detalhe é que, visto como confiável — pois quando diz “não” é “não” e “sim” é “sim”, sem meias conversas —, as negociações políticas se tornam factíveis. O líder do DEM está operando a montagem de uma base política tanto para a governabilidade quanto para sua própria sucessão em 2022. Aos poucos, a base está sendo ampliada e a tendência que se torne mais forte em 2022 do que em 2018 — o que pode ser decisivo, porque, como se sabe, todos os governos têm desgastes, então uma aliança mais encorpada pode fazer a diferença.

Ronaldo Caiado, como Jair Bolsonaro e Roberto Naves | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Quem quiser entender o que está acontecendo tem de observar com atenção. A árvore é a eleição de 2020, mas a floresta é a eleição de 2022. Ronaldo Caiado, em tese, está montando uma nova base para 2020, com o objetivo lógico de eleger prefeitos, notadamente nas cidades chaves do Estado, como Iris Rezende em Goiânia, Roberto Naves (que deve se filiar ao PP) em Anápolis, Paulo do Vale em Rio Verde e Diego Sorgatto em Luziânia.

Num primeiro momento, o PP parecia ter um acordo definitivo com o MDB, tendo em vista a disputa de 2022. Não era definitivo, como poucas coisas são em política. Hoje, o PP do ex-ministro Alexandre Baldy, do senador Vanderlan Cardoso e dos deputados federais Adriano do Baldy Avelar e Professor Alcides Ribeiro está mais próximo de Ronaldo Caiado do que de Daniel Vilela, presidente do MDB. Não significa que houve um rompimento com o vilelismo, e sim que há novos espaços para a negociação política. O que o PP não quer é subordinar-se a outra força, mas criar novos aliados, abrir novas portas. Ronaldo Caiado, nas suas articulações, quer o partido como aliado, mas não planeja subordiná-lo.

O PTB era dirigido por Jovair Arantes e seu filho, o deputado estadual Henrique Arantes, que acabou expulso. Jovair Arantes deve se filiar ao MDB de Daniel Vilela, com o qual se encontrou recentemente. O PTB está indo para a base de Ronaldo Caiado. É um novo aliado.

O prefeito de Anápolis, Roberto Naves, deve trocar o PTB pelo PP e é aliado do governador goiano, que deve bancar sua candidatura em Anápolis.

Em Goiânia, Ronaldo Caiado mantém uma parceria com o prefeito Iris Rezende que, além de administrativa, é fortemente política.

Em Rio Verde, está sendo operada uma megaoperação política em torno do prefeito Paulo do Vale (sem partido). O gestor municipal pode ter o apoio, por exemplo, de Lissauer Vieira — que, em 2022, seria candidato a deputado federal.

Em Porangatu, a base caiadista pode lançar dois candidatos — Eronildo Valadares (DEM ou Podemos) e Márcio Luis da Silva (que, ligado ao vice-governador Lincoln Tejota, pode se filiar ao PP). É possível uma aliança entre os dois? Por enquanto, não. Adiante, talvez. Valadares poderia apoiar Silva para prefeito, em 2020, e Silva poderia bancá-lo (ou sua mulher, Vanuza Valadares) para deputado estadual em 2022.

Em Luziânia, maior cidade do Entorno de Brasília, Ronaldo Caiado articula com o deputado estadual Diego Sorgatto, do PSDB. A tendência é que o parlamentar se filie ao DEM. Ele conquistou o apoio do ex-deputado federal Marcelo Melo e deve conseguir o apoio do deputado federal Célio Silveira, do PSDB.

Em outras cidades, há operações políticas semelhantes, com o governador articulando em vários fronts. Ronaldo Caiado é gestor, e assim a sociedade quer vê-lo, mas é, essencialmente, um político (foi deputado federal e senador) — daí a habilidade nas articulações.

Uma resposta para “Caiado pode chegar em 2022 com uma base política maior do que a de 2018”

  1. Francisco Lopes de Araújo disse:

    Qual a base que vocês tem para afirmar que o Governador Caiado é gestor? Não estou afirmando que não é, todavia não acham que é muito cedo para considerá-lo gestor?
    Na minha opinião é preciso mais tempo para ver se efetivamente nosso governador é gestor de fato e de direito!
    Para o bem de nosso estado tomara que a resposta seja sim!

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