Brasileirão pode começar e o Goianão pode não terminar? Quem vai pagar atletas dos clubes pequenos?

Os times menores não têm condições de bancar seus jogadores, se o Goianão fica paralisado por muito tempo. A CBF pode e deve ajudá-los

Cilas Gontijo

Em reunião organizada, na quarta-feira, 18, pela Federação Goiana de Futebol — com a presença dos dirigentes dos clubes que disputam o Campeonato Goiano — ficou decidida a paralisação da competição por tempo indeterminado. Os times e a FGF acataram a decisão do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) devido à pandemia do Covid-19 (coronavírus).

Outras decisões também foram tomadas nesta reunião. O artigo do regulamento que encerrava as inscrições de novos jogadores foi refeito. O prazo fica em aberto. Porque alguns atletas podem se desvincular dos clubes, que terão de fazer novas contratações.

Outra decisão importante tomada foi a de que, quando o campeonato for retomado, os clubes deverão ser avisados com antecedência de no mínimo 15 a 20 dias para terem tempo de se reorganizarem.

Para alguns dirigentes, o Campeonato não foi apenas paralisado, mas encerrado. Ou seja, não voltará mais. Porque será muito difícil ter outra agenda para que isto aconteça. Ressalve-se que não é o pensamento da Federação. O presidente da FGF, André Pita, disse que, “se depender de nós, o campeonato retornará”.

“Se depender de nós.” A frase é correta. Porque o problema do coronavírus talvez não seja resolvido de imediato. A tendência é que não seja: o número de contaminados tende a subir, mas não necessariamente a estrutura para atender os pacientes (ainda que a maioria possa ficar na sua própria casa, desde que o caso não seja grave, com acréscimo, por exemplo, de pneumonia e outros problemas). Portanto, os 15 dias tendem a se transformar em 30, 60 ou 90 dias. Fala-se, inclusive, que a crise pode diminuir por volta de julho. Então André Pita tem razão. É certo que, dentro de pouco tempo, se terá vacina contra o coronavírus. Mas “pouco tempo” não significa necessariamente 15 dias. Depois, há a questão da logística: como vacinar todo mundo, e em curto espaço de tempo.

Há quem aposte que os campeonatos estaduais acabarão suspensos e que, breve, Brasileirão será iniciado. É possível? É. Até por ser mais lucrativo para todo mundo — clubes, jogadores e emissoras de televisão (TV Globo, sobretudo). Ops!: quase todo mundo.

Salários dos jogadores

Como ficam os jogadores, que, claro, precisam de seus salários para sobreviver (vale informar que a maioria ganha salários baixos)? Com a paralisação, os clubes têm a prerrogativa de liberar ou não seus jogadores. Os clubes financeiramente mais estruturados — cujos jogadores têm vínculos alongados —, como o Goiás e o Atlético, certamente não os dispensarão (não teriam como montar um time para o Brasileirão às pressas). Os que não têm condições de manter as folhas de pagamento, porque não terão a renda dos jogos (além de outras correlatas), não terão condições de bancar os jogadores. Frise-se que tais clubes, diferentemente de Goiás e Atlético, não participarão de outras competições. Os jogadores da porção Belíndia do futebol passarão necessidades? É possível. Trata-se da parte ruim da paralisação. O que fazer? Há alguma saída?

Poderosa e milionária, a CBF é, na verdade, bancada pelos clubes — sem os times não existiria, obviamente. Sendo assim, é o momento de a Confederação ajudar os clubes pequenos espalhados por todos os Estados do Brasil. Diga-se que, até pouco tempo, a CBF era um foco de corrupção — com milhões de reais da instituição enriquecendo potentados (um deles chegou a ser preso nos Estados Unidos).

Cilas Gontijo é comentarista esportivo.

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