Ausência de Marconi e desgaste de Caiado levam políticos a criar estruturas pra 2022

Como não há vácuo político que dure para sempre, políticos hábeis, como Daniel Vilela, Alexandre Baldy e Delegado Waldir, estão colocando seus nomes na ribalta

Ronaldo Caiado mal começou a governar Goiás e já se fala no pós-Caiado. O que se alega é que, como o governador completará 70 anos em setembro e como disse que não disputará a reeleição, e com Marconi Perillo fora da política, ao menos a oficial (pública, e não de bastidores), há um vazio político no Estado. E, como não há vácuo político que perdure para sempre, os políticos, por planejamento e intuição, começam a jogar agora para se tornarem mais forte adiante.

Senador Jorge Kajuru (PSB) | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O senador Jorge Kajuru (PSB) e o deputado federal Elias Vaz (PSB), dois mosqueteiros à procura de mais dois mosqueteiros, começam a articular forte para 2020, sobretudo a partir de Goiânia, com o objetivo de bancar uma chapa forte para governador e senador em 2022. A dupla vai assumir o comando do PSB em Goiás — a cúpula nacional decidiu que a ex-senadora Lúcia Vânia, presidente do partido no Estado, tem de abrir espaço — e começa a buscar candidatos a prefeito e vereador em todo o Estado (função na qual Lúcia Vânia, se continuar na presidência, pode ajudá-los, pois é uma política de matiz municipalista). Se Elias Vaz for eleito prefeito, ficará provada a consolidação de um novo grupo político no Cerrado — no sentido de ter um braço executivo na principal cidade do Estado. O que se faz em Goiânia reverbera em todas as regiões de Goiás. Em 2022, Kajuru e Elias Vaz poderão dizer, se o deputado for eleito prefeito: “Nós sabemos administrar”. Por enquanto, são bons de discurso, porque não têm experiência como gestores.

Vanderlan Cardoso e Alexandre Baldy | Foto: Reprodução | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Ao avaliar que está cedo para fechar alianças definitivas, o Progressistas do ex-ministro Alexandre Baldy e do senador Vanderlan Cardoso articula em três frentes, em termos de Prefeitura de Goiânia, e tendo em vista também 2022. A frente principal inclui uma aliança com o MDB, desde que o candidato do partido seja Daniel Vilela ou seu pai, Maguito Vilela. O partido não fecha nenhuma aliança com o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, que é visto como “superado” e “alvo a ser batido”. “Se for candidato à reeleição, Iris será o Marconi Perillo de 2020”, sugere um progressista. Outra frente, principalmente a dirigida pelo senador Vanderlan Cardoso, articula a possibilidade de uma aliança com o deputado federal Francisco Júnior, do PSD. Tese desta facção política: o MDB terá candidato a governador de qualquer maneira em 2022, mas o PSD poderá apoiar uma candidatura do Progressistas ao governo (fala-se em Alexandre Baldy para senador, mas não está descartada a possibilidade de ele disputar o governo). Outra corrente aposta numa caminhada-solo do partido em Goiânia — com uma grande surpresa. Uma coisa é certa: o Progressistas quer ser player na capital — pelo menos bancará o vice de algum dos candidatos e pretende lançar uma chapa consistente para vereador.

Daniel Vilela, aposta do MDB para 2022 | Foto: Jornal Opção

O MDB fechou questão: o candidato será o prefeito Iris Rezende. Se não for, por um motivo (pesquisas) ou outro (saúde), há dois caminhos. Iris Rezende já disse a pelo menos três aliados que não aceitará a candidatura de Maguito Vilela e de Daniel Vilela, porque “querem” conquistar Goiânia para azeitar a oposição ao governador Ronaldo Caiado, aliado do prefeito, e lançar candidato a governador em 2022. Discípulo de Maquiavel (não é preciso ter lido Maquiavel para ser discípulo do filósofo italiano), Iris não é adepto de fortalecer “inimigos cordiais”, como os Vilelas. De qualquer maneira, se Iris Rezende não for candidato, os Vilelas vão lançar candidato em Goiânia. Se for candidato, vão subir no seu palanque, porque têm o hábito de cumprir aquilo que dizem. Em suma, o candidato do MDB na capital será Iris Rezende ou um dos Vilelas, com mais chance para Maguito Vilela. O que querem os Vilelas: construírem pontes para a disputa de 2022, quando acreditam que farão o governador de Goiás. Eles apostam que vão ocupar o espaço “deixado” por Marconi Perillo. A outra via é Iris Rezende bancar um candidato de seu grupo, como Agenor Mariano, Ana Paula Rezende ou Andrey Azeredo.

Deputado Delegado Waldir Soares com o presidente eleito Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução

O PSL é o partido do presidente da República e quer ocupar mais espaço na política de Goiás, inclusive bancando candidatos em todos os municípios. Mas o partido dirigido pelo deputado federal Delegado Waldir Soares vai priorizar as maiores cidades, lançando candidatos consistentes. O candidato do partido em Goiânia será o deputado estadual Major Araújo — que tem perfil semelhante ao do presidente Jair Bolsonaro e do Delegado Waldir. É ousado e tem posições firmes. É do tipo de político que o eleitor aprecia observar, porque não provoca indiferença. Qual é o objetivo do Delegado Waldir Soares? Disputar o governo do Estado em 2022. Ou talvez mandato de senador.

Rubens Otoni pode ser a aposta do PT para 2022 | Foto: Jornal Opção

Queimado nacionalmente, o PT tende a bancar a deputada Adriana Accorsi, que deve fazer figuração para consolidar o nome para a disputa da reeleição em 2022. A parlamentar é decente, não tem envolvimento com as falcatruas do PT nacional, mas o partido a “queima” em Goiânia. Luis Cesar Bueno e Kátia Maria são as outras apostas do partido. A aposta para 2022? O PT ainda não tem. Mas pode ser Rubens Otoni.

Vilmar Rocha (PSD) aposta do PSD para o Senado em 2022 | Foto: Jornal Opção

O PSD não tem grandes pretensões para 2022. Por isso vai concentrar suas energias nas eleições de 2020, basicamente em Goiânia, com o deputado Francisco Júnior. Se o parlamentar for eleito prefeito, o partido dirigido por Vilmar Rocha se torna a grande noiva para a disputa de 2022 — com a possibilidade de lançar o vice de uma aliança MDB-PP-PSD ou o candidato a senador. O sonho de Vilmar Rocha é ser senador.

José Eliton pode ser aposta para 2020 | Foto: Divulgação

O PSDB, espécie de PT 2, está “queimado”, mas não morto. Em Goiânia pode lançar tanto o deputado federal Talles Barreto quanto o ex-governador José Eliton, a professora Raquel Teixeira ou o vereador Anselmo Pereira (Marconi Perillo chegou a ser cogitado, mas advogados sugeriram que fique, por enquanto, “quieto”) , ou um nome inteiramente novo. A tendência é lançar um candidato meio proforma, com o objetivo mais de alavancar candidaturas a vereador. Há quem aposte que Anselmo Pereira não seria eleito, mas ajudaria a eleger vereadores. Há os que sinalizam que Rafael Louza é um nome novo, que, se bem trabalhado, poderia surpreender. Do ponto de vista tático-estratégico, o que o PSDB mais quer é “arrancar” Ronaldo Caiado do governo de Goiás, por isso tende a admitir aliança em 2020 com o objetivo de enfraquecer o governador para a disputa de 2022. Se o PP e o PSD seguirem carreiras-solo em Goiânia, e se um dos Vilelas for candidato a prefeito, que o eleitor não fique surpreso se um integrante do PSDB compor a chapa emedebista como vice.

José Nelto pode ser a aposta do Podemos para 2020 e 2022 | Foto: Jornal Opção

O Podemos planeja lançar o deputado federal José Nelto para prefeito de Goiânia. O parlamentar é atuante em Brasília, ficou conhecido em Goiás como o político que teve coragem de denunciar os maus serviços da Enel — a multinacional italiana que cuida (ou descuida) da energia elétrica no Estado. Se não for eleito, será candidato a senador em 2022. Ou a governador.

Ronaldo Caiado e Wilder Morais: o segundo pode ser a aposta em Goiânia | Reprodução

Goiânia é uma espécie de República dos Funcionários Públicos. Eles representam um eleitorado fortíssimo e, portanto, decisivo. No momento, o governador Ronaldo Caiado — principalmente por não ter pago o salário de dezembro e por atrasar o pagamento dos proventos mensais — está com a imagem em baixa na capital, sobretudo com os que trabalham para o setor público. Isto pode prejudicar seu candidato a prefeito. O ex-senador Wilder Morais planeja ser candidato e conta com o apoio de Ronaldo Caiado e do deputado federal Zacharias Calil. Mas Iris Rezende tem comentado com aliados que vai tentar convencer Ronaldo Caiado a bancar Wilder Morais para sua vice em 2020. Caixão e vela preta? Iris Rezende aposta que não. O prefeito tem sugerido que, com aproximadamente oito ou dez candidatos, ele poderá ir para o segundo turno com 20% ou 25%  dos votos. No segundo turno, dependendo do adversário, acredita que poderá ser eleito, principalmente devido a uma estrutura política e financeira mais encorpada.

Como o futuro nem a Deus pertence, os dados estão sendo lançados, mas vagarosamente, no ritmo da política, com marchas e contramarchas.

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