Ataques ao Judiciário só interessam ao caos

Por Patrícia Carrijo, juíza de Direito e presidente da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego) – Para o Jornal Opção

A esfera pública cismou de fazer do Poder Judiciário a Geni da vez. “Joga pedra na Geni!”, diz a letra da música Geni, de Chico Buarque. Sentindo-se obrigados a achincalhar quem quer que seja para dar resposta a uma sociedade que clama por guerra de informações, alguns atores dessa esfera, lamentavelmente, usam das fake news para tentar empurrar a carreira dos magistrados para o ambiente torpe que encobre os corruptos do nosso país.

A Lei da Transparência, tão importante para a sociedade ter conhecimento de onde e como são aplicados os recursos públicos, se tornou o nascedouro da matéria-prima que os especialistas em distorção de informações lançam como verdades absolutas aos inquisidores sedentos por ferir a honra de vítimas que nem sequer são consultadas para dar explicações ou ter o direito à defesa, um dos princípios fundamentais do Direito.

A liberdade de expressão e uma imprensa livre devem ser buscadas por todos, constantemente, mas em nenhum caso pode-se permitir ataques à honra, como tem ocorrido com alguns membros do Judiciário. Acusações equivocadas e sem o respaldo da verdade tentam manchar uma imagem construída com trabalho sério e pautado sempre nos princípios éticos, morais e legais.

Num momento em que, mais uma vez, os servidores públicos brasileiros sofrem ameaças aos direitos garantidos e conquistados pelos seus esforços quando aprovados em concurso público e por meio do cumprimento de suas funções, sofremos, vindas de diversas origens, ameaças de instrumentos que tentam assolar carreiras, categorias e, neste caso, um dos três Poderes pilares da nossa democracia.

Não é inteligente, nem neste momento nem nunca, se virar contra as instituições ou pessoas que as compõem. A destruição da imagem do Judiciário e de seus membros ou de qualquer outra instituição só interessa ao caos e à desordem, arduamente conquistados com a civilidade. Além disso, o único resultado serão os ataques voltados para a próxima vítima, escolhida sem critério algum. Pois, como nos versos dos compositores Ivan Lins e Vitor Martins, tão bem interpretados pela marcante voz de Elis Regina, na canção Cartomante, “Cai o rei de espadas / Cai o rei de ouros / Cai o rei de paus / Cai, não fica nada”.

A magistratura está, desde sempre, preparada para defender nosso legado e histórico de conquistas, construídos com o esforço de todos nós.

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