Quando foi entrevistado pelo Jornal Opção, o prefeito de Anápolis, Roberto Naves (Republicanos), afirmou que Goiânia tem quatro atores que determinam as eleições. São os detentores das quatro máquinas: a Prefeitura, o governo estadual, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) e a da Câmara de Vereadores, que hoje é presidida por Romário Policarpo (Patriota). 

O prefeito, o governador e o presidente da Alego têm jogos abertos: buscam eles próprios protagonizar a corrida à Prefeitura de Goiânia em 2024. O presidente da Câmara Municipal, entretanto, desempenha um papel mais sutil. Ao que tudo indica, não colocará seu próprio nome na liderança de uma chapa, mas já se coloca na posição de ser persuadido a apoiar este ou aquele pré-candidato. 

Uma possibilidade é que Romário Policarpo componha com a pré-candidata do PT, Adriana Accorsi. Em on, Adriana Accorsi apenas diz que é amiga de Policarpo e que a escolha de seu vice ainda está sendo articulada. Ela afirma que pretende fazer em Goiânia o que Lula da Silva (PT) fez em nível nacional — uma frente ampla democrática que dialoga com partidos de centro. 

Nos bastidores, entretanto, sabe-se que Policarpo e Accorsi se falam cada vez mais. O presidente da Câmara tem afinidades com a esquerda; começou sua carreira política como um sindicalista, no comando do Presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Goiânia (Sindigoiania). 

A identificação não significa que Policarpo não ouça as influências do outro lado do espectro. Gustavo Gayer (PL) anuncia uma campanha de forte apelo para a direita. Seu radicalismo pode ser capaz de mobilizar um apoio mais apaixonado do que o conservadorismo moderado. Centralizando os votos da direita em uma candidatura chamativa e alarmista, Gayer parece disposto a seguir a cartilha do bolsonarismo ao desqualificar candidatos da direita moderada — bem como Bolsonaro fez com seus concorrentes que estavam dispostos a dialogar com setores diferentes da política.Por essa razão, Gayer não incomoda apenas a esquerda, mas também a direita, que enxerga em Policarpo uma alternativa razoável para enfraquecer a candidatura do bolsonarista em Goiânia.
(I.C.W)