Aluna de Arquitetura da PUC Goiás relata caso de assédio sexual em ônibus

“Desci na universidade e fui para o estacionamento chorar, […] quando me controlei um pouco e fui ao banheiro percebi que minha saia estava toda suja de sêmen”

Em meio a escândalos e denúncias de estupro, um relato publicado no Facebook tem chamado a atenção dos internautas. Na publicação, uma jovem relata um caso de assédio sexual que teria sofrido dentro de um ônibus da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo.

A jovem conta que, já dentro do veículo, um homem teria começado a se esfregar nela e, por mais que tentasse se afastar e o empurrasse, ele não parava, além de impedir sua passagem. O homem também tapava as partes íntimas com uma mochila, lembrou a jovem.

“Ele começou a se esfregar mais e a cada curva do ônibus o mesmo passava as mãos nos meus seios. Eu que sempre prego o empoderamento e a voz feminina naquele momento enfraqueci, me silenciei, abaixei a cabeça, fui tomada por medo, constrangimento, vergonha e uma série de sentimentos negativos”, relatou.

O relato continua e a jovem diz que, depois de muito insistir, o homem teria descido do ônibus “com um sorriso nojento”. “Desci na universidade e fui para o estacionamento chorar, […] quando me controlei um pouco e fui ao banheiro percebi que minha saia estava toda suja de sêmen”, acrescenta.

O depoimento é de uma aluna do curso de Arquitetura da PUC Goiás. Confira abaixo

Assédio sexual 13507284_237002646685391_1107299338263074451_n

Divulgação

“Hoje (21/06/2016) como sempre fiz minha rota de casa até a Universidade. No ponto do 020 no Cruzeiro aconteceu uma coisa maravilhosa, uma garotinha de três anos correu para longe da mãe e veio conversar comigo como se fossemos grandes amigas, perguntou se ia pra escolinha, se tinha escovado os dentes, onde estava meu pai, minha mãe, minha tia e disse que eu estava muito linda… O ônibus chegou, a garotinha voltou para a mãe, depois de me dar um ótimo beijo no rosto. Entrei pela porta da frente, o meu medo de andar de ônibus faz com que eu tenha preferência por lugares mais próximos ao motorista possível, e me sentei, pensando que o acontecimento da garotinha seria o mais “anormal” do meu dia, mas infelizmente não foi. Estava no primeiro banco atrás da cabine do motorista, no pequeno corredor entre o banco e a catraca parou um homem com mochila. O ônibus saiu cheio, um rapaz de instituição anti-drogas distribuiu balas e ao recolher o homem que estava no pequeno corredor foi para frente e segurou na parte superior do banco onde estava sentada, até aí nada fora do comum. Porém o homem da mochila começou a se esfregar em mim, e por mais que eu me afastasse e o empurrasse “discretamente” ele não parava, percebi que o mesmo “tampava” a situação com a mochila e me ofereci a levar a mochila, não por educação mas pra tentar fazer com que ele se tocasse, mas o mesmo respondeu que já ia descer. Mas ele não desceu e o assédio só piorou, ele começou a se esfregar mais e a cada curva do ônibus o mesmo passava a mão nos meus seios, tentei sair mas ele fechava o corredor com o braço. Eu que sempre prego o empoderamento e a voz feminina naquele momento enfraqueci, me silenciei, abaixei a cabeça, fui tomada por medo, constrangimento, vergonha e uma série de sentimentos negativos. Perguntei tremendo de medo se ele realmente não queria que levasse a mochila, dessa vez em voz alta para que quem estivesse no banco de trás percebesse a situação e pudesse me ajudar, ele respondeu que iria descer, com um sorriso nojento, e desceu no Isidoria. Virei para trás já com lágrimas nos olhos, era uma moça sentada, perguntei se ela tinha visto e ela acenou com a cabeça dizendo que sim, me virei pra frente e cai em choro ali mesmo. Desci na Universidade e fui para o estacionamento chorar e fiz isso por mais de uma hora, quando me controlei um pouco e fui ao banheiro percebi que minha saia estava toda suja de sêmen, caí em prantos novamente, dessa vez não consegui um controle, o gozo nojento de um desconhecido, no mínimo cruel, estava em mim e aquilo doía de uma maneira que não dá pra explicar. Liguei pro meu pai que foi me buscar, cheguei em casa, banhei e estou me sentindo a pior pessoa do mundo. Pensei muito em não escrever esse texto, minha própria mãe pediu que isso não fosse feito, mas preciso demonstrar de alguma forma minha indignação, exigir respeito e também mais segurança no transporte, não sei realmente o que pode ser feito, no momento estou muito transtornada para pensar nisso, mas é necessário para que nos mulheres não passemos por essa situação mais e garotinhas, como a que foi me cumprimentar, nunca passem por isso. Estou muito triste, deixei de entregar e orientar trabalhos pois não consegui ver aula, não consegui comer, minha cabeça dói, não consigo dormir pois só penso nessa situação… Minha saia é de couro, mesmo com “aquela coisa” seca a mancha ficou, essa é a única foto que tenho (muito ruim) que tirei pra mostrar para um amigo, pois como disse minha intenção não era postar isso e agora ela já está no tanque…”.

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.