Advogados e políticos sugerem que Marconi seja transparente mas não se torne cruzado

Pessoas experimentadas propõem que o tucano deixe Caiado se desgastar sozinho ou em confronto com Daniel Vilela e com o funcionalismo público

O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) continua sua rodada de conversações com políticos (e até magistrados e promotores, em regra, aposentados) e advogados experimentados de Goiás e do país. Pergunta sempre a mesma coisa: se deve responder as críticas publicamente, com extremo vigor, ou se deve concentrar energia na sua defesa judicial? Deve operar um enfrentamento com o governador Ronaldo Caiado (DEM) desde já ou deve deixar o enfrentamento para outros políticos, como Daniel Vilela, e parte do confronto para o funcionalismo público?

Dos ouvidos, poucos têm dito para partir para um enfrentamento direto com Ronaldo Caiado ou com o Ministério Público. Os mais cautelosos sugerem que, além de nada resolver, críticas contundentes podem aumentar as arestas e, sobretudo, mantê-lo sobre fogo cruzado.

A maioria aconselha o tucano a ser cauteloso, a cuidar de sua defesa e deixar que Ronaldo Caiado se desgaste sozinho ou sob bombardeio do MDB ou do PT (que, por sinal, está calado). Advogados indicam que a tendência — e frisam: a tendência — é que Marconi se livre das acusações, que são consideradas “frágeis”. “Não há prova cabal de enriquecimento ilícito, não há prova de propina. Não aplicar o ‘legal’ em educação e saúde não significa corrupção; no máximo, se trata de irregularidade. Mas, se houver uma contestação, que consiga justificar a não aplicação, o problema judicial, se não for nulo, ao menos será bem menor. Aliás, na ótica do Tribunal de Contas do Estado e da Assembleia Legislativa, que aprovaram suas contas, o governo de Marconi Perillo não descumpriu as leis”, afirma um advogado.

“Por vezes, mesmo na imprensa, há uma confusão entre Ministério Público e Judiciário. A denúncia do Ministério Público tem valor, é claro, mas quem decide se é correta é a Justiça. Determinadas publicações, quando o MP denuncia, parecem comprar a tese de que o denunciado já está condenado. Apesar de ser óbvio, é preciso sublinhar que só a Justiça condena. Veja-se o caso do bloqueio dos bens de Marconi Perillo em valores que nem correspondem aos valores reais de suas propriedades. Mesmo que a Justiça tenha acatado a denúncia e feito o bloqueio dos bens, é possível que, na segunda instância, a decisão caia por terra — dado o absurdo da decisão judicial. Promotores não raro não dão importância à razoabilidade, porque são parte, não são imparciais, mas juízes, ao passo que seguem as leis, devem ater-se ao fático e à razoabilidade”, pontua outro advogado.

“No caso do caixa 2, em outro processo, Marconi Perillo pode informar que a Odebrecht não fez obras para seu governo, portanto, não há propina e dano ao Erário”, afirma um ex-promotor de justiça.

A conclusão dos indivíduos ouvidos por Marconi Perillo é que precisa responder as acusações de maneira transparente, mas concentrando-se no essencial. “É preciso colocar o contraditório e, ao mesmo tempo, é necessário ter paciência”, postula um advogado.

“O governador Ronaldo Caiado diz que buracos nas rodovias têm como causa a corrupção. Mas a BR-153 e a BR-440, em vários trechos, estão esburacadas. A causa imediata são as chuvas ou a corrupção?”, inquire um advogado.

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