A verdadeira arte de Graciele Marta é o jogo pouco limpo da traição política?
30 setembro 2026 às 18h43

COMPARTILHAR
A ex-prefeita de Campo Limpo de Goiás Graciele Marta do Nascimento — conhecida como Graciele da Arte Trigo — é candidata a deputada estadual pelo Agir.
Nascida em Anápolis, Graciele da Arte Trigo, de 47 anos, é uma empresária bem-sucedida — tanto que declarou ao Tribunal Superior Eleitoral bens no valor de 17,5 milhões.
Política popular, Graciele da Arte Trigo foi eleita e reeleita prefeita. Em 2020, com 68,36% dos votos válidos. Em 2024, sua votação subiu para 77,22%.

Quando a população da pequena cidade esperava que fosse dar continuidade à modernização administrativa, Graciele da Arte Trigo renunciou ao mandato de prefeita, “esquecendo” que tinha um compromisso com os eleitores. (Como se sabe, como prefeita podia fazer mais pela cidade do que como deputada.)
Picada pela mosca azul da política, a milionária Graciele da Arte Trigo desistiu de apoiar Amilton Filho — que, verdadeiro gentleman, deixou pra lá
Por que deixou a prefeitura, depois de permanecer no mandato, o segundo, por apenas um ano e três meses? De acordo com uma aliada, de Anápolis, a empresária é mais vaidosa do que Narciso — sim, o do mito grego.
Ainda assim, é um direito da milionária e socialite da província, disputar mandato na Assembleia Legislativa de Goiás.
O problema de Graciele da Arte Trigo é outro, uma palavrinha de oito letras — lealdade. Consta que quem trai tem vida curta em política. Porque perde a confiança de todos — inclusive dos aliados.

Não se está dizendo que Graciele da Arte Trigo é, como política, uma “traidora”. O que se está sugerindo é que suas lealdades são provisórias. Atendem apenas aos seus interesses circunstanciais — não aos interesses coletivos ou de grupos políticos.
A ex-prefeita havia decidido que iria apoiar a reeleição do deputado estadual Amilton Filho. Porque o parlamentar fez tudo pela cidade. Fez tanto que muitos políticos o consideravam uma espécie de subprefeito de Campo Limpo.
Entretanto, picada pela mosca azul da política, a afortunada Graciele da Arte Trigo desistiu de apoiar Amilton Filho — que, verdadeiro gentleman, deixou pra lá.
Supostamente orientada pelo senador Vanderlan Cardoso (PSD) — por sinal, com dificuldade para ser reeleito —, Graciele da Arte Trigo decidiu ser candidata a deputada estadual. Nos bastidores, começou, segundo aliados do emedebista, a atacar Amilton Filho — que, de aliado, passou a ser seu rival. O diplomata ficou quieto, mas impressionado com a ingratidão.

Em seguida, Graciele da Arte Trigo decidiu fazer parceria com o deputado Glaustin da Fokus, do Podemos. Logo depois, entabulou negociações com Célio Silveira, do MDB. Quando parecia acertado, a empresária saltou para a canoa de José Nelto, do União Brasil.
Mas a empresária dos 17 milhões de reais — declarados (pode ser muito mais) — não ficou na barcaça de José Nelto. Migrou rápido para o “iate” de Daniel Agrobom, o deputado que está torrando uma fortuna, dizem, na campanha deste ano.
Um ex-aliado pergunta: a quatro dias das eleições, dará tempo para mais uma “traição”? Não se sabe. Afinal, “trair e coçar é só começar”.
De acordo com o ex-aliado, agora, mesmo sabendo que a viúva de Amilton Filho, Carol do Hamiltinho, é candidata a deputada estadual, Graciele da Arte Trigo estaria tentando pegar carona no legado do falecido deputado.
Como afirma um veterano político de Anápolis, “é muito oportunismo para pouca arte”. (E.F.B.)


