3 motivos pelos quais o senador Jorge Kajuru trocou o PSB pelo Patriota

Caciques (três) do Partido Socialista Brasileiro teriam exigido que o senador se afastasse de Bolsonaro e parasse de criticar Gilmar Mendes

O senador Jorge Kajuru falou com exclusivamente ao Jornal Opção sobre sua saída do Partido Socialista Brasileiro na sexta-feira, 9, e a respeito de sua filiação ao Patriota. Ele frisa que três motivos foram decisivos.

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“Sou amigo e admiro os 32 deputados federais do PSB. A senadora Leila do Vôlei é minha amiga e irmã. O senador Veneziano Vital do Rêgo é meu amigo. Nós três éramos chamados de ‘a seleção brasileira do PSB no Senado’ — dada a atuação consistente e posicionada. Entretanto, três caciques pressionaram o ético e sério presidente do PSB nacional, Carlos Siqueira, exigindo que eu deixasse de ser amigo do presidente Jair Bolsonaro. Alegam que o Bolsonaro é ‘inimigo’ do PSB. Com a intermediação do deputado federal Elias Vaz, eu me expliquei e disse que não concordo com tal ‘bandeira’ e, portanto, não vou romper com o presidente da República. Veja só: Bolsonaro vai sancionar o meu projeto que propõe a construção de hospitais para diabéticos nos Estados, vai sancionar o meu projeto de permanência do Fundeb (beneficiando 65 milhões de estudantes de todo o país) e vai sancionar o meu projeto que amplia o teste do pezinho — o que pode contribuir para combater 58 doenças graves. Quer dizer, um senador terá três projetos levados à prática, beneficiando os brasileiros e, no lugar de ser enaltecido, o que se faz é a sugestão de ‘puni-lo’. Qual é a lógica? O que se deve exigir são políticos que apresentem projetos para melhorar a vida de todas as pessoas — não de grupos específicos.”

Jair Bolsonaro, presidente da República, e Jorge Kajuru: amizade foi o estopim para a saída do senador do PSB | Foto: Divulgação

“Não vou ser inimigo de um presidente que aprova meus projetos e, a rigor, projetos que também são do partido que eu representava no Senado. Quando Bolsonaro errar, apontarei as falhas, mas não vou criticá-lo unicamente por táticas e estratégia partidárias. Insisto que só três caciques lutaram para me afastar do presidente da República e dos interesses do país. Frise-se que os interesses do país deveriam estar acima dos interesses de determinados políticos.”

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“Há quem, no PSB, defenda a tese de que não devo criticar o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Ora, assim como a maioria da população, tenho críticas ao ministro e não vou deixar de expressá-las publicamente. Não posso aceitar censura, afinal, como se sabe, a ditadura civil-militar acabou em 1985.”

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“Os três caciques exigem que eu vote sempre com o PSB. Ora, nem mesmo fui eleito pelo PSB. Na verdade, como disse desde o início, ouço o meu eleitorado e a maioria da população do Brasil e de Goiás. Sou um filiado diferente, independente e crítico. Veja-se que não recebo nem fundo partidário, que considero como uma agressão aos brasileiros. Agora, o Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, quer aumentar o Fundo Partidário. Sou contra, pois estou ao lado da população, que vive momentos difíceis, dada a crise econômica nacional.”

Kajuru explica por que optou por se filiar ao Patriota: “Recebi convite de 12 partidos. O Podemos do senador Álvaro Dias foi o primeiro. MDB e PPS, além de outros partidos, insistiram pela minha filiação. Mas avalio que o Patriota, no momento, tem a mais a ver com o meu projeto a respeito do que é a verdadeira política. O secretário-geral do partido — Jorcelino Braga — é um amigo de longa data. Um amigo-irmão. Ele tem uma produtora e fez, como profissional, a campanha de Iris Rezende, em 2016, e, quando comecei a criticar a gestão do prefeito pelo MDB, não ouvi uma palavra de recriminação. Pelo contrário, ele sempre respeitou minhas posições críticas, mesmo quando contundentes. O Patriota é dirigido, nacionalmente, por Adilson Barroso e Ovasco Rezende, que também respeitam minhas posições”.

Kajuru vai assumir a liderança do Patriota no Senado. “Quero um partido que me deixe à vontade e me dê independência.”

Bolsonaro ligou

Jair Bolsonaro ligou para Kajuru para agradecê-lo pela “lealdade e amizade”. Elias Vaz, frisa Kajuru, ficou “triste” com sua saída. “Mas me entendeu. Sabe que estou preservando minha identidade pessoal e política.”

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Edilson leite

Como eleitor e cidadão não poderia de enaltecer a atitude do senador Kajuru. Parabéns pela coragem e honestidade!

Dalmy Pedro

Kajuru tem que se preocupar com os inúmeros processos…

Claudio Molinari

Parabens senador Jorge Kajuru. A grande maioria dos politicos brasileiros precisam tomar umas aulinhas de etica e honestidade com vossa excelencia.

Maria Polano

Sempre verdadeiro. Parabéns senador kajuru.