2022 pode ter Caiado com Daniel Vilela versus Vanderlan com Jânio Darrot

A possibilidade de uma aproximação entre o governador e a cúpula do MDB não é remota. O PSDB deve ficar com o PSD

A eleição para governador de Goiás será realizada daqui a dois anos, um mês e 15 dias. Está longe? Está. Mas não para os políticos, cujo jogo armado a partir da disputa eleitoral de 2020 — para prefeito e vereador — tem como objetivo a disputa de 2022. Quando o ex-governador Marconi Perillo determina — é quem verdadeiramente manda no tucanato — que o PSDB não deve coligar-se com candidatos do Democratas, a “mensagem” tende ser a vista, para quem faz uma leitura superficial da política, como um recado tão-somente para os postulantes municipais. Na verdade, o recado que vai além da superfície é outro: não se deve fortalecer a base do governador Ronaldo Caiado. Porque ele será candidato à reeleição e, com uma base reforçada, será praticamente imbatível — dado o fato de que sua imagem continua positiva e intocada.

Há quem acredite que, devido à pandemia do novo coronavírus, está tudo “parado” na política. É um engano. Não há nenhum político de proa parado. Todos estão articulando. Ronaldo Caiado saiu na frente, ao conquistar novos aliados, como o prefeito de Anápolis, Roberto Naves, do Progressistas, e o presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira, do PSB. Os dois políticos, importantes e representantes de municípios com grande eleitorado — Anápolis (terceiro maior eleitorado de Goiás) e Rio Verde (quarto maior eleitorado do Estado) —, eram aliados, em 2018, do tucanato. Não são mais. Estão amplamente envolvidos com o projeto político do governador. Alexandre Baldy, do Progressistas, apoiou Daniel Vilela para governador em 2018, agora seu partido está na base do governo.

Mas há outras operações em curso, mas, como as conversas são preliminares, não estão consolidadas, possibilitam contestações e, até, desmentidos. Por isso, neste texto, se tomará cuidado com a exposição, sugerindo que, desde já, o eleitor a perceba como especulação.

Há vários quadros prováveis para 2022. Fixemo-nos em alguns deles.

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Daniel Vilela e Ronaldo Caiado podem caminhar juntos em 2022? É cedo para dizer. Mas em política não se pode dizer que exista o impossível | Foto: Jornal Opção

Primeiro, o governador Ronaldo Caiado vai disputar a reeleição, como já disse. Desde já, conta com o apoio do DEM, do Progressistas dos deputados federais Alcides Ribeiro e Adriano do Baldy Avelar, do Podemos do deputado federal José Nelto e do prefeito de Catalão, Adib Elias, do Cidadania do vice-governador Lincoln Tejota, do PTB do ex-prefeito de Jaraguá Lineu Olímpio, do PSB do deputado estadual Lissauer Vieira e do PRTB do deputado estadual Júlio Pina. Além de outros partidos. O gestor estadual conta com um verdadeiro exército eleitoral. Sua imagem de administrador e político ético contabiliza pontos e o mantém bem avaliado nas pesquisas. No combate à pandemia do novo coronavírus mostrou sua faceta humana, ao se preocupar com as vidas de todos os goianos e agindo, de imediato, para protegê-los em todo o Estado. A estrutura de saúde montada nas regiões polos — para atender os doentes — se deve ao fato de que, na prática, se mostrou um grande operador. Ao contrário de outros políticos de centro-direita, posicionou-se, com firmeza e sem recuo, ao lado da ciência, quer dizer, da preservação de vidas.

Noutras palavras, Ronaldo Caiado em si é uma estrutura, mas está procurando reforçar ainda mais a estrutura geral para a disputa de 2022. Ele está se provando um político agregador — o que tem surpreendido até adversários históricos.

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Segundo, além de Ronaldo Caiado, quem mais se movimenta hoje para a disputa de 2022 é o senador Vanderlan Cardoso. Ele saiu do PP porque o presidente deste partido, Alexandre Baldy (leia adiante sobre o ex-ministro), migrou para a base do governador e informou aos aliados que pretendia ser candidato a senador. Quer dizer, na chapa majoritária, o espaço do Progressistas não é o de candidato de governador, e sim o de senador. O PSD, desde o dia da filiação, informou que a vaga para a disputa do governo era e é dele, Vanderlan Cardoso. Por isso, o senador está operando, em vários campos, para disputar o governo de Goiás. Embora enraizado em praticamente todo o Estado, o PSD não tem pré-candidatos competitivos nas principais cidades (Goiânia, Anápolis, Aparecida de Goiânia, Luziânia, Rio Verde e Itumbiara). Mas tem um senador e um deputado federal, Francisco Júnior, que será candidato a prefeito de Goiânia.

Vanderlan Cardoso e Jânio Darrot podem caminhar juntos em 2022| Foto: Divulgação

Vanderlan Cardoso é empresário e é político. Sabe que sua força deriva do fato de ser senador e por ter uma história positiva como administrador — foi prefeito de Senador Canedo. Porém, para governador, nunca ganhou uma eleição. Hábil e atento, sabe que, para ganhar uma eleição para governador, precisa de um grupo forte, de uma base consolidada no interior que, durante a campanha, saiba-se levantar como um exército eleitoral. Tal exército não advirá do PSD, que no máximo será capaz de fornecer alguns batalhões. Por isso, mais do que nunca, o senador vai precisar da estrutura do MDB de Daniel Vilela e de Maguito Vilela.

Se Maguito Vilela for candidato a prefeito de Goiânia, o que parece difícil — dada a possibilidade de Iris Rezende disputar a reeleição —, é provável, até muito provável, que o PSD de Vanderlan Cardoso e Vilmar Rocha, o presidente estadual, opte por uma composição, bancando, por exemplo, o seu vice. O motivo é prosaico: Vanderlan Cardoso poderia obter o apoio do MDB para disputar o governo em 2022. O presidente do MDB, Daniel Vilela, filho de Maguito Vilela, poderia compor a chapa como candidato a senador ou então optando pela vice. Trata-se de um cenário remoto? Observando de 2022, se saltarmos no tempo, talvez não. Porque, a rigor, tanto os grupos de Vilmar Rocha-Vanderlan Cardoso e de Daniel Vilela-Maguito Vilela vão precisar um do outro, possivelmente.

O eleitor certamente estará se perguntando: e o PSDB? O partido não tem um grande nome para a disputa do governo em 2022 — exceto talvez o prefeito de Trindade, Jânio Darrot. Ele é presidente do PSDB, tem estatura moral e política, mas não tem um partido sólido e com boa imagem a sustentá-lo. O gestor municipal foi colocado na cúpula para limpar a imagem do partido, mas a missão é mais para Hércules do que para um mortal comum. Hoje, a imagem de Jânio Darrot é muito melhor do que a imagem do PSDB, que é identificada com o ex-governador Marconi Perillo, que chegou a ser preso pela Polícia Federal e responde a processos judiciais.

O PSDB, afinal, tende a compor com quem? O partido, controlado por Marconi Perillo, talvez não lance candidato a governador ou lance só pro forma. A tendência é que apoie a candidatura de Vanderlan Cardoso. O sonho do ex-governador é a formatação de uma chapa com o PSD de Vanderlan Cardoso (para governador), o MDB de Daniel Vilela (para senador) e o PSDB de Jânio Darrot (na vice). Trata-se de uma composição possível? Vai depender de Ronaldo Caiado. Se estiver muito forte, com a musculatura em dia e ampliada, a tendência é que a oposição se una em torno de um candidato único. Entretanto, se o governo estiver apenas razoavelmente avaliado, a tendência é que tanto o MDB quanto o PSD e o PSDB lancem candidatos.

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Terceiro, o MDB planeja lançar a candidatura de Daniel Vilela, um jovem de menos de 40 anos. Mas ele irá mesmo sozinho, sem uma aliança substancial? Só se estiver querendo ir para o “matadouro” espontaneamente. Por ser jovem, pode disputar várias eleições. Entretanto, se perder mais uma, ficando oito anos fora da política, dificilmente terá condições de aparecer forte para a disputa de 2026, ou seja, para a terceira disputa. A imagem de “perdedor” pode se tornar sua segunda pele. Trata-se, porém, de um jovem decidido, que não costuma desistir de seus projetos. Mas na política não basta ser decidido, é preciso também ser realista e, ao mesmo tempo, pensar nos projetos dos aliados.

A política, como a vida, cobra que se observe a questão do imponderável. O ex-ministro Alexandre Baldy era dado como certo na chapa majoritária liderada pelo governador Ronaldo Caiado. Não é mais. Preso pela Operação Lava Jato, mesmo que consiga se explicar à Justiça — e levará tempo —, dificilmente terá como se explicar aos eleitores e, para uma disputa majoritária, é ainda mais complicado (para deputado federal, certamente não será), porque, sentindo-se contaminados, os demais postulantes tendem a rejeitá-lo, porque não querem se juntar a ele nas explicações. O desgaste de Baldy contaminaria a chapa — daí sua provável exclusão. O Progressistas não tem outro político com sua envergadura para indicar para vice — exceto, quem sabe, o prefeito Roberto Naves, se for reeleito.

O fato é que, na chapa de Ronaldo Caiado, está, por assim dizer, sobrando uma vaga — a de candidato a senador, que pode ser ocupada por Luiz Carlos do Carmo… ou, sim, por Daniel Vilela. Há um esforço para aproximar o MDB, sua cúpula estadual, do governador Ronaldo Caiado. Há conversas preliminares. O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, é um dos favoráveis à aproximação. Outro emedebista, que prefere não se identificar, apresentou a seguinte análise ao Jornal Opção: “O grupo de Marconi Perillo passou 20 anos no poder. Se voltar ao poder, direta ou indiretamente, a tendência é que fique mais tempo. Já o governador Ronaldo Caiado vai ficar no máximo oito anos, abrindo espaço para seus aliados, a partir de 2026. Quem ficar ao seu lado, se posicionando bem, tendo mandato para se fortalecer no relacionamento com os municípios, pode ser candidato a governador depois dos oito anos do governador. Daniel Vilela, que é um excelente político, se for menos impulsivo, acabará compondo com Ronaldo Caiado. Por que o emedebismo tem de fortalecer Vanderlan Cardoso, que, se for eleito em 2022, será candidato outra vez, em 2026, ficando no poder, se realmente for eleito e reeleito, até 2030? Numa aliança com Caiado, a tendência é que o MDB chegue diretamente ao poder em 2026”.

Maguito Vilela e Gustavo Mendanha — assim como seu pai, Léo Mendanha — não são refratários a uma abertura para conversas mais amplas com Ronaldo Caiado. Pelo contrário, avaliam que é um dos caminhos possíveis. O mais resistente seria Daniel Vilela. Mas há quem diga, entre pessoas bem próximas a ele, que o presidente do MDB está mais moderado e aos poucos pode se reaproximar de Ronaldo Caiado. Sabe-se que já admite conversas, por exemplo. É um passo.

Portanto, em 2022, ninguém deve se surpreender se o grande páreo for disputado entre Ronaldo Caiado, com o apoio do MDB, agora oficial e não mais de uma facção, e Vanderlan Cardoso, este provavelmente com o apoio do PSDB de Marconi Perillo e Jânio Darrot.

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Kátia Maria e Rubens Otoni: um deles deve ser candidato a governador | Foto: Reprodução

Quarto, o PT não tem tradição, no sentido de ser competitivo, em disputas para o governo. Mas deve ter candidato. Há quem aposte que será Kátia Maria, uma professora articulada e que tem discurso afiado. Mas há também quem aposte que o candidato deve ser Rubens Otoni, que, assim, abriria espaço para Kátia Maria disputar mandato de deputada federal. Há quem avalie também que, mesmo se perder em Goiânia, chegou a hora de testar Adriana Accorsi para o governo.

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