Por Redação
Os favoritos hoje são o ex-senador e o presidente licenciado da Faeg. Mas persistem no jogo Adriano da Rocha Lima, Bruno Peixoto e Gustavo Mendanha
O deputado estadual também deve apoiar Ronaldo Caiado para presidente da República. Os dois mantêm uma ligação política de muitos anos
As duas vão disputar os votos dos quase 100 mil eleitores de Valparaíso e, claro, de outros municípios do Entorno de Brasília
No entanto, também circula a informação de que Carla pode ser suplente de Gustavo Gayer na chapa ao Senado Federal
A única deputada que será candidata pelo Agir é Rosângela Rezende, representante da cidade de Mineiros
Parlamentar já havia fechado com a sigla pessedista, mas recuou
Pré-candidatos deixam o partido e confirmam ida ao Mobiliza; movimento evidencia desgaste na formação da nominata
Direção estadual nega rumores e classifica cenário como “fake news”
Governo Daniel Vilela negocia comando da Goiás Turismo com o Novo para ampliar base e dificultar articulação de Wilder Morais
Anúncio da filiação deve ser feito após o fim da janela partidária
Boquete é uma mistura de calma, beleza e aventura ao mesmo tempo, tudo na medida certa. Portanto, Boquete espera por você. Mas não seja malicioso, caro leitor
Mais de 41 mil pessoas devem passar pelo terminal entre os dias 2 e 6 de abril, impulsionando o movimento no feriado
Objetivo da Federação é eleger de um a dois deputados federais; nome de Calil é tido como puxador de votos
1Crônicas é visto como uma obra que enfatiza a continuidade da história de Israel e a importância de sua linhagem e tradições religiosas
Gaudêncio Torquato
O Brasil inicia 2026 como se estivesse diante de uma cartela de bingo cívico. A cada semana, uma nova bola é sorteada — e, não raro, repete-se o número que já conhecemos: crise, tensão, incerteza. O cidadão acompanha o sorteio com uma mistura de cansaço e resignação. Não se trata mais de surpresa, mas de rotina.
A polarização continua sendo o eixo estruturante da vida política. Não há debate, há trincheiras. De um lado e de outro, narrativas fechadas, impermeáveis ao diálogo. O adversário deixou de ser apenas opositor; transformou-se em inimigo moral. Nesse ambiente, a política perde densidade programática e ganha contornos de guerra simbólica. O país não discute soluções — disputa versões.
Como se não bastasse, escândalos insistem em frequentar o noticiário. O chamado "Caso Master" soma-se a uma sequência de episódios que envolvem agentes públicos, partidos e instituições. A corrupção, que deveria ser exceção, parece estrutural. Espraia-se como mancha de óleo, atingindo Executivo, Legislativo e até setores do Judiciário. A percepção social é devastadora: para muitos brasileiros, o sistema não falha — ele funciona assim.
No plano econômico, o cotidiano pesa. A gasolina orbitando a casa dos oito reais não é apenas um número; é símbolo de um custo de vida que comprime a renda e amplia o desalento. A inflação, ainda que tecnicamente sob controle em alguns indicadores, corrói silenciosamente o poder de compra. O carrinho de supermercado encolhe, o orçamento doméstico estica até o limite. E os impostos, elevados e complexos, reforçam a sensação de que o Estado cobra muito e entrega pouco.
O cenário internacional adiciona mais incerteza ao quadro. Guerras e tensões geopolíticas reconfiguram cadeias produtivas, pressionam preços e afetam mercados. O Brasil, inserido nesse tabuleiro, sente os efeitos indiretos: volatilidade cambial, instabilidade nos custos de energia, insegurança para investimentos. Em um mundo em ebulição, a margem de erro das políticas internas diminui.
Diante desse mosaico, o eleitor brasileiro entra em um novo ciclo eleitoral mais desconfiado e, ao mesmo tempo, mais exigente. A velha lógica do voto emocional começa a ceder espaço a um comportamento mais pragmático. Saúde, segurança e economia voltam ao centro da decisão. O cidadão quer respostas concretas, não apenas discursos inflamados. Quer previsibilidade, não espetáculo.
Mas há um paradoxo. Embora mais crítico, o eleitor ainda está imerso em um ambiente informacional contaminado por desinformação, algoritmos e bolhas digitais. A chamada "telecracia" — o poder das telas e das narrativas instantâneas — molda percepções e amplifica ruídos. A verdade disputa espaço com versões, e o julgamento público torna-se cada vez mais apressado.
O Brasil de 2026 é, portanto, um país tensionado entre a descrença e a esperança. Descrença nas instituições, nos líderes, nas promessas reiteradamente descumpridas. Esperança difusa de que algo, em algum momento, rompa o ciclo. A sociedade parece dizer: "já vimos esse filme", mas continua assistindo, na expectativa de um final diferente.
O desafio maior não é apenas econômico ou político; é civilizatório. Trata-se de reconstruir confiança — ativo invisível, porém essencial. Sem ela, reformas não prosperam, pactos não se sustentam, e a democracia se fragiliza. Com ela, mesmo cenários adversos podem ser enfrentados com coesão.
Enquanto isso, o bingo segue. As bolas continuam a girar no globo transparente da vida nacional. Resta saber se, desta vez, o país terá a lucidez de não apenas marcar números, mas de mudar as regras do jogo.
Gaudêncio Torquato é escritor, jornalista, professor titular da USP e consultor político


