Por Carlos César Higa
Desde pequeno eu sempre acordei cedo. Levantava da cama, tomava café e ia para a sala assistir televisão. Para se ter uma noção do quão cedo eu acordava, as emissoras não tinham começado a programação do dia quando eu ligava a TV. Tenho comigo a teoria que eu ligava a televisão logo cedo para não perder a hora do Xou da Xuxa. Eu assistia o Bom Dia Brasil e uma figura me chamava a atenção. Um cara, de cabelo meio grisalho, com os óculos grossos, falava de um jeito engraçado. Eu não entendia nada do que esse cara falava, mas eu achava engraçado.
O nome desse cara era Paulo Francis. Com o passar do tempo, eu fui crescendo e conhecendo mais sobre aquele cara que me chamava a atenção quando eu assistia o Bom Dia Brasil. Francis era jornalista, foi um dos fundadores do Pasquim, jornal que debochava da ditadura, e crítico de teatro. Aliás, o seu papel de crítico lhe rendeu alguns dessabores como no dia que Paulo Autran deu uma cusparada em seu rosto após uma crítica à atuação de Tônia Carreiro.
Francis viveu os tempos áureos do Rio de Janeiro ainda capital do Brasil. Na época do golpe de 1964, ele trabalhava no Última Hora e, em sua coluna, descia a ripa nos opositores de João Goulart, em especial, no Carlos Lacerda. Atire a primeira pedra quem nunca trabalhou no Última Hora e não falou mal do ex-governadores da Guanabara. Em 1969, lá estava Paulo Francis se juntando a Millor Fernandes, Jaguar, Tarso de Castro e outros bambambans do jornalismo para criar o Pasquim.
Nos anos 1980 e 1990, Francis se mudou para os Estados Unidos onde abandonou as ideias de esquerda e abraçou o liberalismo. Contratado pela Globo para fazer comentários culturais, Francis caiu no gosto do público. Sua inteligência misturada à voz tão característica o fez ganhar muitos admiradores e detratores também. Em 1996, quando era a estrela do Manhattan Connection, na GNT, Francis fez severas críticas aos diretores da Petrobras. Isso lhe rendeu um processo que amargou os últimos meses de sua vida. Mas, a Operação Lava Jato mostrou que Francis tinha razão.
O coração de Paulo Francis parou de bater no dia 4 de fevereiro de 1997. O Jornal Nacional prestou uma bonita homenagem colocando frases de Francis a cada intervalo. Ali eu vi que a figura da voz esquisita que me chamava a atenção quando eu era pequeno faria uma falta danada.
Último ao vivo foi improvisado, no terraço de um prédio, tocando para todo mundo ouvir
Ela viveu tão pouco, mas o suficiente para marcar seu nome na história da nossa música
Tenho certeza que a semente da Beatlemania foi plantada no meu coração naquela sexta à noite em 1988
Militares ficaram 21 anos no governo e marginalizaram as lideranças civis, inclusive Lacerda
Quando eu estava pesquisando o acervo da Folha de Goiaz, de vez em quando meu pai via minhas pesquisas. "Pai, eu ainda vou achar alguma coisa sobre o Lacerda aqui em Goiânia". Ele achava o máximo esse meu interesse pela História. Mostrei as vezes que as damas do rádio aqui estiveram e ele ficava feliz. No começo do ano passado, finalmente encontrei a notícia de que Carlos Lacerda esteve sim em Goiânia, em dezembro de 1963. "Achei, pai! Olha o Lacerda aqui!" E meu pai dava aquele sorriso lindo.
Carlos Lacerda era governador da Guanabara na época da sua visita à Goiânia. No final de 1963, o Brasil vivia a crise político-militar do governo João Goulart. Lacerda era opositor de Jango e queria a sua renúncia. Muitos jovens admiravam o governador guanabarino e o convidavam para palestras e discussões sobre a política nacional. Pois foram jovens goianos que convidaram Lacerda a vir aqui naquele final de 1963 para ser paraninfo da turma de Direito da Universidade Federal de Goiás. Ele veio e desde o seu desembarque no Aeroporto Santa Genoveva, uma multidão o acompanhava e prestava seu apoio para a sua candidatura presidencial em 1965. Lacerda esteve na Assembleia Legislativa para um encontro com os udenistas de Goiás e, antes de voltar para o Rio de Janeiro, passou na TV Goiânia, que ficava na Avenida Goiás, para uma entrevista.
Essa foto é do encontro no Legislstivo goiano. Eu a encontrei no site do Arquivo Nacional que digitalizou boa parte dos acervos do Serviço Nacional de Informações. Por isso, a foto aparece com uma seta e o escrito acima. Os agentes do SNI não tinham dó e marcavam tudo o que queriam mostrar para os seus superiores. Esse registro eu achei na pasta do Olinto Meireles, um político goiano. Quem estava discursando era o ex-prefeito Hélio de Brito, um dos fundadores da UDN em Goiás. Meu sogro, Ronaldo de Brito , filho do Dr. Hélio, o identificou assim que mandei a foto para ele. Eu ainda espero encontrar uma foto do Dr. Hélio junto com o Lacerda.
Ah, com certeza meu pai ficaria feliz de ver a minha empolgação com essa foto do Dr. Hélio discursando em um evento com o Lacerda.
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