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Revista científica anuncia segundo caso de pessoa portadora do vírus HIV no mundo a se curar

Assim como o primeiro, “paciente de Londres”, como é chamado, recebeu transplante de medula óssea para tratar câncer no sangue

Francisco Costa

O site RFI – As Vozes do Mundo, com informações da Agência France Press (AFP), divulgou que um paciente portador do vírus HIV se curou da doença. O anúncio oficial foi publicado na revista científica Nature, nesta terça-feira, 5.

Ressalta-se que ele foi o segundo no mundo a se curar – o primeiro caso ocorreu há dez anos. Identificado como “paciente de Londres” e há 19 meses após o fim do tratamento, esta pessoa, assim como a primeira, recebeu transplantes de medula para tratar um câncer no sangue. Elas receberam células de doadores que apresentam uma mutação genética rara que impede o HIV de se instalar no organismo.

Ou seja, o transplante alterou o sistema imunológico, o que gerou características de resistência semelhantes a do doador. Aproximadamente 37 milhões de pessoas são portadoras do vírus no mundo. É preciso dizer, ainda, que existem tratamentos antirretrovirais que prolongam a vida dos infectados, porém, estes não eliminam o vírus.

Futuro

Atualmente, cerca de 1 milhão de pacientes morrem da doença por ano. Entre os portadores do vírus, apenas 59% conseguem os medicamentos. Além disso, uma nova forma de HIV, mais resistente a este tipo de tratamento, tem preocupado especialistas.

Para o pesquisador Ravindra Gupta, professor de Cambridge, no Reino Unido, e principal autor da pesquisa, este estudo representa a esperança. “Ao conseguirmos uma remissão de um segundo paciente utilizando técnicas similares, nós mostramos que o ‘paciente de Berlim’ não foi uma anomalia”, referenciou o primeiro caso.

Porém, Gupta deixou claro que o transplante de medula, além de perigoso e doloroso, não é viável para todos. Apesar disso, ele declarou que o progresso da pesquisa permitirá focalizar as estratégias de tratamento.

Paciente de Londres

O segundo paciente a ser curado da doença foi infectado pelo vírus em 2003, no Reino Unido, e tratado com antirretroviral, a partir de 2012, ano em que também foi diagnosticado com um tipo avançado da doença de Hodgkin, um câncer no sistema linfático. Ele recebeu o transplante de células-tronco em 2016. O doador é portador de uma mutação genética presente em 1% da população.