Não sou candidato, continuo cidadão
01 outubro 2026 às 11h57

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Vilmar Rocha
Durante muitos anos, participei da política. Conheci as dificuldades das campanhas, as expectativas da população, os desafios do exercício do mandato e as contradições que fazem parte da vida política brasileira.
Em 2026, decidi não disputar a eleição.
É uma decisão pessoal, tomada depois de uma longa trajetória de participação nas urnas e na vida pública. Mas não disputar um mandato não significa abandonar a política, nem renunciar ao direito e ao dever de participar como cidadão, que significa aquele que participa da vida da cidade.
Continuarei acompanhando os acontecimentos, debatendo os problemas do país e de Goiás, defendendo minhas convicções e contribuindo, dentro das minhas possibilidades, para o fortalecimento da democracia.
Diante do cenário que o Brasil atravessa, considero que a participação consciente dos cidadãos é mais necessária do que nunca. Vivemos um momento de desgaste na relação entre a sociedade e as instituições. A confiança na política foi atingida por sucessivos episódios de corrupção, disputas de poder, decisões controversas e pela percepção de que, muitas vezes, os interesses particulares se sobrepõem ao interesse público.
A democracia não se fortalece quando a sociedade desiste dela. Fortalece-se quando as pessoas compreendem que o futuro coletivo também depende de sua participação. Enquanto houver problemas a enfrentar, ideias a defender e um futuro a construir, haverá razões para participar
É preocupante o aumento das taxas de abstenção desde a década de 1990, demonstrando o desinteresse do eleitor. O voto em branco é uma manifestação; não comparecer é desistir de participar do futuro do país.
Quando a população deixa de acreditar na política, quando o eleitor entende que sua participação não faz diferença e quando o debate público é substituído pela desinformação, pelo radicalismo e pela busca de vantagens imediatas, toda a sociedade perde.
Quando pessoas qualificadas, comprometidas com o interesse coletivo e dispostas a contribuir para a sociedade se afastam da política por descrença ou desânimo, é preciso fazer uma pergunta: quem ocupará esse espaço?
A política não é um território que pode ser deixado vazio. Quando cidadãos comprometidos deixam de participar, outras forças e interesses continuam atuando, tomando decisões e influenciando os rumos do país.
A cidadania não pode ser reduzida à condição de espectador, e quem deseja uma política diferente precisa compreender que a transformação depende de participação. Não acredito que a descrença, a omissão ou o afastamento da vida pública sejam caminhos capazes de melhorar o país.
É preciso recuperar a confiança na política, mas essa confiança não será reconstruída apenas por aqueles que ocupam cargos públicos. Ela também depende da participação da sociedade, da cobrança por transparência e da disposição de cada cidadão para acompanhar e influenciar os rumos do país.
A pergunta que devemos fazer não é apenas quem disputará a próxima eleição.
É também: Que tipo de política queremos construir? Que valores devem orientar a vida pública? Que responsabilidade estamos dispostos a assumir como cidadãos?
A democracia não se fortalece quando a sociedade desiste dela. Fortalece-se quando as pessoas compreendem que o futuro coletivo também depende de sua participação. Enquanto houver problemas a enfrentar, ideias a defender e um futuro a construir, haverá razões para participar.
A política precisa de cidadãos. E a democracia precisa que eles não se afastem.
Vilmar Rocha, ex-deputado federal e ex-presidente do PSD, é colaborador do Jornal Opção.


