A candidata que propõe o salário-mínimo regional
22 agosto 2026 às 23h45

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Nielton Santos
Especial para o Jornal Opção
Valéria Anastácio, 38 anos, é de Niquelândia, no Norte de Goiás. Como não havia maternidade na época do seu nascimento, sua mãe, a dona de casa Maria Helena da Silva, e seu pai, o marceneiro Dacir Gonçalves da Silva, tiveram que percorrer quase 90 km até a cidade de Uruaçu para que ela, Maria Helena, desse à luz em um hospital. Essa dependência por saúde básica de Niquelândia perdurou por muitas décadas, em que niquelandenses nascessem em outros municípios e assim também fossem registrados.
Depois do nascimento, embora morando na cidade, a família da candidata recebeu do falecido avô paterno de Valéria um pequeno pedaço de terra para que pudessem plantar e criar alguns animais para complementar a renda familiar. Além de Valéria, o casal tinha outro filho, Wagner, que hoje é mecânico.
Valéria começou cedo a perceber que a educação faria diferença na sua vida. O pai e a mãe conseguiram frequentar apenas alguns meses de escola, o suficiente apenas para assinar os nomes.
Ela foi para a escola, teve professores que marcaram a sua trajetória, como a conhecida tia Abadia.
O pai de Valéria, Dacir Gonçalves, mesmo com pouca instrução, trabalhou para a mineradora Votorantim. Por lá ficou por décadas e era referência de honestidade, dedicação e responsabilidade.
Foi no exemplo do pai e no da mãe que Valéria se sustentava para buscar novos voos. Foi trabalhar em caixa de supermercado. Formou-se em Técnica em Radiologia. Depois mudou-se para Goiânia, onde começou a cursar Direito, se casou e, acompanhando o então marido, foi para Mato Grosso. Trancou a faculdade. Já com um bebê e o relacionamento conturbado, Valéria decidiu divorciar e retornar para Goiânia.
E, com o filho no colo, foi atrás de emprego, conseguiu uma vaga de atendimento, mesmo com curso técnico em Radiologia. Porém, outro desafio era conseguir vagas em creches públicas: mesmo enfrentando filas às 5h da manhã, não teve sucesso, e precisou fazer malabarismo com o salário-mínimo para pagar aluguel, supermercado, escola para o filho e demais despesas. O sonho de concluir a graduação precisou ser adiado por quase uma década.
Esse sonho de concluir a faculdade retornou quando conheceu o atual esposo, o advogado trabalhista Gilvan Anastácio. Com atuação no direito trabalhista, naturalmente, começaram a realizar encontros jurídicos para trocas de experiências, após isso decidiram criar o Instituto Ágora — entidade de capacitação de outros advogados.
Valéria é a menina que saiu do interior, mesmo com o coração apertado em deixar os pais, precisou ir para a capital do seu estado para realizar o sonho profissional.
Agora, após muitas conquistas, ela se colocou para representar a população na Assembleia Legislativa, pelo partido Rede Sustentabilidade.
Síntese profissional e atuação
Advogada trabalhista, presidente do Instituto Ágora de Goiás, secretária-geral da Comissão de Direito Sindical da OAB/GO, diretora jurídica da Agatra, diretora jurídica da Aceg (Associação Comercial e Empresarial de Goiás), ex-eiretora geral da Escola Superior de Advocacia Trabalhista de Goiás (ESAT/GO). Ocupou os cargos de tesoureira e diretora jurídica da Associação Goiana da Advocacia Trabalhista, secretária-geral da Escola Superior de Advocacia Trabalhista em Goiás (ESAT/GO), conselheira do Conselho de Direitos Humanos e Cultura da Paz da Prefeitura de Goiânia, membra do Instituto Goiano de Direito do Trabalho (IGT), pós-graduada em Direito Público e Direito Constitucional.
Com propostas que possam realmente mudar as vidas das pessoas. Principais propostas:
Salário-Mínimo Regional de Goiás — piso salarial estadual acima do nacional para categorias sem piso definido em lei federal, como empregadas domésticas e cuidadores, seguindo o modelo de Paraná e Santa Catarina.
“Escritura na Mão” — regularização fundiária para famílias que compraram lotes em loteamentos irregulares e o impedimento de novos loteamentos sem a documentação básica.
3. “Mulheres no Comando” — critérios de mérito e antiguidade para promoção de mulheres a cargos de chefia nos três poderes do estado, com a criação de um Banco de Talentos Feminino.
4. Ampliação do acesso a creches, por meio de emendas do orçamento estadual às prefeituras.
5. Banheiro família em espaços públicos sob administração do Estado, como rodoviárias.
6. Apoio ao fim da escala 6×1 e defesa de um Fundo de Amparo aos Trabalhadores por aplicativo.


