O Brasil não atingirá uma safra recorde de trigo no período 2023/24 devido a condições climáticas desfavoráveis, como as chuvas na região Sul e a propagação de doenças. A produção não deve alcançar as 10,6 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior. No entanto, a situação não será tão desfavorável graças à expansão do cultivo de trigo no Cerrado.

Na década de 1980, o cultivo de trigo foi negligenciado, mas agora, em sete Estados do Brasil central, a produção do cereal pode superar 1,5 milhão de toneladas, representando um crescimento de 55% em comparação com 2022/23.

Esse cenário é resultado de um projeto de expansão iniciado há alguns anos, impulsionado pelo incentivo da Embrapa Trigo, sediada no Rio Grande do Sul. O projeto envolveu a apresentação de variedades de trigo tolerantes à seca e às doenças regionais, além do estímulo para que indústrias se instalassem na região.

No Cerrado, o trigo é semeado por volta de maio e colhido em setembro, exigindo apenas cerca de dez dias de chuvas contínuas durante o período de floração. Cerca de 70% da produção é cultivada em sequeiro, mas há expectativas de crescimento na produção irrigada.

No ciclo anterior, a média de produtividade no Cerrado foi de 35 sacas por hectare, com alguns produtores alcançando 50 sacas por hectare. Em sistemas de irrigação, a produtividade pode chegar a 100 sacas por hectare, porém os custos de produção são mais elevados e a viabilidade da cultura varia anualmente devido ao baixo volume de chuvas.

Além das indústrias moageiras já estabelecidas ou com planos de instalação no Brasil Central, a empresa argentina GDM adquiriu recentemente a brasileira Biotrigo, visando expandir sua presença no mercado de trigo.

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