Edson Júnior Leite

O Palácio do Planalto divulgou uma lista prévia das obras de arte e objetos de valor que foram danificados durante a invasão de terroristas à sede do Poder Executivo no último domingo, 8. O valor do prejuízo total ainda não foi calculado, mas, para se ter uma ideia do tamanho do estrago, apenas uma das obras é estimada em R$ 8 milhões. Trata-se do quadro As Mulatas, de Di Cavalcanti, que foi rasgado em pelo menos cinco lugares.

A obra de Di Cavalcanti ficava exposta no Salão Nobre do Palácio do Planalto e especialistas estimam que essa seria a obra mais valiosa desse artista. Se fosse a leilão, poderia ser vendida por até cinco vezes esse valor: R$ 40 milhões. Outra obra valiosa que foi completamente destruída é a escultura em bronze O Flautista, de Bruno Giorgi, avaliada em R$ 250 mil. A escultura de parede em madeira, de Frans Krajcberg , estimada em R$ 300 mil, foi quebrada em diversos pontos e espalhada pelo terceiro andar do prédio.

Para o marchand Marcos Caiado, as obras destruídas têm um valor histórico porque ajudam a contar a história de um período marcante da história do Brasil. “Tudo o que se perdeu ali não são coisas isoladas, faz parte de um conjunto. É como se tivessem amputado parte de um acervo muito importante”, explicou. E o marchand é taxativo ao dizer que “as pessoas que mostraram invadiram o Palácio e vandalizaram as peças mostraram total desconhecimento cultural, histórico e artístico do real valor de tudo o que foi danificado”.

Relíquia: relógio de Balthazar Martinot, um item do século XVII

Marcos lembra ainda que até o mobiliário do Palácio do Planalto tem grande valor. “Tudo o que temos ali tem uma linguagem própria, todas as peças se comunicam. Não são apenas tapetes e cadeiras, são obras assinadas, preciosidades históricas”, afirmou. Esse é o caso da mesa de trabalho de Juscelino Kubitscheck e a mesa-vitrine de Sérgio Rodrigues, onde ficavam informações sobre o presidente em exercício, também vandalizadas.

Mas o especialista acredita que muito do que foi destruído pode ser restaurado. “Precisa de um restaurador especialista e isso custa muito caro”, estimou. Mas algumas peças específicas podem ter sido destruídas para sempre, como é o caso do relógio de Balthazar Martinot, um item do século XVII que era uma das três únicas criações do artista que ainda existiam inteiras no mundo.