A revista Rolling Stone divulgou uma lista com os 100 melhores guitarristas e violonistas de todos os tempos e, posteriomente, aumentou os nomes para 250. O ranking conta com diversas lendas da música mundial, como os brasileiros João Gilberto (142º lugar) e Rosinha de Valença (162º).

Valença, município do sul do Rio de Janeiro, é o local onde nasceu Maria Rosa Canellas, em 1941. Compositora, cantora e violista, ajudou a pavimentar o chão onde outros construíram a bossa-nova.

Autodidata, aos 12 anos de idade já esmerilhava no violão. Foi apresentada a Baden Powell e Aloysio de Oliveira. A partir daí, a carreira seguiu vibrante como as cordas de sua viola. Gravou com Sergio Mendes e Martinho da Villa, e teve como último lançamento oficial, no ano de sua morte (2004), o disco Namorando a Rosa, pela gravadora Biscoito Fino.

Rosinha estava há 12 anos em coma, devido a uma lesão cerebral causada por um infarto. Ao todo, foram 14 álbuns na carreira desde seu debut, Apresentando Rosinha Valença, em 1963.

A matéria ainda cita nomes importantes da música brasileira, como Sergio Mendes, Martinho da Vila, Maria Bethânia, Chico Buarque e Caetano Veloso quando fala sobre Gilberto e Rosinha. A lista deixou de fora os notáveis do universo da música clássica, como Andre Segovia, John Williams e Julian Bream. Confira a lista completa aqui.

Rosinha de Valença. | PETER BISCHOFF/GETTY IMAGES

João Gilberto (142º lugar)

“Tem que ser muito silencioso para eu produzir os sons que estou pensando”, disse João Gilberto. Mas o som tranquilo do cantor e guitarrista brasileiro ecoou por toda parte, especialmente quando o álbum Getz/Gilberto, de 1964 , transformou a bossa nova em um sucesso global.

O estilo acústico de Gilberto mesclava ritmos de samba e acordes de jazz, transformando imediatamente a música do país dele e influenciando também gerações do pop e do rock. O canto frio e íntimo fazia com que a execução elegante parecesse enganosamente alegre, mas na raiz da música dele estava um forte senso de timing e uma habilidade em trabalhar com fluidez padrões melódicos intrincados.

Jimi Hendrix (1° lugar)

Jimi Hendrix acendendo sua Fender Stratocaster no Monterey Pop é uma das imagens mais icônicas da história do rock. Ele era um showman que brincava com os dentes ou pelas costas. Mas por baixo de toda a teatralidade está o verdadeiro mestre do instrumento. Sua carreira pode ter durado oito anos, mas os músicos passam a vida inteira estudando sua técnica deslumbrante e seu gênio improvisador.

Hendrix cantou, mas optou por fazer de seu violão a voz principal. Ele popularizou o uso do feedback, inventou sua própria fusão de blues e psicodelia e influenciou o desenvolvimento do rock, metal, funk e muito mais. Hendrix foi eloqüente não apenas em sua forma de tocar, mas também na maneira como falava sobre tocar. “O pedal wah-wah é ótimo porque não tem notas”, disse ele à Rolling Stone em 1968.

“Nada além de bater direto usando o vibrato e então a bateria toca e parece… não depressão, mas aquela solidão e aquela frustração e o desejo por algo. Como se algo estivesse chegando.”Numa época em que a música ainda era em grande parte segregada racialmente, o surgimento de Hendrix – um artista negro que deixou multidões brancas boquiabertas de espanto – foi um evento sísmico que destruiu barreiras culturais. E décadas após sua morte, seu público continua aumentando. “Jimi Hendrix explodiu nossa ideia do que o rock poderia ser”, disse Tom Morello.