Wilder pede CPI do Master e culpa PT por “injustiça”, mas caso atinge Flávio Bolsonaro
17 maio 2026 às 13h15

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O discurso de Wilder Morais por uma CPI do Banco Master tem mais aparência de cálculo eleitoral do que de indignação republicana. Em uma pré-campanha sem tração para o Palácio das Esmeraldas, o senador tenta transformar o escândalo em instrumento de oposição, mas esbarra em uma contradição central: a investigação que ele agora defende pode atingir Flávio Bolsonaro, principal cabo eleitoral de seu projeto em Goiás.
O caso revelado a partir de mensagens, documentos e áudios atribuídos ao telefone de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, levará constrangimento do bolsonarismo junto aos eleitores, especialmente os de centro. As tratativas envolvendo Flávio Bolsonaro e o financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro mais caro que superproduções hollywoodianas, atingiram em cheio o coração do pleito de Flávio. Os reflexos serão medidos a partir das próximas pesquisas eleitorais, com possibilidade de esvaziamento e tendência de crescimento de outras candidaturas do campo da direita.
É o inverno bolsonarista. Ou o inferno. Wilder viu o lançamento de sua pré-candidatura ser adiado para garantir a presença de Flávio em Goiânia. Agora, além da agenda, precisa esperar a redução da temperatura política de uma crise que envolve justamente o nome escolhido para dar musculatura nacional ao palanque goiano.
CPI é bagunça, e o PL quer desordem
Há um cálculo na defesa bolsonarista da CPI. A investigação política tem cabeça, mas nem sempre tem rabo. Começa com um objeto definido, mas, no meio do caminho, pode virar palanque, ringue, cortina de fumaça ou máquina de constrangimento público. É isso que parte da direita parece buscar no caso Master: menos uma apuração com começo, meio e fim, mais uma arena para embaralhar responsabilidades, ampliar suspeitas e deslocar o foco para o Supremo Tribunal Federal, especialmente para Alexandre de Moraes.
Moraes também deve explicações sobre os pontos de contato de seu entorno com o Banco Master. Mas a disposição investigativa da direita diminui quando a trilha se aproxima de Ciro Nogueira, de dirigentes do Centrão e do próprio Flávio Bolsonaro. Aí a CPI deixa de ser transparência e vira disputa de enquadramento.
Outro ponto enfraquece o teatro da CPI: o caso Master já está sob investigação de instituições com competência técnica e jurídica para seguir o dinheiro, quebrar sigilos, analisar celulares, rastrear relações políticas e produzir prova. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República estão no centro da apuração. O próprio ministro André Mendonça, relator do caso no STF, afirmou que uma colaboração premiada precisa ser “séria e efetiva” e que as investigações seguiriam normalmente, independentemente de delações.
Enquanto Wilder atola
Enquanto isso, Daniel Vilela, pelo MDB, e Marconi Perillo, pelo PSDB, seguem com presença, articulação e ocupação de espaço na pré-campanha.
O jogar parado de Wilder é sem graça. Pior: começa a parecer menos competitivo até do que a movimentação dlo PTque sequer definiu candidatura própria ao governo. Entre adversários, a avaliação é que carregar o número da legenda bolsonarista não basta, embora essa leitura não seja unânime. O PL tem base fiel, mas Wilder ainda não demonstrou capacidade de transformar esse patrimônio em movimento político real no Estado.
Fora os apoios formais de aliados com voto, muitos deles discretos, Wilder ainda precisa demonstrar capacidade de transformar palanque nacional em estrutura estadual. Até aqui, a movimentação do senador tem aparência de espera: espera por Flávio, espera por Bolsonaro, espera pela reorganização da direita, espera pelo desgaste dos adversários e espera por uma onda que ainda não se formou.
Enquanto isso, na disputa pelo Senado, Vanderlan Cardoso, pelo PSD, mostra força entre prefeitos, bases municipais e lideranças do interior. Esse cenário aumenta a pressão sobre Wilder, que precisa disputar espaço no campo conservador, sustentar a candidatura ao governo e ainda administrar a dependência em relação a Gustavo Gayer e ao núcleo bolsonarista.
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