O apresentador do debate (domingo, 30) entre os candidatos a governador de Goiás, o excelente jornalista Jordevá Rosa, mostrou-se ligeiramente confuso. Mas a iniciativa da PUCTV foi excelente e o debate fluiu relativamente bem. Debates são assim mesmo: propositivos, às vezes, e repleto de ataques, por vezes.

A oposição montou uma escala 3X1 para atacar o governador Daniel Vilela, candidato à reeleição pelo MDB. Mas não deu resultado. Fracassou. Porque o candidato emedebista se mostrou tranquilo, expôs seus propósitos, se defendeu bem e, quando avaliou que era necessário, atacou duramente. Mas sem se perturbar, sem se tornar agressivo.

Para tentar se aproximar de Daniel Vilela, Wilder Morais precisa retirar Marconi Perillo do segundo lugar. Marcelo Vitorino talvez não tenha convencido o postulante do PL de que, no momento, seu “principal” adversário é o tucano

Marconi Perillo, o candidato do PSDB, começou relativamente bem. Mas, ante as primeiras críticas, ficou nervoso, até destemperou-se. Apesar de instado a falar, não deu nenhuma explicação a respeito de ter recebido 14,5 milhões de reais do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Fugir de temas espinhosos é péssimo para candidatos a governador. Deixa a impressão de que está escondendo alguma coisa.

Candidato do PL, Wilder Morais (Quaest: 12%) parece que, até agora, não percebeu que está atrás não apenas de Daniel Vilela (Quaest: 37%), mas também de Marconi Perillo (20%).

Daniel Vilela, governador, debateu com firmeza e tranquilidade | Foto: Divulgação

Para tentar se aproximar de Daniel Vilela, antes Wilder Morais precisa “retirar” Marconi Perillo do segundo lugar. Marcelo Vitorino, um marqueteiro preparado, talvez não tenha convencido o postulante do PL de que, no momento, seu “principal” adversário é o líder do PSDB.

Wilder Morais, se não “tomar” o lugar de Marconi Perillo, não irá para o almejado segundo turno. É o óbvio.

Entretanto, o que se viu, durante todo o debate, foi Wilder Morais — com sua fala de robô do século 20 — atuando como peça auxiliar de Marconi Perillo. O objetivo, claro, é tentar levar a disputa eleitoral para o segundo turno.

Só que, insistindo,  postulante do PL precisa entender que seu adversário imediato é Marconi Perillo. Ao menos no debate, Wilder Morais se comportou como sargento eleitoral do chefão do PSDB. Não fez ao menos uma crítica a Marconi Perillo. Porque os dois têm um “acordo”, como admitiu o tucano, para o segundo turno.

Foi estranho ver Luis Cesar Bueno, de esquerda, levantando a bola para Wilder Morais chutar. O petista deu a impressão de que estar alinhado com a direita. De alguma maneira, “serviu” a Wilder Morais, mais, e a Marconi Perillo, menos

Marconi Perillo, expert em política, é um mestre “titereiro”. Mas será que Wilder Morais percebe que a disputa pode ser concluída no primeiro turno, com a vitória de Daniel Vilela? É possível. Daí sua “aliança” — que, de informal, se tornou “formal” — com o tucano durante o debate. Os dois estão com receio de o emedebista liquidar a fatura já no primeiro turno.

Vale insistir num ponto: a tática de Wilder Morais — de “proteger” Marconi Perillo — tende a mantê-lo em terceiro lugar. Por sinal, parece que estar em confortável nesta posição, porque, se não estivesse, teria criticado o candidato do PSDB.

Luis Cesar Bueno: o petista ajudou mais Wilder e Marconi do que Lula | Foto: Leoiran/Jornal Opção

(Wilder Morais tentou se apresentar como um “homem simples”, do povo. Não é. Dos candidatos a governador, declarou ter bens avaliados em 65 milhões de reais. Pode ser mais? Até pode. O TSE não tem como verificar.)

O mais estranho mesmo foi ver Luis Cesar Bueno, de esquerda, levantando a bola para Wilder Morais chutar e quase fazer o gol. O petista (que é um intelectual preparado), aparentando apatia e tédio, deu a impressão de que alinhamento com a direita. Claro, impressão. Porque não está. Mas, de alguma maneira, “serviu” a Wilder Morais, mais, e a Marconi Perillo, um pouco menos.

Quase se apresentando como presidente da República, Wilder Morais disse que é responsável pelas novas universidades federais de Goiás, como se fosse o criador de suas estruturas.

Luis Cesar Bueno não conseguiu contrapor, com a devida eficiência, que dois presidentes, Dilma Rousseff e Lula da Silva, foram decisivos para a criação e manutenção de tais redes de ensino. A orientação de seu marqueteiro não funcionou. O candidato do PT até que tentou, mas não conseguiu defender o presidente Lula da Silva com a devida substância. Pareceu hesitante, alheio.

Como se sabe, Luis Cesar Bueno é mais candidato a cabo eleitoral de Lula da Silva, do PT, do que a governador. Mas não se deu bem no debate. Ao “proteger” Wilder Morais, sendo omisso, deixou Lula da Silva desprotegido. Parece não ter percebido que Flávio Bolsonaro, hoje principal adversário do petista-chefe, é aliado do postulante do PL. Deveria ser o seu alvo em Goiás. Não foi no debate.

Para pegar carona na popularidade do bolsonarismo, Wilder Morais disse que Jair Bolsonaro foi “o maior presidente” da história do Brasil. É fala de quem não conhece história. Colocar Bolsonaro à frente de Rodrigues Alves (https://tinyurl.com/fynn35ak), Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso, para citar apenas quatro ex-presidentes, não conhece nada da história do Brasil. (Euler de França Belém)