Wesley Batista: “Delatores estão sendo perseguidos pelas verdades que disseram”

Na CPMI da JBS, empresário goiano não respondeu aos questionamentos dos parlamentares 

Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS realiza oitiva do empresário Wesley Batista | Foto: Waldemir Barreto/ Agência Senado

O empresário goiano Wesley Batista, um dos sócios da holding J&F, afirmou, durante depoimento na manhã desta quarta-feira (8/11) à Comissão Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, que apesar do processo de colaboração com o Ministério Público Federal ser “imprevisível e inseguro”, não se arrepende de ter decidido colaborar com a Justiça. 

“O que vejo neste momento são colaboradores sendo punidos e perseguidos pelas verdades que disseram. As delações dos últimos anos fizeram o país olhar no espelho”, lamentou.

Segundo ele, os brasileiros não gostaram do que viram e, por isso, os delatores estariam sendo “punidos e presos”, enquanto os delatados estão soltos. O empresário reafirmou que acredita na Justiça brasileira e que jamais descumpriu o acordo de delação celebrado com o Ministério Público.

Após a introdução, Wesley Batista invocou a prerrogativa constitucional de permanecer calado – a exemplo do que fez o ex-diretor da J&F, Ricardo Saud – e não respondeu às perguntas dos parlamentares.

A CPMI da JBS ocorre em conjunto com a CPI do Senado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Essa última investiga irregularidades nos empréstimos concedidos pelo BNDES no âmbito do programa de globalização das companhias nacionais, em especial a linha de financiamento específica à internacionalização de empresas, a partir do ano de 1997.

Wesley Batista está preso desde setembro na sede da Polícia Federal de São Paulo por suspeita de “insider trading”, uso indevido de informação privilegiada. Joesley Batista teria mentido e omitido informações no acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República.

A CPMI da JBS foi criada para investigar irregularidades envolvendo as empresas JBS e J&F (holding que controla a JBS) em operações realizadas com o BNDES e sua subsidiária, BNDES Participações (BNDESPar), ocorridas entre 2007 e 2016. Os parlamentares também querem investigar os procedimentos do acordo de colaboração premiada entre o Ministério Público Federal e os acionistas das companhias.

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