Viúva do cartunista Glauco Vilas Boas se diz aliviada com prisão de Cadu

Beatriz Galvão afirma que a Justiça errou quando o considerou inimputável e que, na ocasião em que seu marido e filho foram mortos, foi fácil culpar a religião do Santo Daime. “E agora vão culpar quem?”

Para a viúva do cartunista Glauco Vilas Boas, morto a tiros em 2010 por Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 29 anos, o Cadu, a possibilidade de o jovem se envolver em outros crimes era previsível. Beatriz Galvão afirmou em entrevista ao jornal “Folha de São Paulo” que a Justiça falhou em conceder a liberação de Cadu, que também matou o filho do casal, Raoni Vilas Boas.

“Estava na cara que isso iria acontecer de novo. Sempre tive certeza que ia cometer um novo crime. Só rezava para que não fosse aqui [Osasco (SP)]”, disse, referindo-se ao fato que motivou a prisão do jovem na tarde de segunda-feira (1º/9), em Goiânia, por suspeita de participação no homicídio de Mateus Morais Pinheiro, de 21 anos, morto durante um assalto ocorrido na noite do último domingo (31) no setor Bueno. Junto com Cadu, a Polícia Militar também prendeu Ricardo Pimenta Júnior. Ambos serão apresentados à imprensa na manhã desta terça-feira (2).

Beatriz Galvão afirmou que, embora sinta “muitíssimo pelas famílias que agora sofrem por mais uma perda”, está “um pouco aliviada” pela prisão de Cadu, que deixou a clínica psiquiátrica em que estava internado em Goiânia em setembro de 2013 amparado por decisão da juíza Telma Aparecida Alves, da Justiça goiana. “Espero finalmente ficar livre”, afirma a viúva.

Apesar de Cadu ter sido declarado inimputável pela Justiça em 2011, a viúva argumenta que ele tinha total controle sobre suas ações. “É lógico que ele tinha controle dos próprios atos. Nunca fiquei sossegada. Ele é monstruoso, um assassino frio”, afirma Beatriz, que em seguida relatou que antes de matar Glauco e Raoni, o jovem também os agrediu, inclusive a ela. “Ele fez isso com a maior crueldade.”

Com a suspeita que recai sobre Cadu, a viúva cobra outro posicionamento do Judiciário. Ela diz que caso o jovem seja declarado inimputável novamente, “a Justiça vai passar a ser não só cega, mas também surda e muda.”

A própria viúva abordou o delicado assunto envolvendo o uso do chá de Santo Daime, religião a que ela, Glauco e Raoni, assim como Cadu, eram ligados à época do crime. “O que ele fez agora ele já havia feito antes. Mas antes tinha uma religião envolvida e aí foi muito fácil para eles culparem a religião. E agora vão culpar quem?”

A Polícia Civil de Goiás realiza uma coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira (2) para apresentar Carlos Eduardo Sundfeld Nunes e Ricardo Pimenta Júnior, que juntos são suspeitos de praticar o latrocínio que vitimou Mateus Morais Pinheiro. Investigações também colocam Cadu como principal suspeito de atirar contra um agente prisional em 28 de agosto. As imagens foram captadas por câmeras de segurança da região. Em depoimento na última segunda-feira (1º) ele negou os crimes.

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