Vereadores livram Iris Rezende da CEI das Pastinhas

Após depoimento do ex-procurador Marconi Pimenteira, aliados optaram pela não convocação do ex-prefeito, mesmo tendo sido citado diversas vezes 

Marconi Pimenteira prestou depoimento à CEI das Pastinhas | Marcello Dantas

Marconi Pimenteira prestou depoimento à CEI das Pastinhas | Marcello Dantas

Os vereadores da CEI das Pastinhas, que investiga a concessão de alvarás e licenciamentos em desacordo com o Plano Diretor de Goiânia para beneficiar construtoras, livraram, na manhã desta segunda-feira (9/11), o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) de depor na comissão. A possibilidade havia sido adiantada pelo Jornal Opção Online há quase um mês.

Por quatro votos a um, parlamentares — todos da base aliada ao Paço Municipal — afirmaram que o depoimento do ex-procurador-Geral do Município Marconi Pimenteira foi “suficiente” para esclarecer as denúncias envolvendo a venda de áreas públicas a gigantes da construção, bem como as controvérsias do decreto que permitiu 131 empreendimentos serem edificados após a promulgação do Plano Diretor de 2007.

Apenas Geovani Antônio, do PSDB, votou a favor da convocação do pretenso pré-candidato à Prefeitura de Goiânia em 2016. Segundo o tucano, as afirmações de Pimenteira abriram dúvidas sobre de quem teria sido a real responsabilidade pelas decisões acima citadas. “O procurador afirmou que houve orientação, mas depois chamou a responsabilidade para si”, questionou.

Mesmo assim, os vereadores Mizair Lemes Júnior (PMDB), Paulo Magalhães (SD), Carlos Soares (PT) e Paulo da Farmácia (Pros) avaliaram como desnecessária a ida de Iris — que era prefeito à época do suposto esquema das pastas vazias.

Irista, Mizair Lemes Jr. chegou a sugerir que o ex-prefeito não poderia ir à CEI das Pastinhas porque é “pré-candidato” e “lidera as pesquisas de intenção de voto”, sugerindo que a comissão poderia estar “politizando” o debate.

“Estão claras as informações, por isso voto e defendo a não convocação. Mas, discordo do detalhe de não poder convocá-lo porque ele é pré-candidato à prefeitura e lidera as pesquisas”, afirmou Carlos Soares, colocando um pouco de bom-senso na discussão.

Presidente da CEI, Elias Vaz (PSB) relatou a jornalistas que tanto o ex-procurador quanto o primeiro depoente, Adrian Rodrigues, ex-secretário-chefe do Gabinete Civil, se responsabilizaram por eventuais erros. “Os dois assumiram erros e temos que levar isso em conta, pois estão assumindo a responsabilidade que não era deles.”

Em depoimento de pouco mais de 30 minutos Pimenteira afirmou também que preferiu não acatar parecer do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). O órgão orientava para que fosse feita nova licitação para a alienação de 12 áreas públicas à construtora espanhola Euroamérica, no Setor Europark, região da sede da prefeitura.

Sobre o Termo de Compromisso e de Ajustamento de Conduta (TAC) que autorizou a construção em Área de Preservação Ambiental na Quadra C-8, no Setor Jardim Goiás, o ex-auxiliar de Iris disse que a responsabilidade pelo documento é de todos os signatários. “Ministério Público de Goiás, Prefeitura de Goiânia, Procuradoria e empreiteiros. Com certeza foi para atender ao interesse público.”

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