Vereadores constatam falta de alimentos em escolas de Goiânia

Pelo menos seis parlamentares estiveram em duas unidades de ensino infantil e fundamental de Goiânia. Distribuição de itens não é constante, informam servidores

Um dos dois freezers vazios na cozinha da Escola Abrão Rassi | Foto: Marcello Dantas

Um dos dois freezers vazios na cozinha da Escola Abrão Rassi | Foto: Marcello Dantas

Após duas polêmicas reuniões entre a secretária de Educação, Neyde Aparecida (PT), e a Câmara Municipal de Goiânia, nesta semana, uma comissão formada por seis vereadores resolveu visitar nesta quarta-feira (2/9) unidades de ensino para conferir a situação da merenda escolar.

O Jornal Opção Online acompanhou a vistoria em duas delas. A primeira foi na Escola Municipal Abrão Rassi, no Setor Vila Canaã. Por último, a Escola Municipal Olegário Moreira Borges (de educação infantil e fundamental), no Setor Faiçalville, próximo ao Parque Linear Macambira-Anicuns. Ambas ficam na Região Sudoeste da cidade.

Nesta semana, chegou apenas o pão do tipo carequinha na primeira escola. Em 12 de agosto foram entregue 549 unidades. “O problema não é de agora. À medida que é regulada a entrada de alimento, nós diminuímos a distribuição para fazer a merenda. Dizer que está tudo normal não é verdade”, informou o presidente do Conselho Escolar, Izaias Carlos da Silva Neto.

Outros servidores afirmam que também faltaram carne e leite neste período. Os alimentos deveriam chegar de quinze em quinze dias.

Na Abrão Rassi, às 9 horas de hoje, foi servido pão, requeijão e suco de polpa de goiaba. Mas a recomendação do cardápio seria outra. As orientações para o mês de setembro não estão disponíveis no portal da prefeitura na internet para retirada. Por isso, estão seguindo as orientações de agosto.

“É inexplicável chegar a essa situação. Está sendo improvisada a merenda”, disse Elias Vaz (PSB) em entrevista à imprensa. Ele preside a Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) e é autor das denúncias. O pessebista aguarda há mais de dois meses envio da documentação relativa à compra, recebimento e distribuição de alimentos nas escolas da capital.

Outro freezer tinha requeijão, iogurte e queijo na Escola Abrão Rassi | Foto: Marcello Dantas

Outro freezer tinha requeijão, iogurte e queijo na Escola Abrão Rassi | Foto: Marcello Dantas

Vaquinha para comprar leite

A escola Olegário Moreira tem 367 alunos, é beneficiada do Programa Mais Educação, do governo federal. A estratégia do Ministério da Educação (MEC) é ampliar a jornada escolar para, no mínimo sete horas diárias, por meio de atividades optativas. Logo, mais alimentação deve ser disponibilizada. A unidade é semi-integral: de 7 às 11h20 e de 13 às 17h20.

Porém, segundo disse ao Jornal Opção Online a diretora Mariza do Carmo, na terça-feira (1º) foi servido pão do tipo carequinha e uma laranja. O fruto, na verdade, seria destinado para produção de suco. “Mas como não tinha o suficiente para fazer bebida para todos, distribuímos para as crianças”, relata, detalhando que para cada estudante consuma quantidade ideal de suco são necessárias três laranjas.

Ela aponta ainda que o pão carequinha chegou normalmente, mas faltou o recheio e leite. Por isso, algumas docentes fizeram vaquinha há duas semanas para confeccionar canjica. “Pois só tínhamos alimentos salgados para o lanche. De agosto para cá não tivemos leite. Em junho tinha pouco, não era o bastante para todo o dia. As crianças reclamam. Passei de sala em sala explicando a situação.” Legumes como beterraba, cenoura, repolho, batata, abóbora deveriam ter chegado semana passada.

Como a escola da Vila Canaã, a do Faiçalville não tem cardápio disponível até o momento. Nesta unidade, unidades do suco Naturale foram recolhidas porque foi constatada a existência de fungos. O distribuidor alegou falhas no fechamento do lacre.

À reportagem, a diretora citou ainda que a carne chegou normalmente na última quinzena de julho ser servida nos primeiros 15 dias de agosto, assim como ocorreu no segundo período do mês.

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