Os mais recentes casos de violência doméstica que repercutiram na mídia mostram que nem mesmo as mulheres mais famosas do País estão livres de agressões e abusos. A cantora sertaneja Naiara Azevedo e a apresentadora Ana Hickmann fazem parte das milhares de mulheres brasileiras que foram violentadas e denunciaram seus agressores, em sua maioria—companheiros e ex-companheiros—, à polícia.

Os agressores devem responder na Justiça com base Lei n. 11.340/2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha, que criou mecanismos de combate à violência contra a mulher.

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A Lei Maria da Penha foi sancionada em 7 de agosto de 2006 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dispositivo conta com 46 artigos que criam mecanismo para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

O texto estabelece e diferencia os tipos de violência previstos contra a mulher e a família: violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Essas formas de agressão são complexas, perversas, não ocorrem isoladas umas das outras e têm graves consequências para a mulher. Qualquer uma delas constitui ato de violação dos direitos humanos e deve ser denunciada.

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Pamella Holanda

A digital influencer Pamella Holanda foi vítima de agressão do então Marido DJ Ivis. Na época, vídeos de câmera de segurança interna mostram Iverson de Souza Araújo, conhecido como DJ Ivis, agredindo a ex-mulher na frente da filha e de outras duas pessoas.

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“Ele me pegou pelo pescoço e veio me arrastando pelo corredor até o sofá. Foram muitas [agressões]. Não era só fisicamente. Era verbalmente, psicologicamente. Eu vivia um terror psicológico”, confidenciou a mulher”.

Joelma

A cantora Joelma da Banda Calypso, fez um forte desabafo sobre o tempo que foi casada com o guitarrista da banda, o Ximbinha. Ela contou que as agressões começaram ainda no início do relacionamento, em 2000.

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Ele me bateu no rosto e fiquei com o olho inchado. Não sei te dizer nem porquê aquilo aconteceu. Na mesma hora falei que não queria mais. Me tranquei num quarto de hotel em Belém e fiquei três dias sem sair. Eu estava com medo e teria muita vergonha se vissem meu rosto coberto por hematomas.”, contou ela à revista Marie Claire.

Luiza Brunet

Atriz, empresário e modelo Luiza Brunet foi vítima de violência doméstica por parte do ex-companheiro Lírio Parisotto, em 2016. Na época da denúncia, a atraiz relatou que o bilionário deu um soco no olho e uma sequência de chutes que quebraram quatro costelas.

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“Eu comecei a revisitar minha própria história e ver que de fato eu não estava sendo bem tratada, eu estava sendo violada, eu estava sendo explorada e agredida. Na última vez que ele me bateu foi grave. Pra mim foi muito grave”, revelou.

Luana Piovani

Luana Piovani e Dado Dolabella se relacionaram entre 2006 e 2008. No último ano do namoro, a atriz acusou o ex-namorado de agressão, após levar um tapa no rosto dentro de uma boate no Rio de Janeiro. Luana processou o ator, mas perdeu a causa. Quatro anos depois, ela entrou com um novo processo que o condenou pela Lei Maria da Penha.

“Fico feliz em ver as mulheres se unindo e denunciando porque quando eu fui agredida não tinha campanha, nem Instagram. O agressor ganhou um reality 6 meses depois e as mulheres diziam: “vem bater em mim”, afirmou, recentemente.

DJ Gabi Cavallin

Influenciadora e DJ, Gabi Cavallin acusa o ex-namorado, o jogador da seleção brasileira Antony, por ameaça e agressão. Ele é investigado por violência doméstica pela polícia de São Paulo e foi alvo de uma medida protetiva.

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Lea Maria

A humorista alemã Lea Maria denunciou o ex-marido Juliano Gaspar por violência doméstica. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela conta que sofreu violência física e psicológica. A humorista chegou a fazer um boletim de ocorrência contra o marido em fevereiro deste ano.

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Gretchen

A cantora e atriz Gretchen, revelou em seu canal no Youtube, que seu terceiro marido, Esdras de Souza, a espancava por qualquer motivo. Na publicação que foi ao ar há cerca de oito anos, ela afirmou que após as agressões, ele começava a chorar e dizia que morreria sem ela.

Segundo o relato da dançarina, ele chegou a apontar uma arma para o pescoço da cantora, ameaçando ela e o filho que o casal teve juntos.

Brisa Ramos

A atriz revelou em entrevista que o ex-namorado, o ator Kadu Molitermo teria a agredido. O ator, que também foi alvo de denúncia por agressão pela ex-esposa Ingrid Saldanha, dez anos antes do episódio com Brisa, chegou a entrar com um pedido de reparação prontamente rejeitado pela Justiça.

Titular da Delegacia da Mulher fala sobre importância da denúncia

Titular da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deaem), Ana Elisa Gomes aponta que a denúncia é a principal ferramenta para o combate à violência. “Vamos passar por um momento de aumento do registro de casos de violência doméstica pelo contexto social que vivemos. Mas isso não quer dizer, necessariamente, que os casos estão subindo. Temos mais casos de violência do que os que chegam para as delegacias, e isso é grave”, diz.

Gomes avalia que há um sentimento que os agressores ainda carregam um sentimento de que não serão punidos ou presos, independente do grau de violência cometida. “Uma importante mudança que tivemos e que tem ajudado a salvar a vida das mulheres, é a celeridade na emissão de medidas protetivas em casos de violência doméstica. Hoje, em poucas horas após o pedido a medida já é emitida e o agressor notificado”, explica.

Ainda assim, culturalmente, a sociedade, segundo Ana, precisa aprender a lidar a respeitar a presença de mulheres em espaços de poder. Ela conta que quando chegou à Polícia Civil, em 2004, enfrentou muitas situações que as próximas mulheres que chegarem aos postos na Segurança Pública já não vão mais ter que lidar. “Quando a gente chega em espaços que são socialmente masculinos, ainda mais na segurança pública, não há o preparo social para lidar com as mulheres”, conta.

Canais de denúncia

Além do tradicional 190 — da Polícia Militar—, vítima de violência doméstica podem utilizar o 197, da Polícia Civil, e o 180, do Governo Federal, para denunciar casos de abuso. Ana conta, porém, que o mais comum é a denúncia feita pessoalmente nas delegacias especializadas para atendimento às mulheres.

“Temos visto essa mudança cultural e social, participação de mulheres na política, na segurança e preparando, cada vez mais mais as polícias e delegados por meio da Escola Superior da Polícia Civil para garantir que esse atendimento seja humanizado”, aponta a delegada.

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