Em uma nota divulgada no fim de semana, o PL de Goiás confirmou ter convocado uma reunião para a próxima quinta-feira, 27, para deliberar “sobre as providências cabíveis” em relação ao prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa.

A convocação da reunião vem após o gestor anapolino, filiado e eleito pelo PL, declarar apoio ao projeto de reeleição do governador Daniel Vilela, do MDB.

“Apoiar candidato de outro partido em eleição de que o PL participa é conduta vedada pelo Estatuto do partido e sujeita o filiado às medidas disciplinares nele previstas”, diz a nota. Em off, integrantes da legenda bolsonarista já dão como certa a abertura de um processo de expulsão.

Caso o processo seja, de fato, instaurado, Corrêa terá espaço para apresentar sua defesa. Logo depois, o caso volta a ser analisado pelo partido.

Um membro do PL ouvido pela reportagem lembrou que a legenda não conta com Conselho de Ética constituído. Logo, a possível expulsão será analisada e votada pela própria Executiva do órgão provisório, que hoje tem a seguinte composição:

FREDERICO GUSTAVO RODRIGUES DA CUNHAPRIMEIRO VICE-PRESIDENTE
HELENO DE PAULA E SOUZAVOGAL
HELIO ARAUJO PEREIRASEGUNDO VICE-PRESIDENTE
JOSÉ ALVES QUEIROZTESOUREIRO
JOSÉ ARTUR CARDOSO DE OLIVEIRA JUNIORVOGAL
MARCELO ALOISIO DE SIQUEIRASUPLENTE
MARCOS ROBERTO BARBOSASECRETÁRIO-GERAL
ROGERIO COUTINHO DE MORAISSUPLENTE
SERGIO RICARDO DOS SANTOS ARAÚJOSECRETÁRIO
WILDER PEDRO DE MORAISPRESIDENTE

Conforme um advogado eleitoral ouvido pela reportagem, na hipótese de ficar sem partido, Márcio Corrêa poderá se filiar a qualquer outro no prazo de até seis meses antes das próximas eleições municipais (no caso, em 2028).

Já era esperado?

A oficialização do apoio do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), ao governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB), em evento político realizado no sábado, 22, parece ter dividido o PL goiano entre surpresos e impassíveis.

Enquanto alguns revelaram que esperavam ao menos uma postura de neutralidade do prefeito anapolino, outros já davam como certo seu apoio ao governador, justamente pela proximidade entre os dois e pela falta de interação de Wilder com o gestor.

“Já era esperado. Por que o Márcio apoiaria o Wilder? Não tem motivo. Daniel sempre esteve nos eventos de Anápolis, sempre manteve diálogo com o Márcio. Diferente do Wilder, que, aliás, não está na campanha de ninguém a não ser na dele”, comentou, sob reserva, um integrante do PL em Brasília.

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Evento com Márcio Corrêa e Daniel Vilela, realizado em Anápolis | Foto: Rosi Campos/Jornal Opção

Ainda de acordo com o interlocutor bolsonarista, o isolamento de Wilder, inclusive dentro do próprio PL, não chega a causar surpresa. Segundo ele, o senador e candidato ao Palácio das Esmeraldas “não tem o costume de chamar ninguém para conversar”.

“Emenda não segura apoio de ninguém. Precisa articular, conversar”, avaliou, em referência aos R$ 50 milhões em emendas destinados por Wilder a Anápolis. Para ele, a destinação de recursos é inerente ao cargo e ao reduto eleitoral, mas, por si só, não é suficiente para fortalecer bases.

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Outras fontes do PL ouvidas pelo Jornal Opção, no entanto, reagiram com surpresa. “Márcio tem convívio com Daniel desde a infância, o governador soube articular bem. Mas era esperado pelo menos uma postura de neutralidade”, afirmou um integrante da legenda. Segundo ele, Wilder teria ficado “baqueado” ao saber que o gestor anapolino estará ao lado de Daniel.

Na nota divulgada no dia do evento, o PL de Goiás citou que o partido “deve uma resposta” aos anapolinos. Veja a nota na íntegra abaixo:

“NOTA OFICIAL PL/GO

O Partido Liberal de Goiás registra o ato realizado na manhã deste sábado, 22 de agosto, em Anápolis, no qual o prefeito Márcio Corrêa, filiado ao PL, declarou apoio ao candidato de outro partido ao Governo de Goiás.

O PL tem candidatura própria ao Governo de Goiás, com Wilder Morais, homologada por convenção estadual no dia 3 de agosto, com o aval e apoio do presidente Jair Bolsonaro.

Apoiar candidato de outro partido em eleição de que o PL participa é conduta vedada pelo Estatuto do partido e sujeita o filiado às medidas disciplinares nele previstas.

Márcio Corrêa foi eleito prefeito de Anápolis em 2024 pela legenda do Partido Liberal. O mandato foi construído com o trabalho dos vereadores, dos filiados e da militância que levaram a bandeira do PL às ruas da cidade. O partido deve uma resposta a esses anapolinos.

A Comissão Executiva Estadual está convocada para reunião na próxima quinta-feira, 27 de agosto, para apurar o caso e deliberar sobre as providências cabíveis, assegurado ao filiado o direito de defesa.

O Partido Liberal continua em Anápolis, com seus vereadores, seus filiados e seus candidatos.

Goiânia, 22 de agosto de 2026. Comissão Executiva Estadual do Partido Liberal de Goiás”