Operação contra deputados do partido acendeu sinais de alerta no comando da legenda

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que tem desconfianças de que o presidente Jair Bolsonaro esteja alinhado com a Polícia Federal, em ação realizada nesta sexta-feira, 11, contra deputados federais do partido. A informação é do colunista Tales Faria, do UOL.

Como parte da operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços dos deputados Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE). Além das buscas nos endereços residenciais, também houveram ações em empresas ligadas aos envolvidos. Agentes também tentaram buscas nos gabinetes dos deputados na Câmara, mas o STF indeferiu os pedidos.

A ação policial acendeu alertas em Valdemar e nomes próximos a ele, que acreditam que Bolsonaro possa estar a frente da operação. A desconfiança tem origem na recente filiação do presidente ao partido, no final de novembro. Após ficar dois anos sem filiação, Bolsonaro acabou entrando no PL para concorrer à reeleição, mas não conseguiu o comando da legenda, que ficou com Valdemar.

A partir daí, então, teve início um período de revoada de parlamentares bolsonaristas para o PL, dentro da janela permitida para trocas partidárias sem punição pela justiça eleitoral. A movimentação acendeu sinais de desconfiança de uma tentativa de tomada de comando da legenda, fortalecidos pela ação da PF.

Anteriormente, outro partido ao qual Bolsonaro quase se filiou também viveu o mesmo sentimento. A partir da aproximação de Bolsonaro com o PTB, o ex-deputado Roberto Jefferson viu tentativas de apoderamento ad legenda, depois que precisou passar o comando interino do partido para a pupila Graciela Nienov, já que estava preso. Jefferson descobriu que a sucessora estava tentando se apropriar do partido com apoio de pessoas ligadas ao presidente, mas não protestou publicamente para evitar conflitos com o Planalto.