Vacina contra Covid tem melhores resultados em pessoas fisicamente ativas, aponta estudo da USP

A pesquisa foi feita com cerca de 1.095 voluntários, todos imunizados com a CoronaVac, mostrado o benefício do “tempo ativo” seja ele dedicado aos exercícios ou a outras atividades

Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), divulgado nesta terça-feira, 11, aponta que pessoas fisicamente ativas podem responder melhor a performance do sistema imune induzida por vacinas contra Covid-19, independente de fatores como idade e sexo. A pesquisa foi feita com cerca de 1.095 voluntários, todos imunizados com a CoronaVac, mostrado o benefício do “tempo ativo” seja ele dedicado aos exercícios ou a outras atividades.

De acordo com o levantamento feito pela USP, é considerado “tempo ativo” não só a prática de exercícios, mas também outras atividades – como passear com o cachorro, limpar a casa, cuidar do jardim, lavar a roupa na mão, carregar pesos, realizar consertos, andar a pé ou de bicicleta até o trabalho, o supermercado ou a escola, por exemplo – os voluntários relataram ao menos 150 minutos de funções semanais, somando os vários domínios, e não apresentavam comportamento sedentário, ou seja, não passavam mais de oito horas diárias sentados ou deitados.

Ativos e sedentários

O nível de atividade física foi mensurado por meio de chamadas telefônicas. “Uma pessoa que corre durante uma hora todos os dias e passa o resto do tempo sentada em frente a uma tela é considerada e sedentária ao mesmo tempo. Nós combinamos esses dois conceitos diferentes em nossa análise”, explica Bruno Gualano, professor da Faculdade de Medicina (FM-USP) e primeiro autor do artigo.

“Quando olhamos para os dados, percebemos claramente que eles formam uma ‘escadinha’: no ​​alto, com uma melhor resposta vacinal, estão os ativos não sedentários. Na sequência, juramentado os requisitos ativos e sedentários. Por último, os inativos e também sedentários”, conta o pesquisador.

A pesquisa foi feita com participantes imunizados com a CoronaVac, entre fevereiro e março deste ano. A qualidade da resposta vacinal foi avaliada por meio de diversos testes laboratoriais, sendo os principais aqueles que mensuraram a produção total de contra o SARS-CoV-2 (IgG total) e a quantidade de neutralizantes (NAb) – aqueles que podem impedir a entrada do vírus na célula humana.

De acordo com o critério adotado pelos pesquisadores, atingiram a chamada “soroconversão” os voluntários que no exame de IgG total diferente pelo menos 15 unidades arbitrárias (UA) de por mililitro (mL) de sangue. (Com informações de O Globo)

No caso dos neutralizantes, considera-se uma resposta positiva quando, nenhum ensaio in vitro feito com o plasma sanguíneo, observou-se ao menos 30% de inibição da ligação entre o SARS-CoV-2 e o receptor da enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2, na sigla em inglês) – proteína existente na superfície de células humanas à qual o vírus se conecta para viabilizar uma infecção.

– Os resultados nos obrigam a concluir que uma atividade física potencializa uma resposta vacinal contra um Covid-19, independentemente de fatores como idade, sexo e uso de imunossupressores. Realizar o mínimo de atividade física já produz uma resposta positiva, porém, observamos que quanto mais movimento, melhor. As respostas mais consistentes foram vistas entre os pacientes que realizavam 50 minutos ou mais de atividade física diariamente -, conta Gualano.

Embora só tenha sido obtido, imunizados com um CoronaVac, o pesquisador considera “plausível” que o mesmo efeito seja observado com todas as vacinas contra Covid-19 e também contra outras doenças.

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