Entre janeiro e agosto deste ano, 47 órgãos, entre coração, fígado, rim e pâncreas foram disponibilizados à Central Nacional de Transplantes

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Nos primeiros oito meses deste ano, foram captados 141 órgãos em Goiás. Desses, 47 foram regulados pela Central Nacional de Transplantes e distribuídos, conforme parâmetros técnicos, a pacientes que aguardam em outras localidades do país.

Atualmente, o transporte de órgãos é realizado sob demanda por aviões militares da Forças Aéreas Brasileiras (FAB). De acordo com o órgão, a FAB mantém, permanentemente disponível, no mínimo, uma aeronave que servirá exclusivamente ao Transporte de Órgãos, Tecidos e Equipes (TOTEQ).

Em 2020, até o dia 22 de julho, a Força Aérea Brasileira (FAB) realizou 111 missões de TOTEQ, totalizando 147 órgãos transportados. Em todo o ano de 2019, foram realizadas 163 missões, totalizando 167 órgãos ou tecidos transportados em todo o Brasil.

“Tivemos um avanço importante nos últimos anos, o Brasil é campeão em transplante público de órgãos, mas uma estrutura aérea de apoio à FAB pode fazer com que mais brasileiros e até mesmo pacientes de outros países sejam salvos por meio da generosidade de nossa gente”, defende o diretor comercial da Brasil Vida Táxi Aérea Daniel Henrique.

“Antes de mais nada, é preciso saber que qualquer órgão possui um tempo máximo de vida fora do corpo, o chamado “tempo de preservação”. E qualquer demora além do programado pode ser fatal para o órgão e, consequentemente, para quem o aguarda”, acrescenta.

De acordo com informações da Central de Transplantes de Goiás, 41 rim e 58 córneas foram descartados no Estado, alguns foram encaminhados para estudos em laboratório.

Espera

Atualmente, há 706 pacientes à espera de transplante de córneas e 120 pessoas aguardam por rim. “Muitas vezes, o órgão que o paciente precisa é disponibilizado a milhares de quilômetros de distância, o Brasil é um país continental, daí a importância do transporte aéreo para que haja sucesso nessas operações”, esclarece Daniel Henrique.

Até março deste ano, foram realizados 356 transplantes no Estado. O mais comum é o de córneas, com 156 procedimentos. Em seguida, o transplante de rim, com 138 casos efetivos. Transplantes de esclera, músculo esquelético, medula óssea e fígado também foram realizados em Goiás.

Segundo informações do Ministério da Saúde, em 2019 foram realizados 27.688 transplantes no Brasil, sendo que, de janeiro a abril, foram 2.871 procedimentos. Já em 2020, também no primeiro quadrimestre (janeiro a abril), foram realizados no SUS 2.780 transplantes no país.

Em nota, o Ministério da Saúde informa que, com a pandemia, houve impacto em toda a cadeia de assistência à saúde. “Os estados e municípios precisaram de estrutura, recursos humanos e insumos para atendimento aos pacientes com Covid-19. Com isso, houve redução nos números procedimentos, que seguiu o que observado em países da Europa acometidos antes do Brasil.”, registra.

Como funciona o transplante?

O processo funciona a partir da Central Nacional de Transportes, localizada em Brasília. Ela opera em plantão 24 horas por dia. Seus funcionários são informados da disponibilidade de qualquer órgão para doação em território nacional.

A partir dessa informação, é consultada a lista única nacional com as pessoas necessitadas. Após a confirmação do destinatário, o transporte é efetivamente realizado com o órgão ou tecido armazenado num compartimento refrigerado. Tudo devidamente acompanhado por profissionais da área médica.