“Um país moderno precisa de sindicatos fortes”, defende FHC

Ex-presidente comemorou, em entrevista à “Folha”, fim do imposto sindical obrigatório como forma de acabar com “sindicatos fantasmas”

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso | Foto: Vinícius Doti

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) defendeu, em entrevista nesta segunda-feira (8/5) à “Folha de S. Paulo”, o fim do imposto sindical, aprovado na Reforma Trabalhista do governo Temer (PMDB), como forma de eliminar o que ele chama de “sindicatos fantasmas”.

No entanto, o tucano reconheceu a importância das entidades representativas de trabalhadores no mundo todo. “Um país moderno precisa de sindicatos fortes, e é isso que a nova legislação privilegia. O fato é que quando o sindicato é forte, organizado, ele tem sua expressividade de forma natural. É assim também no lado patronal. O fim do imposto como ele é hoje atinge esses inúmeros sindicatos fantasmas”, explicou.

À reportagem, ele classificou a administração Temer de “transitória” e elogiou a postura “firme” do presidente (em especial no que diz respeito às reformas). “Temer entendeu que o papel dele ou é histórico ou é nenhum. A sua força está no Congresso, que está numa circunstância muito difícil devido à questão da Lava Jato. Todos, a oposição, o PT, o meu partido, foram atingidos. Mas o balanço é positivo. Veja, o governo vive uma crise herdada, assumindo uma massa falida. Às vezes, ele não tem tempo de se beneficiar dos avanços. Às vezes, tem. Vamos ver”, opinou.

Questionado sobre a corresponsabilidade do PSDB no atual impopular governo, FHC sustenta que não havia outro caminho pós-impeachment: “Era inevitável a entrada. Se não entrássemos, seríamos acusados de irresponsabilidade. Seríamos criticados de qualquer modo, mesmo se ficássemos de fora. Sempre há um preço a pagar.”

Eleição de 2018

João Doria: prefeito pode disputar em 2018 | Foto: reprodução/ PSDB

Presidente de honra do PSDB, Fernando Henrique Cardoso reconheceu o crescimento de nomes “pouco convencionais” na preferência do eleitor brasileiro na eleição do ano que vem. Para ele, os o partidos estão “muito descolados” dos interesses da sociedade e, por isso, as pessoas votarão em figuras que “encarnem” tais interesses — mesmo que estas sejam Jair Bolsonaro, por exemplo.

No tocante a seu partido e o possível candidato, o ex-presidente disse que sempre houve mais de um postulante, mas o sistema político não permite o surgimento de novas lideranças e, portanto, há sim uma dificuldade de escolha.

O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e o apresentador Luciano Huck são “o novo”, segundo FHC, justamente porque não são “propelidos pelas mesmas forças de sempre”. “Temos de ver como isso se desenrola. Eu hoje acho cedo perguntar quem vai ser candidato. Temos de ver como o processo anda, como a sociedade está absorvendo todo o impacto da Lava Jato”, arrematou.

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