UFG recebe primeiros ingressantes da turma de Inteligência Artificial

Coordenador fala sobre estratégias utilizadas para contornar crise financeira na universidade e viabilizar a criação do curso superior

Foto: Reprodução

Pesquisadores da área de Inteligência Artificial (IA) afirmam que programas são capazes não apenas de imitar a atuação das nossas atividades, como, também, performar o nosso método de raciocínio. Diferente do computador tradicional, em que instruções exatas são gravadas e a reação do software depende disso, a máquina inteligente possui a capacidade de aprendizado, ou seja, de evoluir conforme o uso.

Nesta semana, a Universidade Federal de Goiás (UFG) recebeu a primeira turma do curso de graduação em Inteligência Artificial. A grade curricular, que engloba tecnologia e empreendedorismo, foi montada pelo Instituto de Informática (INF) e aprovada no ano passado. Os estudantes contemplados através do Sistema unificado (Sisu) de 2020 já têm planos de como vão usar essa formação daqui alguns anos.

Possibilidades e inovação

Professor e coordenador do curso de Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás, Anderson Soares.

O coordenador do curso,  professor Anderson Soares, informou que a grade curricular foi baseada nos fundamentos em computação, na essência da tecnologia da IA e no empreendedorismo, para que o estudante desenvolva a capacidade de gerir projetos, espírito de liderança e habilidades de comunicação. “Não basta que ele [o estudante] seja muito bom tecnicamente, ele também tem que avançar nas suas habilidades sociais” afirmou.

A ingressante do curso Heloisy Rodrigues, de 20 anos, afirmou que a IA faz parte de tudo e isso amplia as possibilidades de atuação. “O que mais me interessa na área é o fato de não ficar presa em uma temática. Vou poder trabalhar em diferentes áreas e mercados” declarou a estudante. Heloisy disse ainda que pretende desenvolver uma startup, por isso as disciplinas de empreendedorismo serão fundamentais. 

Já o estudante Gabriel Jhordan, 18, disse que espera aprender como as máquinas ganham autonomia e sobre o papel delas na sociedade. “Eu me imagino daqui alguns anos atuando no desenvolvimento de IAs que melhorem os meios de produção, para que não agridam tanto o meio ambiente” disse.

Crise financeira

No último ano, as universidades federais sofreram cortes drásticos de orçamentos, o que dificultaria a criação de um novo curso. Anderson Soares explicou as estratégias usadas para contornar o problema. “O que nós fizemos foi remanejar vagas de cursos existentes. Tínhamos duas turmas de Sistema da Informação, então remanejamos uma turma com 40 vagas para IA” afirmou o coordenador.

De acordo com o professor, a medida de remanejamento resolveu uma parte do problema no âmbito financeiro, já que o aprimoramento da estrutura para receber o curso de  IA demandou equipamentos mais caros que os demais cursos de computação e engenharias.

“Nós temos parcerias com empresas que investem na UFG, por isso foi possível viabilizar isso. Também foi determinante o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), que fez conosco um convênio para o estabelecimento de um centro de excelência em Inteligência Artificial. Por meio desse convênio temos alguns recursos para apoiar a consolidação da infraestrutura demandada” informou o coordenador.

Anderson Soares disse ainda que em 2019 foi necessário adquirir um computador que custou quase um milhão de reais, mas que era fundamental para a IA. Agora o curso se prepara para fazer novas aquisições, dentre elas, um laboratório de veículos autônomos e um laboratório de redes 5g.

 

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