Trump envia 600 militares à América Latina para ampliar ofensiva contra o tráfico, diz New York Times
15 outubro 2026 às 16h40

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O governo de Donald Trump começou a enviar centenas de soldados americanos para a América Latina. A movimentação faz parte da ampliação da ofensiva militar dos Estados Unidos contra o tráfico de drogas na região, segundo o jornal The New York Times. De acordo com a publicação, cerca de 600 militares serão deslocados inicialmente para o Panamá.
Depois, participarão de exercícios e treinamentos conjuntos com forças locais na Colômbia e em Honduras. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira, 15, com base em relatos de autoridades militares americanas que falaram sob condição de anonimato.
Os primeiros soldados já começaram a chegar a um centro de treinamento no Panamá. Na sequência, parte do contingente seguirá para a Colômbia, onde os exercícios militares estão previstos para começar ainda em outubro. Outros militares serão enviados a Honduras.
Além dos treinamentos, parte do grupo poderá apoiar forças de operações especiais dos Estados Unidos que assessoram exércitos locais em ações contra suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas. Segundo o New York Times, os deslocamentos são inicialmente temporários, mas podem abrir caminho para uma presença militar americana mais duradoura na América Latina.
O envio de soldados ocorre em meio à expansão das operações militares dos Estados Unidos contra organizações criminosas na América Latina. Segundo o jornal, o Pentágono também transferiu recentemente drones MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, criou ainda um novo departamento para supervisionar as operações contra grupos criminosos. A estratégia do governo Trump também prevê a possibilidade de ampliar os ataques militares contra embarcações suspeitas de transportar drogas para alvos em terra.
De acordo com o jornal, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou 71 ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental ao longo de aproximadamente um ano. As ações deixaram pelo menos 239 mortos. Os militares americanos afirmam que as vítimas estavam envolvidas com o tráfico de drogas, mas não apresentaram provas públicas que confirmem essas acusações.
O governo dos Estados Unidos também tem pressionado países latino-americanos a intensificar operações contra grupos ligados ao tráfico e a autorizar ações conjuntas com forças americanas. A ampliação da ofensiva militar gera questionamentos sobre a eficácia da estratégia.
Especialistas ouvidos pelo New York Times avaliam que a morte de integrantes de organizações criminosas pode ter pouco impacto sobre o funcionamento do tráfico de drogas. Organizações de direitos humanos também alertam para os riscos de expansão dos ataques a alvos terrestres.
A principal preocupação é a possibilidade de aumento das mortes de civis. Procurado pelo jornal, o Pentágono não comentou diretamente os novos deslocamentos de tropas. Em resposta, afirmou estar comprometido com a cooperação com países aliados para combater ameaças na região.
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