Trombose: entenda a relação da doença com o Covid-19 e as vacinas contra o vírus

Com a pandemia, casos de trombose tem aumentado, gerando dúvidas e medos em relação ao vírus e seu imunizante

Desde o surgimento do vírus Sars-CoV-2, em dezembro de 2019, os casos de trombose vêm aumentando em pacientes que se contaminaram com a doença e também em uma pequena parcela de pessoas que tomaram o imunizante que protege o corpo do vírus. Diante dos casos, muitas dúvidas e polêmicas foram criadas em torno do Covid-19 e das vacinas, por isso médicos e cientistas especialistas realizaram uma série de pesquisas para descobrir a relação entre os três fatores.

A trombose é um problema circulatório que se dá quando um coágulo, parcial ou total, se forma nos vasos sanguíneos, veias ou artérias, limitando o fluxo normal do sangue. “Em relação a Covid-19 nós sabemos que ele tem relação com a trombose, porque ele aumenta a coagulação sanguínea. Então, em determinados momentos, nós temos que entrar com anticoagulantes nos pacientes”, explica o infectologista Marcelo Daher.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, a trombose acomete cerca de um terço dos pacientes internados com Covid-19 e, normalmente, são casos de trombocitopenia, ou seja, a produção de plaquetas diminuem no sangue formando uma coagulação, uma trombose, aumentando a produção de trombos. Essa sequela do vírus pode acometer qualquer pessoa, de qualquer idade, mesmo que o paciente não tenha pré-disposição a problemas circulatórios. Contudo, como esclarece Daher, “não é exclusividade do Covid-19 apresentar alguma sequela trombótica, outras doenças graves também podem desenvolver”.

Em relação as vacinas, tanto a bula da Astrazeneca quanto a da Janssen, alertam para “trombose em combinação com trombocitopenia” como efeito colateral de ter tomado o imunizante, reiterando que são raros os casos. As duas tem tecnologia semelhante em sua fórmula, chamada de vetor de adenovírus, que seria o causador da possível trombose. De acordo com o Ministério da Saúde, na Europa os casos de pessoas que desenvolveram esse efeito colateral foi de 1 a 8 milhão de casos por indivíduo, ou seja, menos de 0,008%. Sendo assim, como concluiu um estudo feito pela The British Medical Journal (The BMJ), no Reino Unido, as chances de desenvolver coágulos sanguíneos é maior ao ser infectado pelo novo coronavírus do que ao receber uma vacina contra Covid-19.

A trombocitopenia, causada pela aplicação da vacina, pode aparecer após 4 a 52 dias depois que o indivíduo tomou a primeira dose, sendo muito pouco provável que a doença venha a se desenvolver após esse período ou após a segunda dose. As pessoas mais suscetíveis a ter esse efeito colateral da vacina, como explicou Marcelo Daher, seriam mulheres na idade fértil. “Por isso, a Inglaterra passou a dar preferência de usar essa vacina em mulheres a partir de 40 anos de idade”, explica o infectologista. E gestantes, por terem uma pré-disposição a enfrentarem problemas circulatórios, também estariam dentro desse risco, por conta disso que a recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi que as grávidas se vacinem com o imunizante Pfizer.

Os sintomas de uma trombocitopenia, incluem falta de ar, dor no peito, inchaço ou dor nas pernas, dor abdominal persistente e sintomas neurológicos, incluindo dores de cabeça graves. Caso uma pessoa apresente esses sintomas dentre o período citado (de 4 a 52 dias após tomar a primeira ou segunda dose), deverá se encaminhar a um centro de saúde para que exames sejam feitos e o tratamento realizado o mais rápido possível.

A Anvisa, lançou uma nota em que reitera que “os benefícios das vacinas da AstraZeneca e da Janssen superam os riscos do uso desses produtos e (a Agência) mantém a recomendação da continuidade da vacinação com os imunizantes, dentro das indicações descritas na bula.” A Anvisa lembra que os casos de trombose após receber a vacina são raros e que “é fundamental a identificação precoce dos casos e a implementação urgente de terapia adequada” para quem apresentar os sintomas da trombocitopenia.

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