Até o próximo dia 7 de fevereiro, quinto dia útil do mês que vem, os trabalhadores brasileiros começam a receber o novo salário mínimo reajustado para R$ 1.320. O valor é R$ 108 a mais do os R$ 1.212 que eram pagos no ano passado. Isso representa um aumento de 8,9%, mas que mesmo assim, segundo o economista Antônio Eurípedes, “o trabalhador acaba tendo que fazer mágica pra sobreviver”.

Para o economista, apesar do ganho real de 2,7%, além da correção da inflação, esse valor ainda está “muito aquém do necessário pra uma família viver”. De acordo com os cálculos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgados em novembro de 2022, o valor mínimo para satisfazer as necessidades básicas (alimentação, moradia, vestuário, educação, higiene, transporte, lazer e previdência) de uma família de quatro pessoas deveria ser R$ 6.575,30.

A Medida Provisória que aumentou o salário mínimo também determinou qual deve ser o menor valor pago aos trabalhadores que recebem por dia ou por hora. Agora, o dia trabalhado vale no mínimo R$ 43,40 e a hora trabalhada não pode ser inferior a R$ 5,92.

Como a Constituição prevê que o poder de compra do salário deve ser mantido, a equipe econômica do governo federal costuma utilizar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano atual para corrigir o salário mínimo do Orçamento seguinte. O economista explica que é um dilema para o governa essa questão. “É muito pouco pra quem recebe e se torna muito pesado em termos de contas públicas”, disse.

No ano passado, o governo Bolsonaro tinha proposto um salário mínimo de R$ 1.302 para 2023, R$ 18 a menos que o que está em vigor. No entanto, esse valor seria suficiente apenas para repor as perdas com a inflação do período e não representaria nenhum ganho real para o trabalhador que tem sua fonte de renda atrelada ao mínimo.