Trabalhador é resgatado de fazenda de Goiás em condição análoga à escravidão

João José de Jesus vivia sozinho, cuidando da propriedade e dos animais. Ele morava em uma casa de alvenaria precária, sem banheiro e sem água potável

Uma operação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) do Ministério do Trabalho resultou no resgate de um trabalhador em condição análoga à escravidão e na regularização de outros três, que atuavam sem carteira assinada. As fiscalizações ocorreram entre os dias 31 de maio e 10 de junho em fazendas e empresas de extração de areia do Estado.

O trabalhador resgatado de condição análoga à escrava trabalhava em uma fazenda do município de Minaçu, no Norte do Estado. O local tinha 20 cabeças de gado e diversos animais domésticos. João José de Jesus vivia sozinho, cuidando da propriedade e dos animais. Ele morava em uma casa de alvenaria precária, sem banheiro e sem água potável.

Jesus também não tinha acesso aos direitos trabalhistas. Recebia quantias muito pequenas em dinheiro, mantimentos básicos para sobrevivência, além de cigarro e bebida alcoólica. Aos fiscais do Ministério do Trabalho relatou que não tinha a opção de deixar a fazenda e voltar à cidade de origem, no interior da Bahia, pois não tinha noção exata da localização, nem dinheiro, e o proprietário havia retido seus documentos.

O coordenador do GEFM, Marco Aurélio Peres, conta que o grupo de fiscalização retirou o trabalhador do local e o acomodou em um hotel na cidade. Depois disso, entrou em contato com o proprietário da fazenda que, após longa negociação, assinou a carteira de Jesus, devolveu seus documentos e pagou todos os direitos trabalhistas, os gastos com hospedagem e alimentação no hotel, e a passagem de volta para a Bahia. “Nós deixamos o trabalhador na rodoviária de Goiânia para voltar pra casa.”

Os outros três trabalhadores encontrados em situação irregular atuavam em duas empresas de extração de areia às margens da rodovia GO-511, antiga estrada Cumari-Corumbaíba. Além de estarem sem registro em carteira de trabalho, havia problemas de segurança nas dragas e equipamentos de mergulho usados nas atividades – uma delas chegou a ser interditada. As empresas receberam 33 autos de infração e os trabalhadores foram registrados no momento da fiscalização. (Da Assessoria de Comunicação do Ministério do Trabalho)

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