Teste pode poupar pacientes de câncer de mama de quimioterapia

O método consegue avaliar se seria benéfico um paciente passar pelo tratamento

Os testes desenvolvidos para usar tecnologia genômica podem conseguir analisar se será benéfico para uma pessoa passar pela quimioterapia, após a cirurgia de retirada de um tumor. “A utilização das assinaturas genômicas auxilia de maneira substancial a decisão da terapia adjuvante, mas o custo destes testes ainda é elevado, o que dificulta o acesso e limita seu uso na prática diária”, explica o oncologista clínico Gabriel Felipe Santiago.

O teste, que são avaliados por plataformas avançadas como Oncotype, MammaPrint, Breast Cancer Index (BCI), podem ajudar a diagnosticar se alguns tipos de câncer de mama tem mais chances de reaparecerem ou não, podendo em alguns casos descartar a quimioterapia. “São novos testes baseados em biologia molecular e análise gênica. Por meio deles, podemos prever se um determinado tipo de câncer de mama em estágio inicial tem maior risco de recidiva após o tratamento inicial”, esclarece Santiago.

De acordo com o oncologista, o teste pode ser feito na biópsia inicial ou na biópsia da cirurgia. Com essa informação os médicos podem saber quais mulheres que apresentam tumores mamários iniciais (com receptores hormonais positivos, HER 2 negativo e até 2 linfonodos positivos) podem se beneficiar da quimioterapia após a cirurgia.

O teste Oncotype Dx é o mais utilizado no Brasil. Analisa a biologia do tumor através da atividade de 21 genes. A partir da análise, são gerados resultados na pontuação denominada Recurrence Score (RS), que varia de 0 até 100, fornecendo informações sobre a possibilidade de retorno da doença em um período de 10 anos.

“Assim, pacientes que apresentam doença de alto risco pelo exame (RS acima de 25) têm indicação de quimioterapia adjuvante seguida de terapia hormonal (e supressão da atividade dos ovários na pré-menopausa). Já pacientes com doença de baixo risco (RS abaixo de 16) têm indicação apenas de terapia hormonal pós-operatória. Pacientes com doença de risco intermediário (RS de 16 a 25) têm indicação de terapia hormonal isolada se estiverem na menopausa e de supressão da atividade dos ovários associada à terapia hormonal na pré-menopausa, com o uso de quimioterapia em casos selecionados”, explica Santiago.

Responsável por 2,26 milhões de casos registrados em 2020, o câncer de mama se tornou o tipo de câncer mais diagnosticado no mundo. Este é o tipo de câncer que mais acomete mulheres, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), representando cerca de 15,5% dos óbitos. Para este ano, o Inca prevê 66 mil novos diagnósticos e mais de 18 mil mortes.

O câncer de mama é curável na maioria das vezes. “Quando detectado em estágios iniciais, as chances de cura são de 95%”, afirma Santiago.

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