Terminais de ônibus podem ser fechados na Região Metropolitana de Goiânia

“São espaços criados para aglomerar pessoas”, defende Redemob que propõe o fechamento temporário destes espaços durante a pandemia

O diretor executivo do RedeMob, Leomar Avelino, apresentou nesta terça-feira, 7, a proposta do consórcio que representa as empresas que atuam no transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia que defende a interdição de terminais de ônibus temporariamente. “São espaços criados para aglomeração de pessoas”, observa Leomar.

A medida será levada à Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) e visa resolver o problema da aglomeração nos terminais de ônibus como medida de prevenção ao novo coronavírus.

A ideia é criar linhas diretas dos bairros para os locais com maior demanda, o que segundo a Redemob encurta o tempo de viagem do usuário que não fará a integração e transbordo no terminal. Essas linhas serão criadas a partir da demanda dos bairros, e a maioria dos usuários seria beneficiada com o novo desenho.

“Propomos transferir parte da oferta de ônibus dos bairros com demanda baixa o que pode aumentar o intervalo de viagem nestes locais, mas isso pode ser mitigado pelo cliente por meio da programação da viagem pelos aplicativos”, explica Leomar Avelino.

Novas linhas diretas

Na prática, são propostas alterações graduais nos sentido de excluir e criar novas linhas que deverão perdurar durante as ações estaduais de combate ao coronavírus. As mudanças, defende a Redemob, precisam ser realizadas de forma célere, com início já nos próximos 10 dias.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de aumentar a frota como medida efetiva de combate à Covid-19, Leomar argumenta que terminais são hubs para distribuição de pessoas. Então, até se colocássemos mais dois mil ônibus, o que não é viável, o local teria lotação e aglomeração em algum momento.

“Vimos que tudo tem sofrido restrições como meio de combater o coronavírus, mas os terminais funcionam da mesma forma. Nós, sociedade, não podemos permitir isso. É preciso tomar uma decisão mesmo que tenha algum efeito colateral”, detalha o representante da Redemob, ao frisar que o objetivo é resguardar a vida e saúde da coletividade.

Escalonamento não pegou

Entre os dados apresentados pela Redemob, está a redução da demanda em 70% após o inicio da pandemia. “Existe uma aglomeração e superlotação nos horários de pico, mas nos demais períodos como à noite e final de semana a demanda caiu demais. Tínhamos a expectativa de que o escalonamento mudasse esse cenário o que não aconteceu, não tivemos resultados”, avalia Avelino.

“Em março tínhamos uma média de 530 mil viagens por dia, ontem tivemos 159,323 viagens, ou seja, a demanda é 30% da registrada antes da pandemia. No entanto, o número de pessoas ainda é grande nos terminais porque se concentra no horário de pico. Se três ônibus estacionam juntos no terminal temos 100 pessoas juntas.”

Interdição do Praça A é prioridade

Um dos terminais que seria interditado de imediato, segundo a proposta, seria o da Praça A. “Defendemos que é preciso mudar o modelo e uma ação urgente é interditar os terminais de integração da RMG. O Praça A foi construído numa rotatória, lá já não comporta ônibus mais e é impossível não ter aglomeração”, pontua Leomar.

“Um ou outro pode ter que pagar uma viagem a mais? Sim, mas seria minoria e esse é um efeito colateral, mas a maioria não precisará ou poderá usar o cartão integração”, pondera o diretor executivo. Em relação aos demais terminais do Eixo Anhanguera, Leomar defende que a discussão seja ampliada e envolva mais estudos.

Sobre o retorno ao modelo antigo, o representante da Redemob explica que talvez não volte a ser o que era, uma vez que outras cidades com um transporte mais moderno têm menos terminais que Goiânia. No entanto, a questão precisa de mais estudos. Leomar, por fim, destaca que ninguém seria demitido e que a economia com o fechamento dos terminais não seria grande.

Vale lembrar que a proposta ainda será alvo de inúmeros debates e precisa do aval da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) antes de tornar-se realidade na Região Metropolitana de Goiânia. As tratativas, de acordo com a própria Redemob, estão em fase inicial.

Entenda a proposta

Ação a curto prazo:

  • Interditar / fechar temporariamente os terminais de integração da RMTC.

    Operação do serviço:
  • Criar linhas diretas dos bairros mais populosos (origem) para os locais com maior demanda (destino). Isto encurtará o tempo de viagem do usuário, pois o tempo com a integração e trasbordo nos terminais será eliminado. O usuário ficará menos tempo dentro do ônibus e chegará mais rápido ao seu destino.
  • Concentrar a oferta de viagens nas linhas de eixo com maior demanda. Isto vai diminuir o tempo de espera nos pontos dos corredores de transporte e a quantidade de pessoas dentro dos ônibus.
  • Transferir parte da oferta de viagens das linhas alimentadoras de bairros menos populosos para as linhas de Eixo. Efeito colateral: O usuário terá que programar suas viagens pelo aplicativo SimRmtc, para que fique menos tempo esperando no ponto de embarque.
  • Realizar algumas alterações na rede, se necessário, mediante aglutinação, alteração, exclusão e/ou criação de novas linhas.

    Período da interdição:
  • Enquanto durar as ações governamentais de intervenção social e combate ao coronavírus. Vale lembrar que o foco é salvar vidas.

    Ordem de implantação:

    1. Interditam-se os terminais com menor demanda;

    2. Interditam-se os terminais com maior demanda;

    3. Gradativamente, os usuários vão sendo orientados, assimilam as mudanças e o novo modelo de operação do serviço.

    Período para implantação:
  • De 11 a 23 de julho de 2020.

A Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) afirmou ao Jornal Opção que entende que toda ação que possa melhorar o serviço ao usuário terá o apoio do gestor público neste período de pandemia. A companhia aguarda o envio da proposta técnica para avaliar a sua aplicabilidade sem prejuízos à operação.

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