“Tem muita gente preocupada com minha eleição porque vou fazer defunto levantar da cova”

Candidato do PR garante que irá implantar uma gestão moderna e não aceitará ilegalidades

Delegado Waldir diz que o cidadão deve ser atendido como consumidor e, se não estiver satisfeito, a administração deve intervir

Delegado Waldir diz que o cidadão deve ser atendido como consumidor e, se não estiver satisfeito, a administração deve intervir

Foto: Fernando Leite

Deputado federal mais bem votado em 2014, Delegado Waldir chega à campanha pela prefeitura de Goiânia com apenas dois partidos em sua coligação (PR e PMN). Mesmo com pouco tempo de TV e rádio, ele garante que irá compensar nas redes sociais (no Facebook, tem 800 mil seguidores).

Com a bandeira da Independência, o republicano garante que irá implantar projetos modernos, com inspiração em Curitiba (PR) e até no exterior. Entre eles, está a Secretaria Municipal de Segurança Pública e o Goiânia 24 Horas (que irá implantar serviços ininterruptos na capital).

Delegado Waldir diz que irá enfrentar os grupos econômicos que dominam o transporte coletivo e, se for preciso, romperá os contratos atuais. No que diz respeito ao setor imobiliário — que domina Goiânia –, ele assegura que fará “defunto levantar da cova” nas investigações que empreenderá.

Alexandre Parrode – Como está este início de campanha? A gente chegou a ver nas redes sociais que o senhor já foi para as ruas logo no primeiro dia, e sozinho. O senhor pretende fazer a campanha dessa forma, de uma maneira mais independente?

Na verdade, a gente não consegue alcançar eleitor por eleitor. A gente conta também com as caminhadas e conta também com veículos móveis para discutir os temas com a população. Além disso, vamos inovar em relação ao Marketing e vamos inovar nas redes sociais. Vamos também caminhar pelas principais avenidas da cidade, vamos também para feiras, Ceasa, e para os locais onde há grande aglomeração de pessoas. E vamos sim, sozinhos, no corpo a corpo. Em algumas ocasiões, iremos acompanhados por alguns candidatos a vereadores, mas não usaremos carros de som ou bandeiras. Há pessoas que acabam atrapalhando os comerciantes e vendedores, mostrando que têm muita gente sem fazer nada na política, já que aquelas pessoas poderiam estar fazendo coisas mais úteis. Então, não queremos dar margem a isso. Temos hoje um eleitor mais politizado, um eleitor que está nas redes sociais, e é extremamente crítico, então, não posso mudar meu perfil. Na verdade, o que tenho que fazer é me adequar às novas técnicas, considerando também as mudanças eleitorais para este pleito.

Alexandre Parrode – O senhor já está há alguns meses na pré-campanha e, agora, na campanha. O que tem ouvido da população? Qual é o principal anseio e como o senhor irá tratá-lo no plano de governo?

Na verdade, eu fui o primeiro nome a me colocar na disputa. Logo depois que encerrou a eleição federal, considerando que fui o deputado federal mais bem votado com quase 179 mil votos em Goiânia, nós imediatamente iniciamos uma estruturação, buscando informações quanto ao que Goiânia necessita. Eu já era um legítimo representante na Câmara Federal do cidadão de Goiânia, então nós passamos a discutir a cidade, conversando com as pessoas, e isso pessoalmente, nas redes sociais, e também por meio das emendas parlamentares destinadas a Goiânia. Eu fui, na verdade, o deputado que mais destinou emendas parlamentares a Goiânia no primeiro ano de mandato.

Alexandre Parrode – Essa questão, inclusive, é uma das críticas que alguns dos candidatos têm feito à sua candidatura. Eles alegam que o senhor não teria feito nada por Goiânia na Câmara.

Parece-me que alguns candidatos estão muito mal informados. É muito fácil você acessar na internet para descobrir que destinei mais de 9 milhões em emendas para Goiânia, mesmo tendo uma administração do PT. E mais: sou um parlamentar que tem mais de 20 projetos em andamento, em defesa da família, da vida e da restrição da liberdade individual de criminosos. Todas nossas propostas estão protocoladas, até mesmo uma proposta de insalubridade e periculosidade para os jornalistas. Além disso, as pessoas que me atacam esqueceram de consultar o site do Congresso em Foco, onde fui escolhido como o décimo sexto melhor parlamentar do País; entre 513, o único goiano. Fui o único deputado federal goiano a ganhar notoriedade nacional. Agora, por exemplo, na pré-campanha, fui citado pela Folha de S. Paulo e pela revista IstoÉ como membro da nova roupagem da política. Ninguém consegue uma matéria na IstoÉ se não estiver realmente em destaque. Também acho bom questionar aos demais pré-candidatos sobre o fato de ter dado um banho de moral e ética ao ser o único da Câmara Federal a abrir mão do auxílio-moradia, além de ter, por escrito, recusado o “transpatroa”, que o Eduardo Cunha implantou e teve que voltar atrás devido à grande rejeição social. Dos 513 deputados, o que menos gastou verba parlamentar fui eu, mostrando que é possível fazer um mandato independente e sem custo para o cidadão. Entre os candidatos, há pessoas que foram senadores, que são deputados e que foram prefeitos. Agora, pergunte a eles se abrirão mão da mordomia. É fácil você latir agora. Eu mordo.

Alexandre Parrode – O senhor é alvo de muitas críticas, muito também por ser um dos líderes nas pesquisas de intenção de voto. Como pretende trabalhar essas críticas e ataques?

Todos podem atacar. Eu tenho alguns meios de defesa. Tenho uma equipe extremamente eficiente, que fiscaliza todas as redes sociais. Então, tudo que sai do meu nome em qualquer rede social ou qualquer jornal e blog é fiscalizado. Além disso, temos um serviço de inteligência que acompanha em tempo real tudo que acontece. Somado a isso, temos também uma assessoria jurídica espetacular. Toda nossa equipe é espetacular e prova disso é uma determinação, a qual já temos decisão judicial favorável, contra o atual prefeito e a candidata do PT, que terão que se justificar e pagar uma multa, porque me ofenderam durante as convenções do partido. Eu não vou perder tempo com os outros candidatos. Eu não venho aqui para xingar ninguém. Eu sou candidato a prefeito de Goiânia para administrar Goiânia. Se eles tiverem capacidade para discutir e debater Goiânia, como eu tenho, estou à disposição.

Alexandre Parrode – Ainda quanto à discussão sobre Goiânia, o senhor já tinha adiantado algumas propostas, mas evitou dar detalhes para que outros candidatos não copiassem.

E copiaram.

Alexandre Parrode – Quais?

A criação de uma Secretaria Municipal de Segurança Pública, por exemplo. Antes, todo mundo dizia que este era um problema do Estado, e que o prefeito não poderia intervir. Acho que este candidato não leu a Lei Orgânica do Município, em que diz que é dever do município a segurança e o direito à vida. Além disso, temos a lei 13.022, que determina que o município, por meio das guardas civis, deve fazer ação preventiva e ostensiva. Basta ter um pouco de conhecimento, ou uma assessoria boa, para saber disso. Outra pauta que nos copiaram foi a proposta de “Goiânia 24 horas”, que pretende estender o horário de funcionamento dos serviços públicos. Então, fico feliz que nossas ideias estão sendo copiadas. Ainda colocaram vices na área de Segurança e isso é sinal que minha candidatura realmente preocupa os demais.

Amanda Damasceno – Em relação à Secretaria de Segurança Pública… Vivemos uma crise econômica. Como o senhor conseguirá criar uma nova secretaria e armar a guarda civil?

Eu diria o seguinte: Nós vivemos uma crise. Agora, para criar uma Secretaria de Segurança, você não tem a necessidade de ter despesas, a gente vai reduzir outras secretarias. Hoje nós temos 14 secretarias mais vários órgãos, nós vamos enxugar. É um absurdo você ter o gabinete do prefeito e do vice-prefeito com mais de vinte cargos, isso não vai existir em uma eventual administração nossa. Nós vamos valorizar o servidor público de carreira, porque tem muita gente boa, técnica. Então nosso primeiro ato ao assumir Goiânia é criar, imediatamente, a Secretaria de Segurança Municipal vinculada direto ao prefeito. Vai trazer a guarda civil, a agência municipal de trânsito, vai trazer outras unidades do município, vamos fazer uma supersecretaria. E depois? Existe, hoje, uma previsão do orçamento destinada à guarda, é só você gastar bem. E se você economizar, vou dar um exemplo pra vocês. O prefeito gastou, nesse final de administração, R$ 40 milhões em propaganda. Com R$ 40 milhões eu compro viaturas, armas, coletes e, se acontecer a nossa eleição, no período entre outubro e janeiro, nós já vamos estar procurando ou a Polícia Civil ou a Polícia Federal para fazer o treinamento dos 1.600 homens da Guarda Municipal. Eles vão para as ruas, não vão ficar mais no gabinete do prefeito, fazendo serviço administrativo. Vão para as ruas, cuidar das pessoas.

Amanda Damasceno – E o treinamento desses homens duraria quanto tempo, aproximadamente?

No mínimo três meses. Armar, treinar, mas de forma imediata eles vão fazer já o estágio desse treinamento nas ruas. Nós já temos excelentes equipes na guarda que já têm condições de fazer esse policiamento ostensivo. Além disso, nós vamos criar, nos principais bairros, nos maiores, nos mais violentos, nós vamos criar módulos policiais. Se eles quiserem copiar também, pode copiar. O que são módulos policiais? São bases que funcionam 24 horas. Por exemplo, andei na Vila Mutirão, lá tem uma praça que foi tomada pelos usuários de drogas. O cidadão sabe: Já que a delegacia não funciona 24 horas, nós teremos uma base. Onde teremos guardas civis municipais, atendendo não é com carro mil não, é com caminhonete, para correr atrás de bandido, Hoje a guarda vai atrás de bandido com a unha e com cacetete, com motocicletas, vai ser dessa forma. Nós vamos limpar Goiânia. Sozinhos? Não, vamos fazer parcerias com a Polícia Civil, com a Polícia Militar, com a Polícia Rodoviária Federal. Vamos fazer, nas entradas da cidade, portais. Já foi em Blumenau? Teremos portais nas entradas, com bases da polícia municipal, onde haverá monitoramento eletrônico de todos os carros e motos que entrarem ou que passarem por Goiânia. Faremos uma cidade inteligente. Nós vamos utilizar sinaleiros as imagens para multar, não vamos incentivar a indústria da multa. Onde tiver uma sinalização, como é feito em Curitiba, em que o motorista vai ser autuado, ele vai ter um aviso, vai ter três faixas verdes dizendo “Olha, daqui a 100 metros nós temos um ponto de multa”. Você tem que educar as pessoas. Hoje, existe em Goiânia uma indústria de multas, porque eles pegam o sinaleiro e colocam escondido atrás de placas, na zona 40, não, nós temos que respeitar aquele que dirige. Nós vamos ser exigentes, mas nós temos que, primeiro, educar as pessoas, para depois punir.

Alexandre Parrode -Hoje o trânsito em Goiânia é um grande problema, nós temos uma cidade que não foi planejada, enorme e com engarrafamentos como os de cidades maiores, como São Paulo e Rio de Janeiro. Como fazer para melhorar o trânsito em Goiânia sem incentivar o transporte individual?

Eu penso o seguinte: Nós temos um Plano Diretor que não foi observado e vai caber ao prefeito refazer esse plano em conjunto com os vereadores. Então nós vamos fazer uma grande parceria com os vereadores municipais. E de que forma resolver o problema da mobilidade? Primeiro eu penso que a gente tem que tratar da mobilidade dos pedestres. Eu estou fazendo caminhadas todos os dias e você não consegue andar 50 metros numa sequência. Não tem acessibilidade nas calçadas que são cheias de obstáculos que impedem que crianças, idosos, qualquer pessoa caminhe, então nós queremos padronizar as calçadas de Goiânia, observando também a questão da permeabilidade. Cada vez que chove em Goiânia, alaga toda a cidade. Então queremos priorizar o pedestre, vamos criar um projeto de forma que haja uma redução do IPTU, para iniciar essa padronização. Recapar toda a malha viária de Goiânia, não é tapar buracos. Isso é uma exigência por quê? Para fazer novas faixas de pedestre, nova sinalização, eu não posso fazer em cima do asfalto velho como foi feito agora no final da administração.

Repórteres do Jornal Opção entrevistam o candidato do PR

Repórteres do Jornal Opção entrevistam o candidato do PR

Alexandre Parrode – Inclusive, nós fazemos uma matéria aqui no jornal mostrando que a empresa Trama ganhou muito dinheiro da prefeitura porque ia lá, pintava a faixa e explicavam que o asfalto era ruim, absorvia a tinta e tinha que ir lá e pintar de novo.

Não é só ela, se você pegar todos os contratos você vai ver que muitas empresas ganharam muito dinheiro de forma muito estranha. Então nós vamos recapar toda a malha viária de Goiânia. Para que? Para que a gente possa fazer a sinalização eficiente, seja para os pedestres, com faixas, nos locais com maiores casos de acidente, você fazer uma modificação urbana para que as pessoas possam circular. E em relação às ciclovias, houve um grande erro no projeto de Goiânia, fizeram ciclovias apenas para lazer. Se você quer agregar ciclovias, você tem que integrar as pessoas que moram nas periferias até os terminais de ônibus e lá fazer os bicicletários onde as pessoas possam colocar suas bicicletas. Isso não foi feito em nenhum bairro de Goiânia onde existe terminal. Na verdade foi feito um grande projeto para aparecer na mídia, como foi feito em São Paulo, não foi feito de forma planejada, foi feito para lazer e para vender que estaria fazendo alguma coisa em Goiânia. Isso é dinheiro jogado fora, queremos adotar um modelo mais sério de ciclovia, para que as pessoas mais pobres, da periferia, possam chegar até os terminais, deixar nos bicicletários e aí pegar um ônibus, fazer uma integração efetiva dos meios de transporte. Não queremos fazer um modelo que não existe integração com transporte coletivo, como foi feito na Europa. Foi feito ciclovia e esqueceram das pessoas da periferia, eu acho que o modelo que foi feito aqui é vergonhoso, sem qualquer planejamento.

Goiânia é a cidade que tem a maior quantidade proporcional de motocicletas no país, então vamos implantar aqui de forma muito forte as motovias. Hoje a maior quantidade de acidentes e pessoas que morrem acontece em nossa capital é por isso. As pessoas que vêm das cidades da Região Metropolitana e as pessoas daqui têm como um dos principais meios de transporte a motocicleta, então queremos criar aqui as motovias nos principais eixos que ligam a Região Metropolitana – a gente quer conversar com o Estado para deixar uma faixa para os motociclistas – e dentro da capital, por exemplo, na Castelo Branco que vem lá da rodovia e vem agregando. Você faz uma faixa exclusiva para as motocicletas e diminui o número de acidentes, de pessoas feridas nos hospitais, nos Cais de emergência, vai evitar mortes. E um dos nossos principais projetos é diminuir o número de mortes, seja no trânsito, seja infantil, ou de mortes violentas.

Alexandre Parrode – Mas tem espaço na via para fazer isso? Porque tem que implantar o corredor de ônibus em alguns lugares, as motovias…

Tem. Tem que implantar. As motovias nos principais eixos que não tem no plano de governo de nenhuma das principais capitais do país, São Paulo iniciou o projeto, mas não avançou. Vamos implantar porque temos necessidade.

Outro detalhe: ao longo do tempo as pessoas incentivaram o uso de outros meios de transporte, entre elas os veículos. Não podemos restringir esses transportes, devemos criar regras. Sou defensor de que as vias não são estacionamentos. Você pega as maiores cidades do mundo, as vias são para a circulação de veículos. Então vamos incentivar a construção de estacionamentos verticais.

Quem quer ter carro tem que pagar o preço por ele, então tem que ter local para estacionamento. Então vamos incentivar com isenções o levantamento de estacionamentos verticais, como foi feito na Rua 44 agora.

Alexandre Parrode – E como é o Plano Diretor em relação aos estacionamentos verticais?

O Plano Diretor não proíbe, ele incentiva estacionamentos verticais, está na lei isso. Até no centro.

Alexandre Parrode – Uma vez até o governador quis fazer estacionamento lá para o Palácio das Esmeraldas…

Isso eu ia dizer. Foi um grande desperdício, porque foi feita a reforma da Praça Cívica e não foi feito um estacionamento subterrâneo. É outra grande crítica minha.
Então queremos criar ainda, nessa questão da mobilidade, ao longo dos eixos avenidas rápidas em sentidos contrários: uma sobe em direção ao centro e outra em direção aos bairros, igual é em Curitiba. Você tem o eixo comercial, que é o eixo do transporte público, mas a 200 metros de cada lado você faz avenidas rápidas em sentido contrário.
Queremos reduzir a quantidade de estacionamentos incentivando os estacionamentos verticais e incentivar a conclusão dos eixos das vias preferenciais. Você tem que dar ao cidadão a opção, não pode cercear. Você tem que dar a opção de um transporte coletivo de qualidade, mas você também tem que permitir que aquele que comprou um carro, uma moto, uma bicicleta possa decidir qual o meio de transporte é adequado, sem forçar.

Em relação ao transporte coletivo, nós vamos permitir que se faça, como em outros países que eu visitei, pontos de ônibus confortáveis em parceria com a mídia. Eles colocam luminosos, com horário de chegada, horário de passagem do ônibus. Aqui em Goiânia tem muito pouco, mas você coloca isso e acompanha em tempo real não apenas pela internet, porque nem todo mundo tem internet. E você permite que não fique como está hoje: cheio de papel, poluição. Você permite propaganda institucional.
E outro ponto: o financiamento do transporte coletivo não é apenas feito pelo usuário, os estacionamentos verticais e a propaganda nos pontos de ônibus serão, na nossa administração, formas alternativas de financiamento do transporte coletivo, para que possamos trabalhar a questão da tarifa. Queremos adotar um valor justo da tarifa em Goiânia. Fazer um efetivo cálculo, usando uma tabela que já existe em Curitiba.

Queremos implantar em nossa cidade os ônibus de linha direta, chamados de “ligeirinho” em Curitiba. Você pode vir de qualquer cidade da Região Metropolitana para a capital e ele para apenas em terminais, não para de ponto em ponto, então um trajeto de Goianira para Goiânia que demoraria duas horas, você vai fazer em uma hora. Ele faz pouquíssimas paradas e utiliza as vias rápidas que ficam ao lado dos eixos.

Da mesma forma que o ligeirinho também vai circular o ônibus interbairros. Ele pega uma órbita circular e circula todos os bairros de um eixo e depois, em um círculo mais estreito pega outro conjunto de bairros. Ele faz essa rota parando de ponto em ponto e evita que as pessoas tenham que vir para o centro, porque hoje elas vêm para o centro para ir para determinado bairro. Então um ônibus que pare de ponto em ponto e outro que também só pare nos terminais desse trajeto. Estamos copiando o modelo, já existe em Curitiba que é uma cidade muito semelhante a Goiânia, tanto no Plano Diretor como em outras situações. Então queremos tornar Goiânia uma das melhores cidades para se viver, então temos que investir na questão do transporte coletivo, na mobilidade.

Alexandre Parrode – Nós fizemos aqui uma estimativa do orçamento da prefeitura e nós temos hoje muito pouco ou quase nada para investimento. Dos R$5 bilhões previstos para o ano que vem, 55% já estão comprometidos com a folha de pagamento, 25% para Saúde, 15% para Educação e ainda tem uma dívida que precisa ser paga. Se eleito, o senhor deve pegar uma dívida flutuante de R$400 mi a R$500 milhões. Então, nesta situação, como fazer para investir? E outra coisa, o transporte coletivo hoje é deficitário, as empresas alegam que não ganham dinheiro o valor do diesel é alto, não conseguem fazer a manutenção dos ônibus, o número de usuários tem caído, o governo não paga mais as gratuidades. E tudo isso demanda um investimento, pelo menos inicial, por parte da prefeitura para fazer esse programa de mobilidade que o senhor pretende. Sem contar o asfalto que o senhor disse que pretende trocar todo o asfalto.

Primeiro, em relação ao transporte coletivo, ele é uma concessão. Eu não entro em uma concessão para ter prejuízos. Ok? Então, existe muita falácia nessa conversa. Eu não me mantenho numa concessão que me dê prejuízo. Se eu for taxista e isso não me dá renda, eu não transporto pessoas na área escolar se isso não me dá lucratividade.
Nós vamos chamar as empresas concessionárias, Metrobus, que é uma concessão do Estado do Eixo-Anhanguera, e as demais empresas concessionárias, e vamos fazer uma repactuação de forma que nos nossos quatro anos de gestão nós tenhamos uma modernidade no transporte coletivo. E eu trouxe duas formas alternativas de financiamento, que eu não estou inventando. Para os eixos como são feitos o eixo norte e sul existe financiamento para as vias preferenciais já existem verbas destinadas para se fazer os eixos que não se consegue por má administração do município, que não tem tido capacidade para executar essas mudanças. E nós vamos cortes, fazer a revisão de todos os contratos. Uma repactuação dos contratos existentes atualmente, de máquinas, exames, de merenda, de todas as áreas. De forma que tenhamos um atendimento justo e as empresas de transporte coletivo, se querem manter essas permissões, têm que oferecer um transporte coletivo de qualidade.

O cidadão tem que ser atendido como consumidor. E, como disse, vamos fazer os cortes. Enxugamento de secretarias, revisão dos contratos, extinção de vários cargos comissionados. Nós sabemos de salários milionários que existem por aí. Então, vamos fazer essas modificações necessárias para que tenhamos mais recursos para investimentos.

Além disso, não vamos ficar aguardando dinheiro cair do céu. Em Goiânia nós temos algumas emergências, algumas situações em estado de calamidade. Seja na segurança, seja na qualidade das nossas vias. E isso tudo precisa de financiamentos. Sei que alguns estão em andamento e nós vamos fazer sim. Buscar recursos. E digo para vocês, o atual ministro dos Transportes [Maurício Quintella] é do PR, o ministro das Cidades [Bruno Araújo-PSDB] que é meu amigo particular e nós já tivemos o compromisso desses colegas, que são deputados federais, de ajuda para que possamos alcançar nossas pretensões. Então, não teremos a menor dificuldade.

Em relação a revisões, existe uma concessão que foi renovada agora para a Saneago, mas nós queremos rever qual o compromisso da Saneago, que é uma das empresas mais lucrativas que tem, e quem dá essa lucratividade é Goiânia. Por que não se exige da Saneago uma contrapartida? Em relação a 100% de saneamento e tratamento de esgoto de Goiânia, vamos exigir isso da Saneago. Sob pena de rompimento do contrato.

Sobre poluição do Rio Meia Ponte. Nas grandes cidades do mundo, o rio que normalmente corta as cidades é eixo de turismo, de lazer, recreação. Já o nosso é na verdade fonte de odor. Ele tem sido, inclusive, utilizado pela própria Saneago para despejar esgoto.

Então, muitas pessoas que ao longo do tempo tiveram muita tranquilidade, muita parcimônia em relação a contratos vão ter sérias dificuldades, porque eu sou legalista e sou apaixonado por Goiânia. Amo Goiânia. E tenho obrigação de fazer da minha cidade uma das melhores cidades do País. Não vou dizer a melhor, mas uma das melhores.

Eu tenho esse compromisso com o Codese [Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Goiânia], tenho esse compromisso com o Goiânia 2020 e tenho esse compromisso comigo, com a minha família, com vocês, com os nossos eleitores.

Eu sou o representante dessa cidade, pela votação que tive e sou a pessoa que mais tem o dever e a responsabilidade de cobrar a mudança de Goiânia.

Amanda Damasceno – O senhor fala do seu compromisso com a cidade, o que está muito ligado ao índice de qualidade de vida que, por sua vez, está ligado à sustentabilidade e o meio ambiente. Como o senhor pretende agir nesse sentido?

Nós queremos primeiro uma cidade limpa. Existe um projeto muito interessante em São Paulo iniciado pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD), da limpeza dos principais pontos históricos que revitalizou o centro da cidade. Então em relação à arte visual na questão da sustentabilidade, nós queremos fazer uma Goiânia limpa. Vamos avançar na questão da reciclagem, vamos implantar um modelo de reciclagem de lixo no qual a pessoa vai trocar de lixo por cestas básicas de alimentos, frutas e verduras que vamos adquirir no Ceasa, e material escolar. Essa troca será ensinada nos bairros de periferia e nas escolas.

Vamos ter postos de troca, onde o cidadão pode realizar essa troca e vamos ainda fazer um trabalho para disciplinar o cidadão. Hoje as pessoas não separam o plástico do lixo orgânico, mas nós vamos incentivar as pessoas a fazerem essa reciclagem.

E diferente do que foi implantado agora, vamos permitir aos condomínios que façam a reciclagem total do lixo, um desconto no IPTU. Seja prédio residencial, comercial. Nós queremos que as pessoas da cidade adquiram essa cultura e para fazer um grande aproveitamento disso tudo, vamos fazer uma usina de reciclagem de lixo ao lado do aterro sanitário.

Diariamente as empresas de caçamba despejam toneladas de material reciclável no aterro sanitário. Tivemos uma reunião com eles e nós queremos disciplinar isso, para que haja a reciclagem desse lixo.

Em relação ao meio ambiente, queremos implantar ônibus com outras alternativas, seja biodiesel, energia solar. Goiânia tem uma grande capacidade de captação de energia solar que não utilizamos.

Alexandre Parrode: E isso até por falta de tecnologia da própria Celg.

Falta de interesse em fazer as mudanças.

Alexandre Parrode – Até já ouvi depoimento de pessoas que queriam instalar a tecnologia em suas casas, pagou caro para a instalação dos painéis solares e a Celg não consegue dar o desconto.

É uma questão de tecnologia. Nós não estamos preparados. Para isso, queremos atrair os pólos de tecnologia para que seja possível avançar e conseguir implantar a utilização de outras fontes de energia para nossa cidade.

Avançando ainda na questão do tratamento de esgoto, queremos fazer com que Goiânia atinja 100% na coleta e tratamento de esgoto. Esse é um dos nossos mandamentos. Mesmo porque, a Igreja Católica, da última vez que fez um pedido formal na Campanha da Fraternidade, que realizam todos os anos, pediram o tratamento do esgoto e água. Então temos o objetivo de atender a essa demanda.

Outro ponto importante é a recuperação de todas as nascentes e criação de maiores incentivos àqueles que as protegem. Quem tem um pedaço de mata nativa em sua propriedade, por exemplo, pode ter uma redução nos impostos para incentivar a manutenção e preservação desse manancial. Queremos fazer esse trabalho de recuperação nos córregos, rios e nascentes e ainda aproveitar o Rio Meia Ponte, como disse anteriormente, de forma turística.

Ainda precisamos ver de que forma isso seria possível. Podemos fazer um parque ecológico ao longo do rio para que as pessoas possam visitar. Falando em parques, hoje os parques de Goiânia estão degradados. A maior parte deles são utilizados para esconderijo de assaltantes. Queremos os nossos parques revitalizados, de forma a agregar a preservação com o lazer.

Em algumas cidades você tem parques com churrasqueiras, onde as famílias podem se reunir nos finais de semana. O que torna também mais igualitária as oportunidades de lazer. Os parques preservados em Goiânia são como o Parque Vaca Brava, por exemplo. No Curitiba, no bairro da Vitória, os parques são uma mata abandonada. Então, este avanço no sentido de preservação dos parques e praças são uma prioridade.

Alexandre Parrode – O Jornal Opção encampou uma bandeira inclusive fizemos uma denúncia, não contra o empreendimento Nexus, mas contra a realidade do setor imobiliário em Goiânia. A verdade é que hoje é que a capital está nas mãos das grandes empresas da construção, eles mandam na cidade. Constroem onde querem, da maneira que querem, não respeitam o Plano Diretor, não respeitam as leis que já existem. É possível comprovar isso com o exemplo do que aconteceu com o Córrego Cascavel, o Parque Flamboyant tomado por aquela quantidade de empreendimentos, vazamento do lençol freático. E é um problema real, porque eles tomaram o controle da cidade e eu quero saber como o senhor pretende enfrentar esses grandes empresários, que financiaram campanhas de candidatos que estão na disputa hoje e que mandam na atual administração através do secretário de Planejamento [Seplanh], que é advogado de construtora. Como o senhor, que assinou o Codese, ligado à construção civil, vai fazer para lidar com esse problema?

montagem waldirPrimeiro, para mim, vai ser muito simples. Não recebi, na minha campanha de deputado nem vou receber agora, financiamento de empresas de ônibus e nem de construtoras, é muito fácil e me torna independente para lidar com a legalidade. Sou defensor da legalidade. Não sou contra crescimento da cidade, mas de forma ordenada, cumprindo o Plano Diretor. Vamos recriar o Instuto de Planejamento, que foi extinto, e eles terão que obedecer ao ordenamento. Se quiserem construir Nexus, no Parque Lozandes, terão que obedecer as regras.

Além disso, não vou colocar ninguém ligado a esses grupos no meu secretariado. Queremos uma administração técnica. Melhor sozinho que mal acompanhado.

Alexandre Parrode – Mas o que a CEI das Pastinhas mostrou que esses grandes construtores fizeram as regras e depois não estavam cumprindo nem o que eles fizeram.

Sabemos que há muita coisa errada no ordenamento urbano, houve muitas negociações espúrias, criminosas. Se houve o espraiamento ou adensamento exagerado não foi com base no Plano Diretor. Tem muito gente preocupada com minha eleição porque eu vou fazer defunto levantar da cova, sabemos de muita coisa errada. Ninguém pode esquecer que, além de candidato a prefeito, minha principal habilidade é investigação e inteligência. Nós sabemos dos bastidores. Temos que investigar porque o Plano Diretor não foi aplicado, quem ganhou com isso, porque eu sei que quem perdeu foi a população. Tem muita gente que se enriqueceu as custas do povo. Não quero que empresário seja extorquido, quero a legalidade. Vamos revisar o Plano Diretor, peço que a população escolha os melhores vereadores, os mais independentes.

Alexandre Parrode – O senhor fará parcerias com o setor privado?

Sim. Precisaremos para desenvolver a cidade em algumas áreas, mas não na saúde, a saúde é intocável. O que precisamos é de gestão, nossos servidores são competentes. Não vamos permitir OSs na Saúde. Unidades de Saúde estão caindo aos pedaços, você não pode culpar os funcionários pela má gestão. Por isso eu queria um especialista como o dr. Zacharias Calil (PMB)…

Alexandre Parrode – Como o senhor avalia a debandada do PMB? Inclusive, a coligação do senhor só tem dois partidos, PR e PMN, o tempo de TV será curto, como superar isso?

Foram negociatas de última hora. Nenhum partido acompanha o Delegado Waldir porque sou bonito, porque tenho barba. Partidos acompanham candidatos porque têm interesse, ou econômico, ou cargos. Usaram as estruturas do governo e da prefeitura para negociar apoio aos candidatos. Eu não tenho nada a oferecer além da minha coragem e honestidade, sem dúvida nenhuma a legislação penaliza quem não faz essas coligações.
Vamos superar a desvantagem do tempo de TV nas redes sociais.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.