Ministério da Economia afirmou que estudo teve como objetivo formular estratégias para possível adoção do trabalho remoto em segmentos do serviço público

Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Economia mostrou os efeitos da pandemia do novo coronavírus na produtividade do servidor público federal que trabalha em casa. Conforme os resultados, os grupos mais impactados são as mulheres e os pais de filhos menores de 5 anos.

O estudo foi realizado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), em associação com a Universidade de Duke, nos Estados Unidos. Respondido de forma online, no site da Enap, o questionário foi aplicado em 88 países, com as mesmas perguntas.

O levantamento foi feito em maio e junho e revelou que os servidores federais com filhos de até 4 anos relataram impacto maior, de 42 minutos de improdutividade por hora. Entre os que não têm filhos nessa faixa etária, o tempo não trabalhado caiu para 16 minutos.

Já as mulheres informaram 26 minutos de improdutividade a cada hora, contra apenas 12 minutos dos homens. As principais dificuldades relatadas foram distrações domésticas e a falta de interação com colegas. Ainda foram citados problemas tecnológicos e falta de delimitação da fronteira entre vida pessoal e profissional.

O estudo também constatou que os servidores com mais acesso à tecnologia conseguem reduzir a perda de produtividade. Entre os equipamentos citados, estão internet sem fio, computador laptop exclusivo, ferramentas de teleconferência e acesso a softwares de gerenciamento de tarefas.

Horas de trabalho

A pesquisa ouviu 16.765 mulheres, 15.586 homens e 33 servidores que não se identificaram com nenhum gênero. Na parcela da população que não informou o gênero, o tempo trabalhado com distrações somou 43 minutos por hora.

Em uma análise dos dados totais (gênero, número de filhos e idade), o número de horas diárias produtivas (em que o servidor trabalha com total concentração), caiu de 5,73 antes da pandemia de Covid-19 para 5,4 durante a pandemia.

O total de horas trabalhadas improdutivas (que engloba a execução de tarefas num ambiente de distração ou de multitarefas) passou de 3,07 para 3,29, na mesma comparação.

O tempo do trabalhador dedicado ao sono subiu de 6,93 horas diárias antes da pandemia para 7,1 após a introdução do trabalho remoto. Já em relação ao lazer, a pesquisa apresentou que as horas diárias dedicadas as atividades de lazer ativo (atividades ao ar livre, socialização e passeios) caíram de 1,81 para 1,31. No entanto, as horas de lazer passivo (descanso, ócio, assistir à televisão) subiram de 2,26 para 2,47.

Objetivo

O Ministério da Economia afirmou que a pesquisa teve como objetivo formular as estratégias para uma possível adoção do teletrabalho em segmentos do serviço público, principalmente nas atividades consideradas não essenciais. Apesar dos obstáculos, a maioria dos funcionários afirmou desejar dividir de maneira igual o tempo trabalhado em casa e no escritório.

A proporção desejada pelos servidores federais ficou em 48,38% de trabalho remoto e 44,20% presencial. Antes da pandemia, cerca de 75% do expediente do funcionário era executado no escritório e pouco menos de 20% em casa.