Diante da expectativa da Prefeitura de Goiânia de lançar um edital para contratar uma empresa responsável por oferecer telemedicina na rede municipal de saúde, o titular da pasta, Luiz Pellizzer, afirma que, em pleno funcionamento, a modalidade pode retirar até 30 mil atendimentos mensais das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital. Essas assistências seriam destinadas a pessoas classificadas nas cores verde e azul, que correspondem a casos de baixa complexidade e que não necessitam de atendimento imediato. A expectativa é que o edital seja lançado nesta semana e que, se tudo ocorrer dentro do cronograma previsto, o serviço comece a funcionar em setembro.

“Se eu fosse muito literal, diria que a telemedicina consegue fazer todos os atendimentos verdes. Estamos falando de algo entre 78 mil e 85 mil atendimentos. Olhando experiências de outros lugares, acredito que teremos uma média de 30 mil atendimentos a menos por mês na rede de urgência por causa da telemedicina”, destaca o secretário ao Jornal Opção.

O secretário afirma que a proposta da telemedicina é justamente desafogar as unidades de urgência e emergência, retirando delas os pacientes com casos leves e permitindo que as equipes presenciais se concentrem nos atendimentos mais graves. Segundo ele, além de aliviar a demanda da rede, a iniciativa busca oferecer mais comodidade ao cidadão.

“O foco é justamente atender os casos de menor complexidade e trazer conforto para o usuário. Hoje ele vai para a unidade e fica três, quatro horas esperando atendimento, sendo que poderia ser atendido por telemedicina em até 30 minutos.”

Além disso, Luiz Pellizzer pontua que a contratação será realizada após a constatação de que muitos problemas de saúde podem ser resolvidos sem que a pessoa precise sair de casa. “Isso representa economia de tempo, aumenta a resolutividade e evita que a pessoa precise sair do conforto da casa dela. Quem estiver na unidade continua atendendo os casos que realmente não são factíveis pela telemedicina, que são os mais complexos”, afirma.

Luiz Pellizzer destaca que serviço visa desafogar atendimentos nas UPAs | Foto: Guilherme Alves/Jornal Opção

Como vai funcionar?

Luiz Pellizzer destaca que o projeto prevê consultas com médicos generalistas da rede municipal. Ele descarta, pelo menos neste primeiro momento, a inclusão de outras especialidades médicas no serviço. O secretário também chama atenção para um cenário considerado contraditório. Usando como exemplo a pediatria, ele afirma que, enquanto cerca de 30% das consultas ambulatoriais agendadas registram ausência dos pacientes, as UPAs continuam lotadas por crianças com quadros que, na maioria das vezes, não configuram urgência.

“Na pediatria ambulatorial temos aproximadamente 30% de ausência nas consultas. Ao mesmo tempo, as portas das UPAs ficam cheias de crianças buscando atendimento de urgência, quando, na maioria das vezes, não se trata de urgência. O problema é o volume.”

O secretário explica que a telemedicina deverá funcionar de forma que o custo da conexão utilizada pelo paciente durante a consulta será de responsabilidade da empresa vencedora da licitação. Ou seja, o atendimento não consumirá a franquia de internet do usuário.

“Uma das exigências do termo de referência é que o aplicativo não consuma a internet do usuário. Quem arca com esse custo é a empresa contratada.”

Além disso, o atendimento será limitado a pessoas que estiverem fisicamente em Goiânia no momento da solicitação. “A pessoa não precisa ser moradora de Goiânia, mas precisa estar, naquele momento, dentro do município.”

Antes da consulta, porém, o usuário passará por uma triagem por meio de um questionário, no qual informará os sintomas. A partir dessa avaliação, o sistema definirá se o caso pode ser resolvido por telemedicina ou se será necessário procurar uma unidade de saúde.

“Se for perfil verde ou azul, ele continua no atendimento e chega ao médico em até 30 minutos. Se houver maior gravidade, será orientado a procurar uma unidade de urgência e emergência”, explica, ao lembrar que a empresa não terá um teto de atendimentos.

Segundo o secretário, a contratação da empresa deve ficar entre R$ 35 milhões e R$ 36 milhões. “Durante o processo licitatório normalmente há redução de 25% a 30%, então o contrato deve fechar em torno de R$ 35 milhões a R$ 36 milhões, e não nos R$ 50 milhões inicialmente apresentados”, afirma.

Luiz Pellizzer destaca que não há previsão, pelo menos neste primeiro momento, de levar a modalidade para as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou outras unidades da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Segundo ele, será necessário avaliar os resultados do projeto e realizar uma nova licitação caso a ampliação envolva outras especialidades.

“Não pensamos nisso neste primeiro momento. Se entendermos que é viável, será necessário um novo processo licitatório para essa parte.”

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