Felipe Cardoso
Felipe Cardoso

“Ted Bundy – A Irresistível Face do Mal” é melhor que a propaganda

É inovador o fato de alguém se atrever a buscar humanidade no homem. No entanto, arriscado

Foto: Reprodução/YouTube

Quando me foi solicitado que escolhesse um dos assentos disponíveis na sala de cinema notei que, de todas, ela era a menor. Não foi preciso muito para entender que a cinebiografia de Ted Bundy seria exibida no “escanteio” das demais produções e em único horário ao longo do dia.

Curioso, questionei a atendente sobre o aparente “pouco caso”. A resposta foi imediata: “É ordem da distribuidora”. E completou: “Eles fazem assim quando acham que o filme não vai ser tão bom”. Confesso que fiquei surpreso, porém grato pela franqueza da moça.

Não sei se isso é verdade, mas, se for, é certo que a distribuidora errou no veredito. Talvez o filme realmente não alcance a procura esperada, mas quanto à qualidade não restam dúvidas: supera as expectativas. Até que o longa começasse eu, de fato, acreditava que “a distribuidora” estivesse com a razão. Haja vista que o trailer e a sinopse não nos convencem do contrário.

Ao menos o “grosso” da história de Ted Bundy — serial killer que matou pelo menos 30 norte-americanas na década de 1970 — quase todo mundo conhece. Depois de tantas produções realizadas acerca da história do assassino nos parece redundante um novo filme sobre ele. Seria; se não fosse contado a partir da perspectiva de Elizabeth — namorada de Ted à época.

Beth é interpretada por Lily Collins e Bundy por Zac Efron — sim, o do High School Musical. O filme é totalmente desprovido de qualquer cena que mostre Bundy cometendo assassinatos. Diante disso, muitos se perguntam: se há relatos detalhados de como os crimes ocorreram, não seria interessante explorar esse lado da história? Não. Afinal, carnificina não é o foco do drama e, assim como Elizabeth, o público vai se deparando gradativamente com as evidências.

Mas incrivelmente há, ainda, quem se apegue à imagem de “bom moço” que Ted busca incansavelmente transparecer. A grande crítica é que o filme não é útil na desconstrução desta farsa. Pelo contrário, há quem chore — como Bundy — com toda a dramatização da sentença.

É inovador o fato de alguém se atrever a buscar humanidade no homem. No entanto, arriscado. Quem se pautar apenas por esta obra para tirar suas conclusões sobre a história de Bundy está fadado a se esquecer do trágico destino de:

Karen Sparks

Lynda Ann Healy

Donna Gail Manson

Susan Elaine Rancourt

Roberta Kathleen Parks

Brenda Carol Ball

Georgann Hawkins

Janice Ott

Denise Marie Neslund

Nency Wilcox

Melissa Smith

Laura Ann Aime

Carol DeRonch

Debra Jean Kent

Caryn Nene Campbell

Julie Cunningham

Denise Lynn Oliverson

Lynette Dewn Culver

Susan Curtis

Lisa Levy

Margaret Bowman

Kathy Kleiner

Karen Chandler

Cheryl Thomas

Leslie Parmenter

Kimberly Diane Leach

Trailer:

Cinebiografia de Ted Bundy (Zac Efron), serial killer que matou, pelo menos, 30 mulheres em sete estados norte-americanos durante a década de 1970. Só que o filme é contado a partir do ponto de vista de sua namorada, Elizabeth (Lily Collins), que não tinha conhecimento de seus crimes. Classificação indicativa 16 anos, contém violência, conteúdo sexual e drogas lícitas.

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Diego

Sim, um filme muito bom, tirando as ficções, mostra um lado da história que poucos sabem.