Até então considerado aliado do prefeito de Goiânia, o vereador pegou todos de surpresa quando decidiu ir contra os interesses do partido na votação do projeto que reformula as alíquotas do IPTU

Um clima de tensão tomou conta do diretório municipal do PT após maioria da bancada da legenda na Câmara de Goiânia ir contra o projeto de autoria do prefeito Paulo Garcia (PT) que reformula as alíquotas do IPTU e ITU da capital. Apesar de a situação ser amenizada pelo presidente do partido em Goiás, Ceser Donisete, a contenda pode ainda suscitar a saída dos vereadores Tayrone di Martino e Felisberto Tavares da sigla, seja por processo de expulsão ou por vontade própria.

Entre os dois legisladores, a decisão contrária de Tayrone foi a que causou maior surpresa entre os filiados da sigla. Até então considerado aliado de Paulo Garcia, chegando a integrar o corpo administrativo do Paço como assessor de imprensa, o petista avalia a possibilidade de sair do PT com as próprias pernas. “Eu vou lutar para que não haja represália, pois não admito qualquer tipo de injustiça”, amenizou o legislador em entrevista ao Jornal Opção Online.

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A estranheza causada pela dissidência de Tayrone também se dá porque o vereador sempre se mostrou favorável às demandas da prefeitura. No ano passado, por exemplo, ele foi um dos legisladores que votou a favor do projeto de readequação das alíquotas do imposto e, neste ano, seguiu a recomendação do Paço quanto à aprovação da polêmica matéria que previu a desafetação de áreas públicas.

A justificativa adotada por Tayrone quanto à sua negativa a este projeto é embasada na suposta falta de diálogo dentro do partido. Para ele, o PT age de maneira antidemocrática ao forçar a aprovação de propostas a seus filiados, sem levar em conta os prejuízos que poderiam ser causados à sociedade. “No último ano, o projeto foi muito discutido. Dessa vez não. Hoje ninguém sabe quanto que vai ser esse reajuste sem a planta de valores. Falta transparência e discussão”, lamentou.

A negativa de Tayrone pegou de surpresa, inclusive, o vereador Felisberto Tavares, que votou contra o projeto do Paço no último ano e manteve sua decisão agora. “Fui pego de surpresa. Não combinamos nada”, disse. Sobre a represália do partido, ele lembra que em 2013 a situação não chegou a tanto. “Da última vez, houve mudanças. Agora, nem ameaçaram, já puniram”, contou.

Há dez dias das eleições, durante sessão na tarde desta quinta-feira (25/9), o líder do prefeito na Casa, o vereador Carlos Soares (PT), único legislador petista a favor da proposta, teceu duras críticas aos colegas de partido e disse que a discussão sobre a matéria de reformulação das alíquotas do IPTU ocorre em um “plano de fundo eleitoral”, em que interesses políticos estariam envolvidos. “Se você observar a quem cada vereador é ligado, você pode observar quem esse voto está representando. Isso vale para os nossos [vereadores] também. Se você fizer uma pesquisa, você vai ver quem os nossos representam e a quem eles são ligados de fato”, declarou, emendando que o PT é um partido “duro” e que seus filiados devem cumprir seus estatutos.

Felisberto e Tayrone, por sua vez, rebateram o “fogo amigo”, rechaçando as insinuações do colega petista. Para o primeiro, a denúncia de possível interesse eleitoral é totalmente incoerente, uma vez que, no último ano, mesmo sem perspectiva de eleição foi contra o projeto. Já Tayrone defendeu que seu papel não é o de fazer “conchavo” e reiterou que sua única motivação tem como base os interesses da população goianiense.

Além de vereador, Tayrone concorre ao cargo de vice-governador ao lado do governadoriável Antônio Gomide, cuja tendência dentro do PT estadual não é a mesma que a do prefeito de Goiânia. Este que, por sua vez, não esconde a gratidão ao nome de Iris Rezende, candidato ao governo de Goiás pelo PMDB. Confrontado sobre o impasse, o vereador reforçou que sua candidatura não influencia em nada o trâmite da matéria .”Meu posicionamento não é eleitoral, e sim político e em prol da população”, reiterou.

Durante sessão nesta quinta-feira, Tayrone também fez questão de frisar que seu vínculo com o PT estaria muito além de sua relação com o prefeito de Goiânia.