Suspeitos de desviar cargas milionárias do Walmart são presos em Goiás

Polícia Civil acredita que a organização criminosa atuava há um ano e meio em cinco estados; prejuízo estimado no período pode chegar a R$ 30 milhões

Para polícia, suspeitos trabalham juntos | Foto: SSPAP

A Polícia Civil prendeu, na última semana, dois motoristas acusados de integrarem uma quadrilha especializada em desvios de cargas. De acordo com a Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar), Uelson Marques Faria de Oliveira e Luiz José Venâncio são suspeitos de participar do desvio de um carregamento de produtos diversos, no valor de R$ 800 mil, e uma carga de azeite, no valor de R$ 500 mil, da rede de hipermercados Walmart, no mês de dezembro do ano passado.

Com a prisão dos dois, a polícia conseguiu identificar alguns líderes da organização, que tem ramificações nos estados do Tocantins, Minas Gerais, Mato Grosso e Paraíba, além de donos de grandes supermercados, que são suspeitos de receptar as cargas. Uelson e Luiz José serão indiciados por furto mediante fraude, associação criminosa e falsificação de documento público, podendo pegar até 22 anos de prisão.

Após os roubos serem comunicados à Decar, chamou a atenção da polícia a proximidade do registro dos boletins de ocorrência e a semelhança dos relatos. Os dois acusados afirmaram que pernoitavam em postos de combustíveis, Uelson na cidade de Feira de Santana/BA, no dia 2 de dezembro, e Luiz em João Pessoa/PB, no dia 20, quando foram abordados por organizações criminosas especializadas em roubos de carga e sequestrados. Os relatos dão conta, ainda, que foram libertados na cidade de Aracaju/SE, onde teriam sido registrados os falsos boletins de ocorrência.

De acordo com o titular da Decar, delegado Alexandre Bruno de Barros, quando foram realizadas as diligências ficou constatado que os registros eram falsos. “Eles simularam o roubo da carga e o sequestro e, em seguida, confeccionam os boletins, com base em registos encontrados na internet, alguns feitos de forma grosseira”, afirmou Alexandre. Apesar da semelhança dos relatos, Uelson alega que não conhece Luiz, mas a polícia acredita que os dois sejam parceiros.

Novas técnicas

Ainda de acordo com o delegado, o roubo de cargas teve uma queda vertiginosa em Goiás no último ano, o que levou algumas organizações criminosas a criarem novas formas de agir em relação a roubo e furto de cargas. “As organizações passaram a cooptar motoristas que trabalham de forma lícita em mais de uma unidade da federação e, ao invés de entregarem a carga para os clientes que pagaram por elas, repassam a receptadores em outros estados”, afirma.

Segundo a polícia, esses motoristas aceitam facilmente participar do crime, pois o valor normal que recebem pelo transporte de uma carga não passa de R$ 3 mil. Já para participarem do desvio de carga, dependendo do valor do carregamento os caminhoneiros chegam a receber entre R$ 10 e 20 mil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.