Surto de vírus respiratórios: especialista alerta para sinais de bronquiolite que exigem atendimento imediato
21 julho 2026 às 16h16

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O aumento da circulação de vírus respiratórios em Goiás durante o inverno tem provocado uma alta nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e acendido um alerta para doenças como a bronquiolite. Causada principalmente pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), a infecção pode evoluir rapidamente para quadros graves, sobretudo em bebês, idosos e pessoas com doenças crônicas, exigindo atendimento hospitalar e, em alguns casos, internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com a médica intensivista pediátrica Thais Miyagui, do Hospital Mater Dei Goiânia, o aumento das infecções respiratórias nesta época do ano faz parte do comportamento sazonal dos vírus, favorecido pelas temperaturas mais baixas e pela maior permanência das pessoas em ambientes fechados.
“O aumento é esperado no período de sazonalidade dos vírus respiratórios. A maior permanência das pessoas em ambientes fechados favorece a transmissão do vírus sincicial respiratório, da influenza e de outros vírus respiratórios. Como consequência, observamos um aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave”, explica ao Jornal Opção.
Embora o VSR seja o principal agente responsável pela bronquiolite em lactentes, a especialista ressalta que a doença também pode ser provocada por outros vírus respiratórios, como rinovírus, metapneumovírus humano, adenovírus, parainfluenza, influenza e coronavírus.
Segundo a médica, independentemente do agente causador, o tratamento é voltado principalmente ao suporte clínico do paciente. Entre as medidas mais utilizadas estão hidratação, controle da febre, lavagem nasal, fisioterapia respiratória e oxigenoterapia quando necessária.
Bebês menores de seis meses concentram maior risco

Os bebês, especialmente aqueles com menos de seis meses de vida, representam o grupo mais suscetível às complicações da bronquiolite. O risco é ainda maior entre prematuros, crianças com cardiopatias congênitas, doenças pulmonares crônicas, alterações neurológicas ou imunodeficiência.
Entre os adultos, idosos e pessoas com doenças crônicas também apresentam maior probabilidade de desenvolver formas graves das infecções respiratórias.
A orientação é que pais e responsáveis procurem atendimento médico imediatamente caso a criança apresente sinais como respiração acelerada ou com esforço, afundamento das costelas durante a respiração, lábios arroxeados, pausas respiratórias, sonolência excessiva ou dificuldade para mamar e manter a hidratação.
Nos adultos e idosos, os principais sintomas de alerta incluem falta de ar, dor no peito, queda da saturação de oxigênio, febre persistente acompanhada de piora clínica e confusão mental, que muitas vezes pode ser um dos primeiros sinais de agravamento entre pacientes mais velhos.
Apesar da preocupação, Thais Miyagui destaca que a maior parte das crianças evolui de forma favorável e não necessita de cuidados intensivos.
“A internação em UTI costuma ser indicada apenas quando há insuficiência respiratória importante, necessidade de suporte ventilatório avançado, hipoxemia persistente, apneias ou comprometimento significativo da alimentação e hidratação”, explica.
Medidas de prevenção ajudam a evitar casos graves
Além dos cuidados já conhecidos, como higienizar frequentemente as mãos, manter os ambientes ventilados e evitar que recém-nascidos tenham contato com pessoas gripadas, a especialista ressalta que os avanços na prevenção do VSR têm contribuído para reduzir o número de casos graves.
Segundo ela, o nirsevimabe representa uma importante ferramenta para proteger lactentes durante a primeira temporada de circulação do vírus, enquanto o palivizumabe continua indicado para grupos específicos de maior risco. A vacinação materna contra o VSR, quando disponível, também oferece proteção aos recém-nascidos nos primeiros meses de vida por meio da transferência de anticorpos.
A médica reforça ainda que a vacinação contra a influenza permanece sendo uma das principais estratégias para diminuir hospitalizações e mortes entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
No Hospital Mater Dei Goiânia, pacientes adultos e pediátricos com doenças respiratórias graves recebem atendimento por equipes multidisciplinares, com protocolos baseados em evidências científicas, suporte ventilatório de alta complexidade e unidades de terapia intensiva preparadas para os casos mais graves.
Para Thais Miyagui, reconhecer precocemente os sinais de agravamento pode fazer toda a diferença na evolução do paciente.
“Ao surgirem sinais de dificuldade respiratória, é importante procurar atendimento médico precocemente. O diagnóstico e o tratamento oportunos podem evitar a progressão para formas graves da doença”, conclui.
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